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sexta-feira, janeiro 16, 2026

Trabalhar Mais no Brasil Não Basta: Falta Confiança e Produtividade

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Foto: divulgação

Luiz Felipe Fortuna, associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)

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Começar 2026 falando que o Brasil tem jeito pode soar repetitivo. Mas a verdade é que o país já prova, todos os dias, que consegue funcionar. O Brasil produz, empreende, exporta, inova e encontra soluções mesmo nos cenários mais difíceis. O problema é que essa capacidade aparece de forma desigual, como se o país funcionasse em partes. Há ilhas de eficiência cercadas por um ambiente em que tudo custa mais, demora mais e exige mais energia do que deveria.

E é aqui que entram dois pontos que travam qualquer projeto de crescimento consistente: confiança e produtividade.

Os dados deixam isso claro. Pesquisas internacionais mostram que o Brasil está entre os países com menor confiança interpessoal do mundo. No Our World in Data, o Brasil aparece com 6,5% dos entrevistados afirmando que “a maioria das pessoas é confiável”, enquanto em países como os nórdicos esse número passa de 60% (https://ourworldindata.org/trust). Quando a confiança é baixa, o custo invisível sobe. Há mais burocracia, mais controle, mais medo de errar, mais contratos complexos, mais tempo gasto protegendo-se do outro. No fim, menos colaboração e menos negócios realizados.

A produtividade é o outro gargalo. E aqui vale olhar para a comparação internacional também. Dados do Our World in Data, que reúne estatísticas globais de produtividade, mostram o Brasil bem distante da fronteira mundial quando o assunto é PIB por hora trabalhada, tendo um número de 20 $/h, enquanto países como Estados Unidos têm 83,5 $/h (https://ourworldindata.org/grapher/labor-productivity-per-hour-pennworldtable). Isso não significa falta de esforço individual. Significa que ainda se perde tempo demais com retrabalho, processos ruins, baixa padronização e pouca tecnologia aplicada ao dia a dia. E tem um fator que pesa muito nisso, a educação. Como a nossa base educacional é frágil, o país forma menos gente com domínio sólido de habilidades para fazer mais com menos.

O “jeito brasileiro” entra nessa equação como potência e risco. Temos uma capacidade admirável de improvisar com criatividade, de fazer acontecer mesmo quando o caminho não está pronto, de achar soluções em meio a tantos obstáculos colocados pelos governos. Em um mundo que valoriza adaptação, isso é um ativo. Só que improviso não pode ser cultura permanente. Quando o improviso se torna método, as empresas viram reféns da urgência, não conseguem padronizar, não escalam e acabam gastando mais do que deveriam para entregar o básico.

Por isso, em 2026, confiança e produtividade precisam ser tratadas como prioridades nacionais, não apenas como desafios das empresas. Países que produzem mais constroem ambientes com regras simples, segurança jurídica, estabilidade institucional, meritocracia e responsabilidade fiscal. Esses elementos reduzem incertezas, estimulam investimentos e permitem que a energia produtiva seja direcionada para crescer, inovar e gerar valor. Avançar nessa direção exige um esforço coletivo, dentro das empresas e também como sociedade, fortalecendo uma cultura que valorize eficiência, responsabilidade e escolhas melhores para o futuro do país.

O Brasil tem jeito porque tem vitalidade para superar os desafios impostos, e tem grandes oportunidades, como na área da agricultura, na qual é uma referência e pode garantir a segurança alimentar do mundo nos próximos anos. Este 2026 pode ser o ano de trocar a lógica da sobrevivência pela da construção. Recuperar confiança é tornar relações econômicas mais simples e mais rápidas. Elevar produtividade é fazer o básico bem feito, em escala, com consistência.

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Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.



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