No programa Última Análise desta terça-feira (06), os convidados analisaram como a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos, pode impactar diretamente as eleições presidenciais brasileiras de 2026. Lula é aliado do venezuelano e isso pode se tornar um fardo eleitoral para a pretensão da reeleição do petista. A opinião pública também deverá cobrar uma posição oficial. Lula vai se manter fiel aos velhos amigos ou vai abraçar os novos ventos da geopolítica mundial?
“Lula recebeu Maduro, no Palácio do Planalto, com tapete vermelho. Chegou até a defender o ditador na imprensa, dizendo que a Venezuela tinha mais eleições do que o Brasil e que era, sim, uma democracia”, relembrou o vereador Guilherme Kilter. Para o comentarista, este antigo posicionamento do petista deverá prejudicá-lo mais para frente.
Por outro lado, nas últimas eleições, a escancarada relação entre os dois líderes de esquerda foi negada, sobretudo pelo TSE. O órgão chegou a proibir propagandas eleitorais que associavam o então candidato Lula a Maduro. Na época, o tribunal classificou essa associação como “desinformação”, mesmo havendo registros históricos de apoio ideológico e afinidade entre ambos.
A advogada Fabiana Barroso não crê em grandes mudanças por parte da Justiça Eleitoral. “Mesmo com mudança de presidência do TSE, acho que não mudou absolutamente nada. Por isso que é importante que a imprensa documente esta amizade, porque tanto Maduro quanto Lula não são acidentes. Eles são o retrato da esquerda no continente”, avalia.
Já Kilter é mais otimista e enxerga que o ministro Alexandre de Moraes está mais acuado. Para ele, “tem toda a história do Banco Master e até uma CPMI para investigar o caso. Moraes é o epicentro disso, junto com sua esposa. E, diferente de 2022, Gilmar Mendes, o ministro mais influente, vai se aposentar. Moraes pode ficar sem aliados”.
A transição no pós-Maduro
Donald Trump optou por não empossar imediatamente a oposição na Venezuela, preferindo uma transição que envolva a estrutura militar do país, para evitar um conflito entre facções paramilitares. Horas após a operação americana, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, confirmou que as Forças Armadas reconheceram Delcy Rodríguez, então vice de Maduro, como nova chefe do Executivo interino.
“A Venezuela é uma espécie de colcha de retalhos de pequenos grupos militares, paramilitares, que estão muitas vezes em tensão entre si, em um ambiente de absoluta miséria, unidos por um único fio: a estrutura militar do governo”, avalia o professor da FGV Daniel Vargas.
Ainda, segundo o jornal americano The Wall Street Journal, Trump seguiu recomendações da agência de inteligência norte-americana, a CIA, ao não destituir todo o regime imediatamente. O órgão concluiu que líderes da oposição teriam dificuldade em se manter no poder.
“Tudo pode acontecer. A Venezuela está por um fio e não existe ordem, mas existe uma força de poder, principalmente militar, que também pode se se romper porque há grupos paramilitares atuantes”, alerta Barroso.
O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a sexta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.