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A família Santo Domingo, maior grupo patrimonial da Colômbia, avalia a entrada no futebol brasileiro por meio da aquisição do Santos FC no modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), em um movimento que amplia a presença do conglomerado na América Latina e conecta o capital internacional a um dos clubes mais tradicionais do país, com histórico de formação de atletas, base patrimonial relevante e necessidade de reorganização financeira.
Mas quem é esta família? A matriarca, Beatriz Dávila de Santo Domingo, segue como a mulher mais rica da Colômbia. E o império da família segue em expansão. Segundo a Lista Global de Bilionários da Forbes, em 2025, três alcançam a categoria de bilionários. Beatriz Dávila de Santo Domingo, de 86 anos, possui uma fortuna de US$ 4,4 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões). Alejandro Santo Domingo, de 48 anos, tem US$ 3,3 bilhões (aproximadamente R$ 16,5 bilhões). Andres Santo Domingo, de 46 anos, totaliza US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões).
No ranking global também aparece Vera Rechulski Santo Domingo, de 76 anos, uma das mulheres mais ricas da América Latina, viúva do primeiro filho de Julio Mario Santo Domingo, com uma fortuna de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 6,5 bilhões).
Beatriz Dávila, a matriarca, é a mulher mais rica da Colômbia e ocupa a quarta posição entre os maiores patrimônios do país. Ela administra um terço do holding Santo Domingo e detém participações na gigante Anheuser-Busch InBev, que representa não apenas a maior parte de sua fortuna, mas também da riqueza de toda a família.
Seu filho, Alejandro Santo Domingo, lidera os negócios familiares. O empresário assumiu o comando do holding em 2011, após a morte de seu pai. Ele é o presidente do conselho de administração do Grupo Valorem, criado a partir da separação dos negócios entre Bavaria e Valores Bavaria em 1997.
Embora ainda mantenham 1,2% de participação na Anheuser-Busch InBev, controladora da Bavaria, a Valorem se consolidou como o principal veículo de investimento da família na Colômbia. Essa estrutura permitiu a diversificação do portfólio em setores como varejo, transporte, indústria, mídia e, mais recentemente, energias renováveis.
Histórico de riqueza
O mais recente investimento na Colômbia, por meio da Valorem, ocorreu em 2024, da ordem de US$ 19,5 milhões (R$ 97,5 milhões, por meio da Refocosta, empresa dedicada a serviços de transformação e comercialização de madeira. O aporte foi direcionado à construção de uma nova planta de madeira compensada no departamento de Bolívar, que passou a ser a unidade com maior capacidade produtiva do país.
Esse movimento integra o plano do grupo empresarial de disputar um mercado que era abastecido majoritariamente por importações provenientes do Chile, Uruguai, Brasil, Equador e China. Com essa iniciativa, a família Santo Domingo pode passar a atender cerca de 70% da demanda daquele país.
Outro negócio fortalecido do grupo é a rede de supermercados de hard discount D1. Em 2024, a varejista registrou vendas de cerca de R$ 24,3 bilhões, crescimento de 11,57% em relação a 2023, quando o faturamento foi de R$ 21,7 bilhões.
Com esse desempenho, a empresa se posicionou como o maior varejista do país, à frente do Grupo Éxito, que reportou vendas de 16,25 trilhões de pesos colombianos (aproximadamente R$ 20,3 bilhões), e das Tiendas Ara, com 13,72 trilhões de pesos (cerca de R$ 17,2 bilhões). A D1 ultrapassou 2.400 lojas em 520 municípios e avança em seu plano de expansão com 20 centros logísticos e cerca de 19.500 colaboradores distribuídos em 28 departamentos.
A família também detém mais de 80% da empresa de transporte Ditransa, além de participações na Cine Colombia, Caracol Televisión, Blu Radio, El Espectador, Gases del Caribe e San Francisco Investments. No último ano, passou a investir de forma mais intensa no setor de energias renováveis.
Após firmar uma aliança estratégica com sua parceira francesa EDF Colombia, uma das subsidiárias da Valorem, a Refocosta anunciou a construção de uma nova planta de geração de energia a partir de biomassa, localizada no município de Villanueva, em Casanare. A unidade terá capacidade instalada de 28 MW e contará com investimento de aproximadamente US$ 50 milhões (cerca de R$ 250 milhões).
Em 2023, a família vendeu 166,7 milhões de euros em ações da empresa controladora da Peet’s Coffee (aproximadamente R$ 900 milhões), reduzindo sua participação para menos da metade, conforme registros. Também alienou parte de uma participação avaliada em cerca de US$ 1 bilhão na Keurig Dr Pepper Inc. (aproximadamente R$ 5 bilhões) e ampliou o investimento na Flying Embers, fabricante de coquetéis enlatados.
Atualmente, o conglomerado consolidou ativos na Colômbia que totalizam 5,4 trilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 6,75 bilhões). “Cada uma das empresas do nosso portfólio segue dedicada à liderança em seus segmentos, concretizando nossa aposta no desenvolvimento sustentável da Colômbia”, afirmou à Forbes Felipe Arrubla, executivo próximo à família Santo Domingo e integrante do grupo há mais de 20 anos.
Uma fortuna familiar
Andrés, o filho mais novo de Julio Mario, manteve distância dos negócios familiares e se dedica à música, à arte e à filantropia no círculo social de Nova York, onde reside.
No ranking global de bilionários da Forbes, ocupa a posição 1.858, com uma fortuna de US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões), sendo o terceiro membro mais rico da família, atrás de sua mãe e de seu irmão mais velho.
Vera Rechulski Santo Domingo também possui participação no holding familiar. Seus dois filhos, Tatiana Casiraghi e Julio Mario Santo Domingo III, detêm participações menores, estimadas em cerca de 5% cada.
Entre os negócios do grupo está a participação no Château Pétrus, vinícola francesa responsável por alguns dos vinhos mais caros do mundo. As participações públicas da família incluem ações da Keurig Dr Pepper, Kraft Heinz e da JDE Peet’s, controladora da Peet’s Coffee.
*Reportagem originalmente publicada em 11 de abril de 2025, na Forbes. Valores foram atualizados, segundo o mais recente ranking dos bilionários