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Normalmente, o incômodo passa após algumas semanas. Mas episódios recorrentes podem debilitar as pessoas, fazendo da vida diária um duro esforço.
A espinha dorsal humana está conectada à caixa torácica e aos ossos dos quadris, além de uma série de tendões, ligamentos, cartilagens, músculos e tecidos nervosos. Por isso, as dores nas costas podem surgir em virtude de qualquer problema em uma dessas regiões.
Aqui estão cinco indicadores que pessoas de todas as idades podem considerar úteis para evitar e tratar de dores nas costas.

Cervical ou lombar?
A quantidade de pessoas que sofrem de dores na região lombar deve aumentar em mais de um terço entre 2020 e 2050, segundo a última edição do estudo Global Burden of Disease (GBD, “Carga global das doenças”, em tradução livre), produzido pelos pesquisadores do Instituto de Medidas e Avaliação da Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.
Até 2050, mais de 10% da população mundial será afetada. Apenas os AVCs, doenças cardíacas e pulmonares, diabetes e condições que afligem os recém-nascidos causam mais prejuízo à saúde global do que as dores nas costas, segundo o GBD.
A região lombar costuma ser uma fonte mais frequente de dores, pois esta parte do corpo sustenta mais movimentos e absorve mais tensões. Mas também pode haver incômodos na parte superior das costas, normalmente no pescoço e nos ombros.

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Diagnóstico antes do tratamento
O princípio médico de obtenção de diagnóstico antes de iniciar o tratamento é particularmente pertinente para as dores nas costas, pois existem muitas causas possíveis para este tipo de dor. Mas isso também faz com que não haja um único exame para diagnosticar a condição.
Os médicos normalmente começam descartando condições potencialmente mortais, como doenças renais ou da vesícula biliar, além de alguns tipos de câncer. E o diagnóstico normalmente requer exame físico, além da verificação do histórico médico do paciente.
Exames de sangue conseguem detectar câncer ou inflamações, que podem prejudicar as cartilagens, causando artrite.
Exames de imagens, como raio X, tomografia computadorizada, ultrassom ou ressonância magnética, podem ser necessários para examinar as juntas, ossos, discos, órgãos ou tecidos moles.
A maioria das dores nas costas é persistente e marcada pela rigidez. Mas um ligamento ou músculo rompido pode causar dores agudas súbitas.
Já a dor que irradia para as nádegas e as pernas, causando formigamento ou adormecimento nessas regiões, pode ser sinal de uma condição dos nervos.
O eletrodiagnóstico (análise da atividade elétrica nos músculos) também pode diferenciar transtornos dos nervos e dos músculos.
Estas técnicas de diagnóstico se aplicam a adultos e crianças.
A cirurgiã Areena D’souza, especializada na espinha vertebral, trabalhou como pediatra na Índia e na Inglaterra.
Atualmente na Alemanha, a médica conta ao Serviço Mundial da BBC o que ela procura quando os pais trazem seus filhos para o consultório.
“As crianças pulam o tempo todo. Eu preciso descobrir:
- se elas se machucaram nessas atividades
- se existe alguma má formação oculta dos músculos ou do esqueleto
- se os pais também apresentam propensão a sofrer de dores nas costas
- se a sua alimentação é balanceada”
“E já soubemos de aumento das dores dos joelhos e das pernas, mas que ocasionalmente podem ocorrer nas costas”, destaca D’souza, “porque a espinha da criança, às vezes, cresce muito mais rápido que o restante dos ossos.”
Mente saudável, corpo saudável
A recuperação de alguns pacientes pode ser interrompida, simplesmente pelo medo de recorrência da dor nas costas, segundo especialistas.
“O receio de se machucar novamente afeta sua confiança para usar as costas, mesmo que não haja problemas na espinha ou musculares”, conta à BBC Adam Siu, diretor da clínica Down2U Health and Wellbeing, na Inglaterra.
“O medo faz com que eles fiquem muito menos ativos. Alguns chegam a suspender atividades de que eles gostam.”
O professor de fisioterapia Mark Hancock, da Universidade Macquarie, na Austrália, afirma que “alguns pacientes têm tanto medo de machucar as costas que se retiram da sua vida social”.
“Quando você reúne tudo isso — estresse social, preocupação com a dor, costas um pouco irritadas — de repente, você tem um enorme problema.”
Tudo isso levou a uma abordagem mais holística.
“Todas as orientações, em todo o mundo, falam agora da necessidade de abordar fatores físicos, psicológicos e sociais”, segundo Hancock.
“A TCF [terapia cognitivo-funcional] permite que os pacientes interajam com terapeutas, para aprender sobre os diversos fatores que contribuem para a dor.”
“Desta forma, pode ser elaborado um plano que inclua alternativas para que eles, gradualmente, voltem a fazer as atividades que adoram”, prossegue o professor. “E, se necessário, os terapeutas podem trabalhar com os pacientes para fazer mudanças de estilo de vida.”
Continue a se movimentar

