O regime da China fez uma “exigência” aos Estados Unidos nesta segunda-feira (5): a libertação “imediata” do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, capturado pelos EUA durante uma operação militar em Caracas no último dia 3.
Em sua justificativa, Pequim defendeu que o uso da força por parte de Washington representa um “risco” para a paz e a estabilidade na América Latina e no Caribe.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, expressou em entrevista coletiva a “grave preocupação” de país asiático com a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, e pediu aos EUA que “garantam sua segurança pessoal” enquanto estiverem fora da Venezuela e efetuem sua “libertação imediata”.
Lin afirmou que a atuação de Washington “viola claramente o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais”, além de contrariar “os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”.
Nesse sentido, o regime de Xi Jinping acusou os EUA de recorrerem a um “uso descarado da força” contra um país soberano e de realizarem ações que, segundo Pequim, “minam a soberania da Venezuela”.
O porta-voz disse ainda que estas ações “ameaçam a paz e a estabilidade na América Latina e no Caribe”, uma região que ele declarou ser considerada pela China uma “zona de paz”, e reiterou a oposição de seu país ao uso ou à ameaça do uso da força nas relações internacionais, bem como ao que descreveu como práticas de “assédio hegemônico”.
Em diversas respostas a jornalistas durante a coletiva, Lin insistiu que Washington deve “cessar os esforços para minar o regime venezuelano” e resolver a crise “por meio do diálogo e da negociação”, algo que o governo de Donald Trump disse em várias ocasiões que tentou fazer, mas Maduro se recusou a fazer.
A China, acrescentou, “apoia que o Conselho de Segurança da ONU convoque uma reunião de emergência” para tratar da situação e defendeu que o órgão cumpra com suas responsabilidades conforme o seu mandato.
Questionado sobre os contatos de Pequim com Caracas após a captura de Maduro, o porta-voz recordou que a China “respeita a soberania e a independência da Venezuela” e confia que o país “faça a gestão de seus assuntos internos de acordo com sua Constituição e suas leis”, sem confirmar conversas diretas com a vice-presidente, Delcy Rodríguez, que assumiu de forma interina a chefia do Executivo venezuelano.
Em relação à cooperação bilateral, Lin sinalizou que “a cooperação energética é uma cooperação entre Estados soberanos” e está “protegida pelo direito internacional e pelas leis dos países envolvidos”.
Nesse contexto, ressaltou que, “independentemente das mudanças na situação interna da Venezuela”, a disposição da China em aprofundar a cooperação com o país caribenho “em diferentes âmbitos não mudará”, e que os “interesses legítimos” da China na Venezuela “continuarão sendo protegidos conforme a lei”.
O porta-voz também se recusou a admitir que Pequim busca estabelecer “esferas de influência” na América Latina. Segundo ele, a política chinesa em relação à região “é coerente e estável”, baseada nos princípios de não ingerência, igualdade e benefício mútuo, e “sem alinhamentos ideológicos”.
A China, completou Lin, “continuará sendo um bom amigo e um bom parceiro” dos países da América Latina e do Caribe e está disposta a trabalhar com eles para “defender a Carta da ONU, salvaguardar a equidade e a justiça internacionais” e responder de forma conjunta às tensões derivadas da atual situação na Venezuela.
As declarações ocorrem em um contexto de crescente tensão regional após a operação militar americana que culminou com a detenção de Maduro e sua transferência para os Estados Unidos, um episódio que gerou reações críticas de vários governos e levou à convocação de uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que deve acontecer por volta das 12h de Brasília nesta segunda-feira.