O avanço do Bitcoin foi interrompido nesta quarta-feira (7) após um aumento da pressão de venda reverter boa parte dos ganhos do início do ano. Especialistas sugerem que a correção é um obstáculo de curto prazo para uma recuperação mais longa.
A criptomoeda líder do mercado enfrenta uma queda de 1,9% nas últimas 24 horas, para US$ 91.800, de acordo com o CoinGecko. Em reais, o BTC perde o nível de R$ 500 mil e é negociado no momento a R$ 493.814, segundo dados do Portal do Bitcoin.
Desde o começo de 2026, a principal criptomoeda já subiu mais de 7%, atingindo uma máxima local de US$ 94.420 na terça-feira. O movimento sustentado na última semana impulsionou as altcoins, adicionando cerca de US$ 250 bilhões ao valor de mercado total das criptomoedas.
A redução do aperto de liquidez do fim de 2025 e o aumento das expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve em 2026 têm sido os dois principais fatores que impulsionam o rali.
“A convergência desses dois fatores desencadeou uma recuperação nos ativos de risco; o Bitcoin se beneficiou disso e os fluxos para ETFs voltaram a registrar entradas líquidas”, disse Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, ao Decrypt.
Por outro lado, Sun destacou que o rali foi estruturalmente conservador, com alavancagem e volatilidade permanecendo baixas.
“O mercado ainda não entrou em um ‘estado ofensivo’ impulsionado pela ressonância do sentimento e alta alavancagem”, afirmou. “Essa falta de impulso adicional para cima foi o que fez o Bitcoin perder força após tocar US$ 94 mil”.
Queda provoca onda de liquidações
O movimento brusco que se seguiu — envolvendo uma queda repentina de 3% da máxima local para US$ 91.544 e uma posterior recuperação para US$ 92.618, onde o Bitcoin está sendo negociado atualmente — provocou US$ 466 milhões em liquidações, com os compradores otimistas arcando com a maior parte das perdas.
O episódio ocorreu após o anúncio da MSCI na terça-feira de que não irá excluir a Strategy e outras ações de empresas com tesouraria em cripto de seus índices.
A provedora de índices observou que o feedback de sua consulta “confirmou a preocupação dos investidores institucionais de que algumas empresas com tesouraria em ativos digitais apresentam características semelhantes às de fundos de investimento”.
A MSCI agora inicia uma consulta mais ampla sobre como tratar empresas não-operacionais.
“A decisão da MSCI removeu efetivamente uma fonte significativa de potencial pressão vendedora”, observou Sun, explicando que uma exclusão forçaria fundos passivos a venderem e criaria uma narrativa negativa para a alocação institucional.
O que esperar a seguir?
“No primeiro semestre do ano a tendência de curto prazo deve ser volátil, mas com fortalecimento, impulsionada por eventos específicos em vez de um movimento unilateral de alta”, apontou o analista da HashKey.
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Olhando para frente, ele espera que as alocações institucionais via ETFs à vista continuem sendo o principal motor, absorvendo capital de longo prazo e reduzindo a dependência do preço em relação ao sentimento de curto prazo.
“O mercado mais amplo continuará filtrando projetos especulativos… ativos ligados à infraestrutura, liquidação de pagamentos e aplicações no mundo real são os mais propensos a se beneficiar”, afirmou Sun.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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