18.5 C
Brasília
sábado, janeiro 24, 2026

Cartões com stablecoins movimentam US$ 18 bilhões

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

Resumo da notícia

  • Stablecoins já liquidam bilhões em compras diárias

  • Visa lidera integração entre blockchain e cartões

  • Investidores veem nova era nos pagamentos globais

Enquanto consumidores seguem pagando com cartões comuns em supermercados, aplicativos e lojas online, por trás das transações uma nova infraestrutura começa a ganhar escala, os cartões com stablecoins.

De acordo com um estudo publicado pela Insights4.vc, os cartões cripto com moedas estáveis agora movimentam cerca de US$ 18 bilhões por ano. Esse volume, que cresceu cerca de 1.400% em apenas dois anos, sinalizando que a fronteira entre o sistema financeiro tradicional e o universo digital está cada vez mais tênue.

O fenômeno não se resume a uma moda passageira do mercado cripto. Grandes redes como Visa e Mastercard, gigantes de tecnologia financeira como Stripe e PayPal, e uma nova geração de emissores especializados estão apostando que as stablecoins podem se tornar o “motor invisível” da próxima fase dos pagamentos globais. O objetivo não é substituir o cartão plástico ou o aplicativo no celular, mas modernizar a engrenagem que move o dinheiro entre países, bancos, empresas e consumidores”, destaca o estudo.

Criptos não são usadas para pagamentos, stablecoins sim

Na prática, o estudo aponta que o que cresce não é a aceitação direta de criptomoedas pelos lojistas. Em vez disso, são os cartões abastecidos por stablecoins que ganham espaço. O usuário paga como sempre, mas o valor é liquidado nos bastidores em dólares digitais, muitas vezes convertidos em moeda local apenas no momento final da operação. Esse modelo preserva a experiência conhecida e, ao mesmo tempo, promete reduzir custos, acelerar prazos e ampliar o acesso a pagamentos internacionais.

Esta constatação já havia sido feita no Brasil diversas vezes pelo ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Em sua gestão ele apontou diversas vezes que as criptomoedas não tinham um crescimento no Brasil, mas as stablecoins sim pois ofereciam exposição ao dólar e uma oportunidade para os brasileiros manterem uma conta bancária dolarizada com menos custos e burocracia.

O estudo da insights4vc indica que a virada começou a ganhar força em 2025, quando emissores passaram a integrar stablecoins diretamente aos sistemas de emissão e liquidação de cartões. Isso permitiu que valores circulassem na blockchain, mas dentro das regras e dos padrões das redes globais. O resultado foi uma explosão no volume transacionado, que passou de cerca de US$ 100 milhões por mês em 2023 para mais de US$ 1,5 bilhão por mês no fim de 2025.

Por trás desse crescimento está um grupo de empresas que decidiu assumir mais responsabilidades dentro da cadeia de pagamentos. Em vez de depender de bancos patrocinadores, processadores e intermediários, esses emissores “full stack” passaram a emitir cartões diretamente, gerenciar a conversão entre stablecoins e moedas fiduciárias e cuidar da liquidação com as redes. Ao fazer isso, passaram a capturar receitas que antes ficavam pulverizadas, como taxas de intercâmbio, spreads cambiais e rendimentos sobre os saldos mantidos em dólares digitais.

Esse novo modelo atraiu investidores. Rodadas de financiamento recentes avaliaram algumas dessas empresas em bilhões de dólares, sob a tese de que elas podem se tornar a próxima geração de infraestrutura financeira global. A comparação frequente é com companhias como Stripe ou Adyen, que cresceram ao simplificar a complexidade dos pagamentos para desenvolvedores e empresas. Agora, a promessa é fazer o mesmo com o dinheiro digital.

O papel das grandes redes de cartões é central nesse movimento. Embora o discurso original do mercado cripto fosse de “desintermediar” o sistema financeiro, a realidade mostrou que a aceitação global, a proteção ao consumidor e os mecanismos de combate a fraudes ainda dependem dessas redes. Hoje, mais de 90% do volume de cartões vinculados a criptoativos circula pela infraestrutura da Visa, que saiu na frente ao firmar parcerias com emissores especializados e testar a liquidação direta em stablecoins.

