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O Ibovespa fechou em alta firme nesta segunda-feira (5), impulsionado pelos ganhos em ações do setor financeiro e em linha com o clima de maior apetite ao risco no exterior. Ao mesmo tempo, investidores monitoram os desdobramentos do ataque dos Estados Unidos que capturou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
O indicador brasileiro subiu 0,83%, a 161.869,76 pontos, após marcar 160.214,70 na mínima e 162.165,72 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão desta segunda-feira somou R$ 22,47 bilhões.
Já a moeda norte-americana à vista fechou o dia em baixa de 0,35%, aos R$ 5,4051.
O pregão
A bolsa brasileira reverteu a tendência negativa vista pela manhã com o desempenho positivo dos bancos se destacando em relação aos demais papéis.
“Os bancos puxaram fortemente a bolsa”, destacou Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing.
A cautela vista pela manhã, por sua vez, se deu enquanto os investidores avaliaram os desdobramentos geopolíticos após o ataque dos EUA à Venezuela no sábado e captura de Maduro, que foi levado a Nova York para julgamento.
Após a operação, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que poderia ordenar outro ataque caso o país não coopere com a tentativa de Washington de abrir sua indústria petrolífera e interromper o tráfico de drogas. Ele também ameaçou ação militar na Colômbia e no México.
O ataque trouxe preocupações aos investidores já que a Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo. Isso se refletiu no desempenho das ações de petrolíferas, que figuraram entre as principais quedas do Ibovespa ao longo da sessão, em meio aos temores de impactos no preço da commodity.
Em relatório sobre os acontecimentos na Venezuela, economistas do UBS afirmaram que veem “implicações imediatas limitadas para os ativos locais nos principais mercados da região”. Os analistas, porém, ponderaram que a situação “pode levar os investidores a reavaliar certos cenários de risco que haviam desaparecido de vista e a examinar mais de perto as vulnerabilidades específicas de cada país”, principalmente no México e na Colômbia.
Já o Brasil, na avaliação do banco, está numa posição mais favorável que os vizinhos latino-americanos.
“Para o resto da região, as implicações parecem mais limitadas por enquanto. O Brasil é uma grande economia, tendo a China como seu principal parceiro comercial e cuja relação com os EUA melhorou nos últimos meses”, disse o UBS.
Após atingir o valor máximo da sessão pela manhã, na esteira do ataque dos Estados Unidos à Venezuela no fim de semana, o dólar perdeu força ante o real e fechou a segunda-feira em baixa, refletindo maior acomodação das cotações apesar do cenário geopolítico conturbado no exterior.
Dólar
Às 17h17, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,23% na B3, aos R$5,4430.
Na madrugada de sábado, forças norte-americanas atacaram a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro, que foi levado aos EUA para julgamento. A ação, que teve larga repercussão internacional, lançou dúvidas sobre a dinâmica global de produção e venda de petróleo, já que o país sul-americano possui a maior reserva comprovada de óleo do mundo.
Além disso, o ataque acendeu o alerta na América Latina como um todo, em meio às ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de ações contra outros países, como a Colômbia e o México.
No campo político, o ataque norte-americano foi interpretado como um possível fator de fortalecimento da direita na América do Sul, em um ano em que haverá eleições no Peru, na Colômbia e no Brasil.
Neste cenário, o dólar à vista atingiu a cotação máxima de R$5,4545 (+0,57%) às 10h33, em um momento em que a moeda norte-americana também sustentava ganhos ante outras divisas pares do real no exterior.
Ao longo da sessão, porém, o dólar perdeu força ante o real e migrou para o território negativo. “Hoje de manhã teve (movimento de) proteção, mas agora (à tarde) o dólar inverteu e já está no negativo”, pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
Às 14h58, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,3957 (-0,52%).
A queda do dólar ocorreu em paralelo ao fortalecimento do Ibovespa e à perda de força das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), em uma sessão que acabou sendo positiva para os ativos brasileiros. No exterior, o dia foi de alta firme para os índices de ações e para o petróleo.
“O mercado de câmbio iniciou o dia sob cautela, pressionado pelo risco geopolítico decorrente da prisão de Nicolás Maduro, o que levou à alta do dólar pela manhã”, afirmou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
“No entanto, a tendência se reverteu ao longo da sessão, impulsionada pelo bom humor das bolsas globais e pela valorização das commodities, com destaque para o petróleo.”
No mercado, uma das percepções era de que a mudança de governo na Venezuela pode impulsionar a produção de petróleo no país latino, o que no longo prazo teria como resultado uma pressão de baixa sobre os preços globais da commodity, com impactos sobre a inflação.
Porém, os efeitos do ataque norte-americano sobre os ativos nesta segunda-feira acabaram diluídos.
“Os impactos no mercado brasileiro (foram) muito pequenos. Lá fora também. No curto prazo, o impacto é mínimo, tanto no Brasil quanto no mundo”, opinou Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos.
Às 17h12, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — cedia 0,31%, aos 98,255.
No fim da manhã o Banco Central do Brasil vendeu 50 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.