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Além de recearem que a dor recorrente se agrave, alguns pacientes esperam que o descanso ajude na recuperação.
Mas a Associação Britânica de Cirurgiões da Espinha (BASS, na sigla em inglês) afirma que permanecer ativo é a chave para controlar a dor. E todas as pesquisas realizadas nos últimos 10 anos indicam que o descanso pode prolongar o tempo de recuperação.
“A coluna espinhal é composta de ossos individuais chamados vértebras. Ela é naturalmente curva em diferentes seções”, explica Siu. “Estas curvas permitem que a coluna sustente o peso e os movimentos do corpo.”
“As 24 vértebras superiores são flexíveis, com juntas que as conectam umas às outras, nas costas da coluna. Entre cada uma das vértebras, existe um disco intervertebral.”
“Para evitar o enfraquecimento dessa estrutura natural e a função de absorção de choques do disco, é fundamental não permanecer em uma mesma posição por um período prolongado, seja sentado, dobrando as costas ou de pé”, prossegue ele.
Mas a nossa vida moderna, muitas vezes, é sedentária e passamos muito tempo sentados trabalhando, jogando, lendo ou observando conteúdo online.
Os profissionais que trabalham em escritórios podem descansar das telas ou usar as escadas, para se manterem em movimento. Mas muitos empregos não oferecem esta possibilidade.
“Se você for motorista de caminhão, tente se esticar enquanto fica sentado no trânsito”, orienta Siu.
“Para trabalhadores da construção civil, que carregam muito peso, é preciso seguir as instruções para evitar lesões e consultar o fisioterapeuta sobre exercícios específicos.”

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A gravidez também pode causar dores nas costas, mesmo nos seus estágios iniciais.
O corpo começa a produzir o hormônio relaxina logo após a concepção. Ele afrouxa os ligamentos da pélvis e deixa o colo do útero mais macio, preparando-se para o parto.
Mas a relaxina também pode relaxar os tecidos e juntas de conexão na espinha, gerando desconforto na região lombar.
À medida que o feto cresce, as mulheres grávidas também sofrem mudanças significativas de postura, distribuição do peso e aumento do estresse. Aqui estão algumas dicas para reduzir as dores:
- Ao se virar, tente mover os pés para evitar torcer a coluna
- Use calçados que possam distribuir seu peso regularmente
- Travesseiros de apoio para grávidas e um bom colchão podem ajudar a conseguir repouso suficiente
Quando tomar analgésicos
“No estágio inicial, você pode tomar esses anti-inflamatórios comuns à venda nas farmácias, para ajudar a manter os movimentos”, segundo Siu.
“Mas, se você só tomar os remédios por algumas semanas ou mais, sem cuidar da causa das dores contínuas, você estará apenas mascarando o problema. Infelizmente, vejo clientes que usam medicação há anos.”
Há quem acredite que adormecer a dor pode até exacerbar o motivo que fez as costas começarem a doer. Mas a BASS afirma que “isso simplesmente não é verdade”.
“O corpo tem reflexos de proteção muito poderosos e simples anestésicos não os eliminam”, segundo a instituição.
“A analogia seria que você não pode colocar a mão na água fervente simplesmente tomando anestésicos simples. Da mesma forma, você não irá machucar as costas se movendo depois de tomar medidas simples de controle das dores.”
“Se você tiver qualquer preocupação sobre este tipo de medicamento, discuta a questão com um farmacêutico”, orienta a BASS.
Reportagem original do Serviço Mundial da BBC, Curadoria de Jornalismo Global e colaboração de Ganesh Pol, da BBC News Marathi (Índia).