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Eles se juntarão a Israel, que também confirmou publicamente sua participação (em comunicado separado), e outras nações que se comprometeram anteriormente com o convite. Segundo a agência Reuters, até o momento cerca de 35 líderes mundiais afirmaram publicamente que integrarão o comitê.
Nesta quinta-feira (22/01), Trump lançou oficialmente o conselho durante uma cerimônia no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
No evento, o presidente americano afirmou que “muitas coisas boas estão acontecendo”, e que as ameaças à Europa, à América e ao Oriente Médio “estão realmente se acalmando”.
“Há apenas um ano, o mundo estava em chamas”, disse durante a cerimônia de assinatura, que contou com a presença de alguns dos membros fundadores do conselho, entre eles o presidente argentino, Javier Milei, e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.
Na noite de quarta-feira (21/01), Trump havia afirmado que o presidente russo, Vladimir Putin, também havia concordado em integrar o conselho, mas Putin disse que o país ainda está analisando o convite.
Inicialmente, acreditava-se que o conselho teria como objetivo ajudar a pôr fim à guerra de dois anos entre Israel e o Hamas e supervisionar a reconstrução em Gaza. No entanto, o estatuto proposto não menciona o território palestino e parece ter sido concebido para substituir funções da Organização das Nações Unidas (ONU).
A Arábia Saudita, porém, afirmou que o grupo de países de maioria muçulmana, Arábia Saudita, Turquia, Egito, Jordânia, Indonésia, Paquistão e Catar, endossou o objetivo de consolidar um cessar-fogo permanente em Gaza, apoiar a reconstrução e avançar no que descrevem como uma “paz justa e duradoura”.
No Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump disse na quarta-feira (21/01) a repórteres que Putin havia aceitado o convite. “Ele foi convidado, aceitou. Muitas pessoas aceitaram”, afirmou.
Putin respondeu rapidamente, dizendo que o convite estava sendo avaliado, segundo a agência de notícias Reuters. Ele afirmou que a Rússia estava preparada para fornecer US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,1 bilhões) a partir de ativos russos congelados e que via o conselho como relevante, sobretudo para o Oriente Médio.
Não está claro quantos países foram convidados a integrar o novo órgão criado por Trump — Canadá e Reino Unido estão entre eles, mas ainda não se pronunciaram publicamente. Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Argentina, Albânia, Armênia, Azerbaijão, Belarus, Hungria, Cazaquistão, Marrocos e Vietnã já aderiram.
Uzbequistão, Paquistão, Indonésia, Kosovo e Paraguai também teriam aceitado o convite, segundo a Reuters.
Ainda não há informações se Lula aceitará participar da entidade representando o Brasil. Trump disse a jornalistas que o presidente brasileiro teria um “grande papel” na entidade. “Eu gosto dele”, elogiou Trump em entrevista a jornalistas na Casa Branca.
Na quarta-feira (21/01), o Vaticano também confirmou que o papa Leão 14 recebeu um convite. Falando a repórteres, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, disse que o pontífice precisaria de tempo para decidir se participará.
Já o primeiro-ministro da Eslovênia, Robert Golob, afirmou que recusou o convite por considerar que o órgão “interfere perigosamente na ordem internacional mais ampla”.

Um documento vazado afirma que o estatuto do Conselho da Paz entrará em vigor assim que três Estados concordarem formalmente em se vincular a ele, com mandatos renováveis de três anos para os países-membros e assentos permanentes disponíveis para aqueles que contribuírem com US$ 1 bilhão (£ 740 milhões).
O estatuto define o órgão como uma organização internacional com mandato para exercer funções de construção da paz sob o direito internacional, com Trump atuando como presidente e, separadamente, como representante dos EUA, além de deter autoridade para nomear membros do conselho executivo e criar ou dissolver órgãos subsidiários.
Na sexta-feira passada (16/01), a Casa Branca nomeou sete integrantes do Conselho Executivo fundador, entre eles o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado para o Oriente Médio, Steve Witkoff, o genro de Trump, Jared Kushner, e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair.
Nickolay Mladenov, político búlgaro e ex-enviado da ONU para o Oriente Médio, foi nomeado representante do Conselho de Paz em Gaza na segunda fase do plano, que inclui reconstrução e desmilitarização, com o órgão autorizado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU em vigor até o fim de 2027.
No sábado (17/01), o gabinete de Netanyahu afirmou que a composição do Conselho Executivo para Gaza “não foi coordenada com Israel e contraria sua política”.
A imprensa israelense disse que a decisão de incluir representantes da Turquia e do Catar — países que, junto com o Egito e os Estados Unidos, ajudaram a mediar o cessar-fogo que entrou em vigor em outubro — ocorreu “à revelia de Israel”.

Na primeira fase do plano de cessar-fogo, Hamas e Israel concordaram com a trégua, a troca de reféns israelenses vivos e mortos em Gaza por prisioneiros palestinos mantidos em prisões israelenses, uma retirada parcial das forças israelenses e o aumento significativo da entrada de ajuda humanitária.
Israel afirmou que só poderá avançar para a segunda fase depois que o Hamas entregar o corpo do último refém morto.
A segunda fase enfrenta grandes obstáculos: o Hamas já declarou que não abrirá mão de suas armas sem a criação de um Estado palestino independente, enquanto Israel não se comprometeu a se retirar totalmente de Gaza.

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O cessar-fogo também é frágil. Mais de 460 palestinos foram mortos em ataques israelenses desde que ele entrou em vigor, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, enquanto o Exército de Israel afirma que três de seus soldados foram mortos em ataques palestinos no mesmo período.
A guerra foi desencadeada pelo ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, no qual cerca de 1.200 pessoas morreram e outras 251 foram feitas reféns.
Israel respondeu ao ataque lançando uma campanha militar em Gaza, durante a qual mais de 71.550 pessoas foram mortas, de acordo com o Ministério da Saúde do território.