A prata e o ouro lideraram a rentabilidade dos investimentos em 2025. Considerando-se os preços em Nova York, a prata subiu 201% em 12 meses até a quinta-feira (15), para US$ 92,34 por onça (28,3r gramas). O ouro subiu bem menos, mas avançou 71,3% nesse período, para US$ 4.614 por onça, recorde de preços.
Para analistas, a alta vai além da especulação. Há fatores estruturais por trás da valorização dos metais: um ambiente de tensão geopolítica e de desconfiança em relação ao sistema financeiro. “As pessoas investem em ouro há milênios”, diz Danilo Moreno, analista da gestora de recursos Investo. “É uma maneira clássica de os investidores preservarem valor em momentos de incerteza.” Os preços vêm subindo exatamente por isso: o momento atual é de incerteza.
A invasão russa à Ucrânia, que vai completar quatro anos em fevereiro, o conflito no Oriente Médio e a recente intervenção americana na Venezuela elevaram o risco e a percepção de risco. “Quando o investidor desconfia de todo o resto, ele corre para o ouro”, diz Moreno.
Há mais problemas. O presidente americano, Donald Trump, está pressionando Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (FED), o banco central americano, para reduzir os juros nos Estados Unidos. A pressão inclui um processo do equivalente americano da procuradoria-geral da República contra Powell, por ter alegadamente mentido em um depoimento no Congresso em julho sobre os gastos com a reforma do prédio do FED em Washington.
Fuga do dólar
A ameaça institucional reduziu a confiança dos investidores no dólar. Segundo Gustavo Trotta, sócio da Valor Corretora, em cenários normais os investidores procuram proteção nos títulos do Tesouro americano. “Mas os Estados Unidos passaram a ser o epicentro de várias tensões. Isso muda a dinâmica”, diz ele. Para Trotta, os investidores vêm buscando alternativas. E o ouro é uma delas.
Esse raciocínio não vale apenas para pessoas físicas. “Os bancos centrais de países desenvolvidos e emergentes, Brasil incluído, passaram a comprar mais ouro”, diz Moreno. Mais uma vez, uma consequência da incerteza internacional. Após invadir a Ucrânia, a Rússia sofreu sanções que impediram o acesso de seus bancos ao sistema financeiro internacional.
A política externa agressiva de Trump elevou o risco de que essas sanções sejam estendidas para outros países. “Eles perceberam que poderiam ser cortados do sistema financeiro e buscaram proteção comprando ouro”, diz Moreno.
A alta continua?
Apesar de o ouro ser um ativo financeiro muito volátil, os analistas avaliam que as condições que levaram ao recorde de preços permanecem valendo. Isso, por si só, não garante novas altas. “Mesmo assim, muitas casas internacionais estão prevendo novas altas”, diz Trotta.
A gestora de recursos americana Van Eyck, que contra a Investo, avalia que a onça do ouro pode chegar a US$ 5 mil ao longo deste ano, o que indica uma valorização de 8,3% em relação ao recorde de preços.
Um raciocínio semelhante vale para a prata. Ela não é tão escassa quanto o ouro e não há demanda de Bancos Centrais, por isso a oscilação de seus preços depende mais da oferta e da demanda da indústria. Mesmo assim, mais e mais investidores estão comprando prata devido ao ambiente de incerteza geopolítica. Outra razão para a alta é a demanda industrial crescente, que deve demorar para ser atendida.
Como investir?
Tanto Moreno quanto Trotta afirmam que o ouro é um ativo volátil e arriscado. Ou seja, seus preços oscilam muito sem aviso prévio, e podem cair tanto e tão depressa quanto subiram. “O ouro não oferece uma renda, como a ação de uma empresa ou um título de renda fixa”, diz Trotta. “A única maneira de ganhar dinheiro é vendendo o metal para outro investidor por um preço maior do que o da compra.” O mesmo raciocínio vale para a prata.
Moreno afirma que o investidor não deve tentar ganhar com a compra e venda no curtíssimo prazo, o chamado “day-trade”. “O ouro é uma proteção para o patrimônio no longo prazo”, diz ele. A grande vantagem do ouro como investimento é que ele se comporta de maneira muito diferente das ações e da renda fixa. Ou seja, quando as bolsas caem, é grande a probabilidade de o ouro subir de preço, o que impede grandes perdas patrimoniais para o investidor.
Como investir? Há anos, havia negociações do metal na bolsa, mas esse mercado deixou de existir. O caminho mais prático para o investidor é investir no ouro e na prata por meio de instrumentos financeiros.
Há duas alternativas disponíveis na B3. Uma delas são os Exchange Traded Funds (ETF), que são cotas de fundos negociadas no pregão como se fossem ações. Dois deles buscam acompanhar os preços do ouro no mercado à vista em Nova York (veja a relação abaixo). São comprados e vendidos em reais, mas ambos têm muita aderência com as variações do dólar.
Outra alternativa são títulos brasileiros que reproduzem ETFs de ouro e de prata negociados no mercado internacional. Esses ativos, chamados Brazilian Depositary Receipts (BDR), reproduzem ações ou ETFs estrangeiros, mas são títulos brasileiros negociados em reais. Eles também são a única maneira de o investidor brasileiro operar com a prata. Para comprar e vender, basta abrir uma conta em uma plataforma de distribuição de produtos financeiros e operar no pregão da B3, da mesma maneira que se opera com ações.
O que comprar?
Ativos para investir em ouro (em ordem alfabética)
1) Investo ETF Solactive Gold Spot Index
Tipo: ETF
Objetivo: seguir o ETF OUNZ negociado na Bolsa de Nova York
Código de negociação: GLDX11
Taxa de administração nominal: 0,30% ao ano
Preço: R$ 116,50 (15/01/2026)
Variação 12 meses: + 33,3%
2) iShares Gold Trust
Tipo: BDR de ETF
Objetivo: seguir os preços do ouro físico no mercado à vista
Código de negociação: BIAU39
Taxa de administração nominal: 0,25% ao ano
Preço: R$ 116,50 (15/01/2026)
Variação 12 meses: + 52,8%
3) Trend ETF LBMA Ouro
Tipo: ETF
Objetivo: seguir o índice inglês LBMA Gold Price, que acompanha o preço do ouro em dólares
Código de negociação: GOLD11
Taxa de administração nominal: 0,30% ao ano
Preço: R$ 25,79 (15/01/2026)
Variação 12 meses: + 51,7%
Ativos para investir em prata (em ordem alfabética)
1) abrdn Physical Silver Shares
Tipo: BDR de ETF
Objetivo: seguir o índice inglês LBMA Silver Price, que acompanha o preço da prata em dólares
Código de negociação: SIVR39
Taxa de administração nominal: 0,30% ao ano
Preço: R$ 156,80 (15/01/2026)
Variação 12 meses: + 167,5%
2) Global X Silver Miners ETF
Tipo: BDR de ETF
Objetivo: investir em ações de mineradoras de prata do índice Solactive Global Silver Miners Total Return
Código de negociação: BSIL39
Taxa de administração nominal: 0,65% ao ano
Preço: R$ 51,83 (15/01/2026)
Variação 12 meses: + 157,7%
3) iShares Silver Trust
Tipo: BDR de ETF
Objetivo: seguir o índice inglês LBMA Silver Price, que acompanha o preço da prata em dólares
Código de negociação: BSLV39
Taxa de administração nominal: 0,50% ao ano
Preço: R$ 150,20 (15/01/2026)
Variação 12 meses: + 169,4%