18.5 C
Brasília
segunda-feira, janeiro 5, 2026

Quem é Delcy Rodríguez, a nova presidente da Venezuela

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

Para Donald Trump, ela pode ser “aceitável” na transição.  Para vários chavistas, a continuidade do legado. O fato é que a nova presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, não é unanimidade. Mas segundo o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, estaria disposta a cooperar na transição de poder.

Até então vice-presidente executiva do ditador Nicolás Maduro, deposto na madrugada de sábado por forças dos Estados Unidos, ela assumiu o vácuo chavista por ordem da Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela. A posição foi, inclusive, reconhecida pelo Itamaraty.

Mas quem é a mulher que agora se torna a primeira presidente mulher do país? Longe de ser uma figura moderada, Rodríguez tem uma biografia colada no bolivarianismo e no marxismo, marcada pelo radicalismo de esquerda, diplomacia combativa e uma lista extensa de sanções internacionais.

Uma Gleisi venezuelana?

Apesar dos relatos de Washington sobre uma suposta cooperação nos bastidores, a postura pública de Delcy Rodríguez nas primeiras horas após a operação da Delta Force foi de embate. Típico de alguém fiel ao regime, como Gleisi Hoffman faz na “linha de frente” petista quando precisa de alguém para fazer barraco.

Em pronunciamento transmitido obrigatoriamente por rádio e TV, ela classificou a ação americana não como uma libertação, mas como um crime. Disse que a Venezuela “nunca será colônia”. Que o único presidente é Nicolás Maduro e que sua captura foi um “sequestro”. Para ela, o ato foi uma agressão militar e um ataque à soberania.  

“Exigimos a imediata liberação do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, único presidente da Venezuela”, declarou, tentando manter a coesão interna das bases chavistas e das Forças Armadas.

VEJA TAMBÉM:

O discurso feito em Caracas foi realizado ao lado do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da vice-presidente, e dos ministros do Interior, Diosdado Cabello, das Relações Exteriores, Yván Gil Pinto, e da Defesa, Vladimir Padrino López.

Essa retórica não surpreende quem acompanha sua trajetória. Como chanceler (2014-2017), ela foi a voz do regime na Organização dos Estados Americanos (OEA) e no Mercosul, defendendo a “Revolução Bolivariana” do que os chavistas chamam de “ataques imperiais”, enquanto o país mergulhava na miséria e na repressão política.

O DNA radical da presidente interina Delcy Rodriguez

A lealdade de Delcy ao projeto socialista é de família. Nascida em 1969, ela é filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista, um grupo marxista da Venezuela. Seu pai morreu na prisão em 1976, acusado de sequestro de um empresário norte-americano. O fato teria moldado o ressentimento antiamericano da família.

Ao lado de seu irmão, Jorge Rodríguez (atual presidente da Assembleia Nacional), Delcy forma uma espécie de dinastia, acumulando poder e influência sobre o aparato de inteligência e o judiciário.

Apesar da graduação no país venezuelano, se especializou em Direito do Trabalho na Universidade de Paris e fez mestrado em Ciências Políticas e Estudos Sociais na Universidade Birkbeck College, em Londres. Ou seja, desfrutando da vida no capitalismo europeu que o regime tanto critica.

Ela acumulou também outros cargos dentro do regime chavista.

“Persona non grata”

O “aceite” mencionado por Trump contrasta com a reputação de Rodríguez no cenário global. Ela é alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos, União Europeia, Canadá, Suíça e países vizinhos como a Colômbia. As justificativas para tais medidas:

  • Corrupção e Lavagem de Dinheiro: Acusações de desvio de fundos públicos.
  • Violação de Direitos Humanos: Papel ativo na repressão de protestos e na manutenção da estrutura autoritária.
  • Subversão da Democracia: Foi peça-chave na criação da Assembleia Nacional Constituinte de 2017, manobra usada para anular o parlamento eleito pela oposição.

Agora, a ascensão de Delcy Rodríguez ao poder interino coloca a Venezuela e os Estados Unidos em um paradoxo. Enquanto Trump afirma que ela disse a Marco Rubio “faremos o que vocês precisarem”, seu histórico sugere uma ideologia disposta a tudo para preservar o legado de Chávez e Maduro.

Por ora, a Venezuela está sob o comando de uma mulher que aprendeu a fazer política na linha de frente do marxismo e que encara os Estados Unidos como o inimigo histórico de sua família. Resta saber se o pragmatismo da sobrevivência falará mais alto que a ideologia.

VEJA TAMBÉM:

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img