O secretário de Estado americano, Marco Rubio, foi questionado neste domingo (4) sobre a declaração do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos governariam a Venezuela após a queda do ditador Nicolás Maduro. Em vez de detalhar como se daria essa administração, explicou que o governo americano vai manter sanções sobre a exportação de petróleo venezuelano “até que vejamos mudanças que não apenas atendam aos interesses nacionais dos Estados Unidos, que são a prioridade, mas também levem a um futuro melhor para o povo da Venezuela”.
“Continuamos com essa quarentena e esperamos ver mudanças, não apenas na forma como a indústria petrolífera é gerida para o benefício do povo, mas também para que se combata o tráfico de drogas, para que não tenhamos mais esses problemas com gangues, para que expulsem as FARC e o ELN e para que não haja mais conluio entre eles e o Hezbollah e o Irã em nosso próprio hemisfério”, completou Rubio.
A declaração foi veiculada em entrevista ao programa Face the Nation, do canal de televisão CBS. A entrevistadora, Margaret Brennan, então, rebateu o secretário, dizendo que ele estaria descrevendo mais uma pressão sobre o regime venezuelano por meio de sanções, e não por tropas terrestres, como inicialmente aventado, após a declaração de Trump. “Então, só para deixar claro, não há nenhum plano para a ocupação americana deste país de quase 30 milhões de habitantes?”, indagou.
“Bem, em primeiro lugar, acho que o presidente sempre mantém a possibilidade de escolha em relação a tudo e a todos esses assuntos”, respondeu Rubio, sinalizando que um governo direto pelos EUA estaria, neste momento, fora dos planos.
Neste sábado (3), após a captura de Maduro, Trump disse que os EUA governariam a Venezuela e levaria as empresas americanas ao país para explorar o petróleo. A Casa Branca, no entanto, declarou que a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, assumiria a Presidência.
“Ele [Trump] não acha que vai descartar publicamente as opções disponíveis para os Estados Unidos, embora não seja isso que estejamos vendo agora. O que vocês estão vendo agora é uma quarentena do petróleo que nos permite exercer uma enorme influência sobre o que acontecerá a seguir”, afirmou Rubio.
A entrevistadora, Margaret Brennan, concluiu, com base na resposta, que o regime de Maduro, assim, continuaria em vigor, especialmente pelo fato de auxiliares diretos do ditador, como os ministros do Interior e da Defesa não terem sido presos. “Eles ainda estão no poder”, afirmou.
“Você não vai entrar e prender todo mundo. Você vai entrar e prender… mas sim, não dá para entrar e prender cinco pessoas. Já estão reclamando dessa operação. Imagine o alvoroço que teríamos se tivéssemos que ficar lá quatro dias para prender mais quatro pessoas. Tínhamos a prioridade máxima. A pessoa número um da lista era o cara que alegava ser o presidente do país, o que não era, e ele foi preso junto com a esposa, que também foi indiciada. E essa foi uma operação bastante sofisticada e, francamente, complicada”, explicou Rubio.
Ele disse que os dois ministros citados “estão sendo julgados pelo sistema judiciário americano”, embora permaneçam na Venezuela. Depois, foi questionado pelo motivo pelo qual María Corina Machado e Edmundo González, que para os EUA venceram as eleições de 2024, não estão sendo reconhecidos agora como governantes legítimos.
“Não vou entrar em detalhes publicamente sobre nenhum desses assuntos, além de dizer que nossas expectativas permanecem as mesmas e que avaliaremos todos com quem interagirmos daqui para frente com base no cumprimento dessas condições. Queremos, é claro, ver a Venezuela se transformar em um lugar completamente diferente do que é hoje. Mas, obviamente, não esperamos que isso aconteça nas próximas 15 horas. O que esperamos é que a situação se aproxime. Acreditamos que isso seja do nosso interesse nacional e, francamente, do interesse do povo venezuelano”, tergiversou Rubio.
Em outra entrevista neste domingo (4), desta vez ao programa Meet the Press, da NBC, Rubio elogiou Corina, mas disse que a maioria da oposição a Maduro atualmente não está presente na Venezuela, “infelizmente”. “Temos questões de curto prazo que precisam ser resolvidas imediatamente. Desejamos ver um futuro brilhante para a Venezuela, uma transição para a democracia […] Mas o que estamos discutindo é o que acontecerá nas próximas duas ou três semanas e nos próximos dois a três meses, e como isso se relaciona com o interesse dos Estados Unidos. Então, esperamos ver mais conformidade e cooperação do que recebíamos anteriormente”, afirmou, acrescentando que com Maduro não era possível fazer acordos.