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segunda-feira, janeiro 19, 2026

Entenda os Protestos na Roblox e o Debate sobre Segurança Digital

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Getty Images

A Roblox é uma plataforma de jogos, que possui mais de 150 milhões de usuários diariamente

Acessibilidade








Em janeiro de 2026, a Roblox implantou a verificação de idade por biometria facial ou documento para liberar o uso do chat. A medida, criada para proteger crianças contra assédio e grooming, desencadeou protestos dentro da própria plataforma.

Crianças e pré-adolescentes organizaram manifestações virtuais, questionando a restrição e trazendo à tona discussões sobre liberdade de expressão, segurança digital e autonomia online.

A reação da Geração Alpha

Para Thais Pianucci, diretora da Start by Alura, os protestos revelam que os ambientes virtuais já funcionam como espaços de convivência e construção de identidade. “Quando jovens protestam contra medidas de segurança, eles sinalizam que percebem esses espaços como praças públicas. Sem letramento digital, podem enxergar a proteção como barreira à autonomia”, afirma.

Embora a biometria seja uma camada relevante, não é infalível. Pianucci lembra que recursos técnicos podem ser burlados e que a verdadeira proteção nasce da educação. “O que realmente protege contra o assédio é o desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade de identificar comportamentos de risco, algo que só o letramento digital estruturado proporciona”, explica.

O equilíbrio, segundo a especialista, está em transformar jovens de consumidores passivos em criadores ativos. “O sentimento de censura diminui quando o jovem entende os fundamentos do mundo digital e percebe que as regras de segurança são garantias para que ele possa criar e inovar com liberdade e ética”, diz. Ela compara o desafio ao mundo físico: liberar com monitoramento, conhecer os amigos virtuais e manter proximidade.

Letramento digital como nova fronteira

Os protestos reforçam a urgência do letramento digital no Brasil. Pianucci alerta que a falta de habilidades tecnológicas cria um “novo analfabetismo” que perpetua desigualdades. “Casos de tensão em plataformas de jogos mostram que não basta saber usar o celular; é urgente que as crianças brasileiras desenvolvam capital digital”, afirma.

A Start by Alura defende que famílias e escolas dividam responsabilidades. A escola deve implementar a BNCC de Computação e oferecer base técnica e ética, enquanto as famílias precisam acompanhar e monitorar. Além disso, plataformas de jogos e redes sociais devem assumir papel ativo. “Elas precisam deixar de ser apenas vigilantes e se tornarem aliadas do processo educativo, adotando transparência e criando interfaces que incentivem a alfabetização midiática”, destaca Pianucci.

O olhar da cibersegurança

Especialistas em segurança digital também reforçam a importância das restrições. Daniel Barbosa, pesquisador da ESET Brasil, lembra que chats abertos sempre figuraram entre os principais pontos de vulnerabilidade. “Mesmo com o acompanhamento dos pais, muitos menores continuam expostos a ameaças que nem sempre são perceptíveis. Nesse cenário, regras mais restritivas atuam como camada adicional de proteção”, afirma.

Barbosa alerta ainda para os riscos dos executors — programas externos que prometem vantagens dentro do jogo, mas funcionam como porta de entrada para malware e roubo de informações. “Crianças e adolescentes acabam se tornando alvos preferenciais, pois nem sempre conseguem reconhecer os perigos envolvidos”, explica.

Esse debate não é novo. Em dezembro de 2025, reportagem da Forbes Tech já havia analisado a aposta da Roblox na biometria facial, levantando a questão: avanço ou risco? e apontando que, embora a biometria pudesse ser vista como inovação em segurança, também trazia preocupações sobre privacidade, exclusão digital e dependência tecnológica. A matéria destacava que a tecnologia, isoladamente, não seria suficiente sem educação digital e supervisão familiar.

Leia mais em: Roblox Aposta na Biometria Facial para Proteger Crianças: Avanço ou Risco?

Agora, com os protestos virtuais e a reação de especialistas em educação e cibersegurança, a previsão se confirma: a biometria é apenas parte da equação. O verdadeiro desafio está em combinar tecnologia, políticas públicas e letramento digital para garantir que a proteção não se transforme em barreira à autonomia dos jovens.

Os protestos na Roblox deixam uma lição clara: faixa etária não garante comportamento e o público jovem exige ser ouvido. “Medidas de segurança que ignoram a necessidade de experimentação social e autonomia tendem a falhar ou gerar resistência”, conclui Pianucci. Já para Barbosa, o endurecimento das regras reforça uma tendência necessária: equilibrar entretenimento, interação social e proteção.



[Fonte Original]

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