Não pode vencer? Então junte-se a eles

O estudo aponta ainda que a estratégia da Visa foi integrar o dólar digital ao seu próprio sistema de compensação. Em vez de exigir transferências bancárias tradicionais, alguns emissores podem liquidar obrigações usando stablecoins como o USDC. Isso permite operações 24 horas por dia, inclusive nos fins de semana, e reduz a necessidade de manter grandes volumes de dinheiro parado em contas pré-financiadas. Para empresas que operam em vários países, essa flexibilidade pode significar ganhos importantes de eficiência.

A Mastercard, por sua vez, adotou uma abordagem mais ampla e modular. Além de apoiar programas de cartões ligados a cripto, investe em padrões de identidade digital, compliance e opções para que lojistas escolham receber pagamentos em stablecoins ou moeda local. O foco está em oferecer uma ponte entre bancos, empresas e o universo dos ativos digitais, sem abrir mão dos controles exigidos pelos reguladores.

Enquanto isso, empresas de tecnologia financeira avançam pelo lado da integração com desenvolvedores. A aquisição de plataformas especializadas em APIs de stablecoins por gigantes como a Stripe indica que o interesse não está apenas no consumidor final, mas também no ecossistema de empresas que constroem soluções de pagamento, marketplaces e plataformas globais. Ao incorporar o dólar digital como mais um “trilho” disponível, essas companhias permitem que startups e multinacionais escolham a rota mais eficiente para mover dinheiro entre países.

O apelo das stablecoins é especialmente forte em mercados emergentes. Em países com moedas voláteis, controles de capital ou sistemas bancários menos integrados ao resto do mundo, o dólar digital funciona como uma alternativa prática para poupar, receber pagamentos e gastar internacionalmente. Regiões como América Latina, África e partes do Oriente Médio registram adoção crescente, impulsionada por trabalhadores remotos, freelancers e pequenas empresas que prestam serviços para clientes no exterior.

Acesso à economia global

Nesses contextos, o estudo afirma que o cartão vinculado a stablecoins se torna uma porta de entrada para a economia global. O profissional recebe em dólares digitais, mantém o valor protegido da desvalorização local e pode gastar em moeda local quando necessário, sem enfrentar processos demorados de transferência internacional. Para muitos, isso representa não apenas conveniência, mas também inclusão financeira.

Apesar do entusiasmo, o avanço das stablecoins nos pagamentos traz desafios significativos. O principal deles é regulatório. Autoridades em várias partes do mundo discutem regras específicas para emissores de moedas digitais, incluindo exigências sobre reservas, licenças, transparência e limites para programas que oferecem rendimentos sobre saldos. Dependendo do formato final dessas normas, o modelo de negócios de algumas empresas pode ser impactado.

Há também, de acordo com o estudo, o risco de concentração. Hoje, a liquidez global de stablecoins se concentra em poucos emissores e em duas ou três moedas digitais dominantes. Qualquer problema de confiança, mudança regulatória abrupta ou falha técnica poderia gerar efeitos em cascata sobre emissores de cartões, plataformas e usuários finais. Para mitigar esse risco, algumas empresas buscam diversificar as moedas aceitas e estabelecer parcerias com diferentes provedores.

Outro ponto sensível é a dependência das próprias redes de cartões. Embora elas sejam a ponte para a aceitação global, também funcionam como “porteiras” do sistema. Mudanças nas regras internas, exigências de compliance mais rígidas ou decisões comerciais podem afetar dezenas de programas de uma só vez. Em um cenário extremo, uma suspensão ou restrição regional pode interromper o acesso de milhares de usuários a seus fundos digitais.

Do lado do consumidor, a questão da privacidade também entra em debate. Transações feitas por cartões passam por sistemas regulados, geram registros detalhados e estão sujeitas a compartilhamento com autoridades, conforme a legislação local. Para usuários acostumados à ideia de autonomia e anonimato associada às criptomoedas, essa realidade representa uma mudança importante. O modelo híbrido prioriza proteção e conformidade, mas reduz algumas das características que atraíram os primeiros adeptos da tecnologia.

Mesmo assim, o apelo econômico segue forte. A liquidação em stablecoins pode reduzir custos de transferências internacionais, diminuir taxas cambiais ocultas e acelerar o tempo de recebimento para empresas e trabalhadores. Para emissores e processadores, a possibilidade de gerar receita com rendimentos sobre saldos e otimizar o uso de capital torna o modelo atraente, especialmente em um ambiente de juros elevados.

A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://br.cointelegraph.com/editorial-policy

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img