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sábado, janeiro 24, 2026

Como securitizações tokenizadas e blockchain podem fortalecer os FIDCs

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O avanço da tokenização transformou a forma como o mercado financeiro brasileiro enxerga eficiência, governança e sincronização de informações. 

Em um ambiente onde os FIDCs (fundos de investimento em direitos creditórios) continuam desempenhando um papel central no financiamento de empresas, tornou-se evidente que a qualidade da informação operacional é tão importante quanto a estrutura jurídica que sustenta o fundo. 

A lógica tradicional, baseada em reportes periódicos, conciliações extensas e múltiplas versões de uma mesma carteira, já não acompanha a velocidade com que ativos circulam e decisões precisam ser tomadas. 

A integração com tecnologias como a blockchain não substitui o modelo dos fundos, mas amplia sua capacidade de operar com mais clareza e menos ruído. 

A convergência entre esses dois mundos representa uma evolução natural de um mercado que precisa de mais continuidade, mais precisão e mais transparência para sustentar seu próximo ciclo de crescimento.

Mais consistência para operações cada vez mais complexas

Os FIDCs foram desenhados para organizar riscos e estruturar fluxos financeiros, mas dependem de um ecossistema composto por originadores, gestores, administradores e agentes fiduciários que operam com sistemas distintos.

Essa fragmentação cria desafios diários de conciliação, já que cada participante trabalha com bases que chegam em momentos diferentes e em formatos muitas vezes incompatíveis. 

A tokenização reorganiza essa dinâmica ao permitir que todos os eventos relacionados à carteira sejam registrados em uma única infraestrutura, reduzindo inconsistências e eliminando a necessidade de reconstruir informações a cada ciclo. 

A partir do momento em que pagamentos, amortizações e inadimplências ficam acessíveis de forma contínua, a operação deixa de depender da periodicidade dos reportes e passa a refletir a realidade do lastro em tempo real. 

Essa mudança fortalece a governança do fundo e melhora a capacidade de avaliação de risco.

Transparência como fundamento de governança

A transparência é um dos pilares dos FIDCs, mas sua execução prática sempre dependeu da qualidade e da frequência das informações recebidas pelos agentes da operação. 

Quando os dados são registrados na blockchain, cada evento relevante passa a criar um histórico imutável, acessível e verificável a qualquer momento.

Esse nível de visibilidade reduz a assimetria informacional, diminui revisões manuais e oferece uma leitura mais precisa da carteira ao longo do tempo. 

Isso não apenas melhora processos internos, mas também aumenta a confiança de investidores que dependem de dados consistentes para alocar capital com segurança. 

Em um mercado pressionado por eficiência, a transparência contínua deixa de ser um diferencial e se torna um requisito estrutural que reforça o papel dos FIDCs como instrumento de referência no crédito brasileiro.

Programabilidade que reduz divergências e aumenta eficiência

A tokenização acrescenta uma característica ausente no modelo tradicional: a programabilidade. 

Em estruturas baseadas em contratos inteligentes, regras críticas como cálculo de PU, critérios de remuneração, datas de atualização e fluxos financeiros podem ser codificadas desde o início, garantindo execução automática e padronizada. 

Essa abordagem reduz divergências, elimina interpretações que variam entre agentes e mitiga riscos operacionais que surgem de processos manuais. 

Modelos como o TIDC demonstram como a integração entre lógica financeira e tecnologia cria operações mais previsíveis, com maior capacidade de auditoria e menor ruído. 

A tecnologia não substitui o papel dos intermediários, mas permite que eles atuem com mais precisão, dedicando menos tempo à reconciliação e mais tempo à análise.

Integração como caminho natural para o próximo ciclo

Os FIDCs não perdem relevância com a chegada da tokenização. Eles ganham uma infraestrutura mais forte, mais coesa e mais adaptada à forma como o mercado atual opera. 

A combinação entre governança tradicional e infraestrutura digital cria um ambiente mais estável, mais auditável e mais eficiente, capaz de absorver volumes maiores sem comprometer a qualidade da informação. 

A evolução natural do crédito estruturado no Brasil passa por essa integração, que elimina ruídos históricos e permite que o fundo opere com a maturidade e a precisão que o mercado espera. 

A tokenização não inaugura um novo modelo de FIDC. Ela fortalece o modelo que já existe, criando uma base mais sólida para que o setor avance com mais segurança, mais clareza e mais consistência nos próximos anos.

Sobre o autor

Daniel Coquieri é CEO da empresa de tokenização de ativos Liqi Digital Assets. Empreendedor do ramo da tecnologia, foi fundador da BitcoinTrade, uma das primeiras corretoras de criptomoedas do Brasil.



[Fonte Original]

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