Uma forte linha de divisão está se formando no setor de ativos digitais entre produtos cripto que se parecem cada vez mais com instituições financeiras reguladas e um setor bancário tradicional que alerta que algumas dessas inovações podem estar indo longe demais.
Essa tensão está totalmente em evidência nesta semana. O JPMorgan está alertando que stablecoins com rendimento correm o risco de recriar funções centrais dos bancos sem as salvaguardas construídas ao longo de décadas de regulação.
Ao mesmo tempo, o envolvimento de Wall Street com o setor cripto continua se aprofundando, com registros de fundos negociados em bolsa (ETFs) pelo Morgan Stanley sinalizando o que analistas descrevem como a próxima fase de adoção institucional, uma etapa que pode forçar outros bancos a acelerar suas próprias estratégias.
Empresas nativas do setor cripto estão avançando ainda mais em direção a áreas reguladas. A World Liberty Financial, ligada a Trump, está expandindo sua stablecoin USD1 para o mercado de empréstimos de criptomoedas; enquanto isso, a Figure Technology está testando até onde a infraestrutura de blockchain pode chegar aos mercados de capitais ao viabilizar o empréstimo de ações on-chain atrelado a ações reais.
O Crypto Biz desta semana mede o pulso da tensão crescente entre as finanças tradicionais e o alcance em expansão dos mercados de ativos digitais.
Stablecoins com rendimento representam riscos sérios, alerta JPMorgan
O JPMorgan Chase adotou a tecnologia blockchain e manifestou interesse em stablecoins, mas as versões com rendimento podem representar riscos significativos para o sistema financeiro, segundo o diretor financeiro do banco, Jeremy Barnum.
Falando durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre do JPMorgan, Barnum respondeu a perguntas sobre stablecoins em meio a uma nova ofensiva de lobby do setor bancário e à contínua fiscalização do Congresso sobre a legislação de ativos digitais.
Barnum alertou que stablecoins com pagamento de juros podem replicar funções centrais dos bancos sem estarem sujeitas aos mesmos padrões regulatórios e prudenciais.
“A criação de um sistema bancário paralelo que, de certa forma, tenha todas as características de um banco, incluindo algo que se parece muito com um depósito que paga juros, sem as salvaguardas prudenciais associadas, desenvolvidas ao longo de centenas de anos de regulação bancária, é algo obviamente perigoso e indesejável”, disse ele.
Preocupações como essas ajudam a explicar por que os bancos adotaram uma postura cautelosa em relação às stablecoins com rendimento, algo que o Cointelegraph destacou em maio passado.
Apesar do debate sobre o ciclo de quatro anos, cripto entra na próxima fase de adoção institucional
Enquanto investidores de criptomoedas continuam debatendo a relevância do ciclo de mercado de quatro anos, a Binance Research argumenta que uma mudança mais importante está em curso: a próxima fase de adoção institucional, liderada talvez de forma inesperada pelo Morgan Stanley.
Em seu relatório macro semanal mais recente, a Binance Research apontou uma “mudança estrutural” nos mercados de ativos digitais, citando os registros recentes de formulários S-1 do Morgan Stanley relacionados a ETFs propostos de Bitcoin (BTC) e Solana (SOL) como um desenvolvimento-chave.
A Binance Research afirmou que a iniciativa do Morgan Stanley pode pressionar outros grandes bancos, incluindo Goldman Sachs e JPMorgan, a acelerar suas próprias estratégias cripto para se manterem competitivos à medida que a participação institucional em ativos digitais se expande.
World Liberty Financial, ligada a Trump, mira o mercado de empréstimos de criptomoedas
A World Liberty Financial está expandindo sua atuação para o mercado de empréstimos de criptomoedas, levando sua stablecoin USD1, de US$ 3,4 bilhões, para uma nova plataforma de empréstimo e tomada de crédito chamada World Liberty Markets.
Segundo a empresa, a plataforma permite que usuários depositem garantia em uma variedade de criptomoedas, incluindo Ether (ETH), uma versão tokenizada do Bitcoin e as stablecoins USDC (USDC) e USDt (USDT). Os empréstimos são denominados em USD1, posicionando a stablecoin como um ativo central de liquidação dentro do sistema.
O cofundador da World Liberty, Zak Folkman, disse à Bloomberg que novas formas de garantia, incluindo ativos do mundo real tokenizados, devem ser introduzidas à medida que a plataforma amplia suas ofertas de crédito.
O lançamento no setor de empréstimos ocorre após o pedido recente da World Liberty por uma licença de banco fiduciário nacional junto ao Escritório do Controlador da Moeda (OCC) dos EUA, o que, segundo a empresa, ajudaria a ampliar a adoção do USD1 em pagamentos internacionais e operações de tesouraria.

Figure Technology mira empréstimo de ações tokenizadas
A Figure Technology Solutions, uma empresa de empréstimos e infraestrutura financeira baseada em blockchain, lançou um novo sistema de empréstimo de ações que permite que investidores emprestem ações diretamente uns aos outros, sem depender de intermediários tradicionais.
A plataforma, chamada On-Chain Public Equity Network (OPEN), permite que empresas emitam ações reais usando a blockchain Provenance, da Figure. As ações emitidas na OPEN representam propriedade real, e não exposição sintética.
O CEO da Figure, Mike Cagney, disse que as ações podem ser emprestadas ou dadas em garantia diretamente on-chain, sem custodiantes ou outros intermediários. Ele acrescentou que diversas empresas já demonstraram interesse em emitir ações na OPEN, incluindo empresas que mantêm criptomoedas no caixa.

O Crypto Biz é o seu termômetro semanal do lado empresarial por trás da blockchain e das criptomoedas, entregue diretamente na sua caixa de entrada toda quinta-feira.