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sábado, janeiro 10, 2026

‘Lei do mais forte’: Por que a maioria das stablecoins deve falir?

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Resumo da notícia:

  • A maioria dos emissores de stablecoins deve falir nos próximos anos, segundo análise da Artemis.

  • Atualmente, Tether (USDT) e Circle (USDC) dominam 86% do setor, e a expectativa é que mantenham pelo menos 75% de participação até 2030.

  • O sucesso de uma stablecoin dependerá mais de sua integração em “trilhos” de pagamento existentes do que da força de marcas consagradas.

A integração das stablecoins com o sistema financeiro tradicional foi uma das principais tendências do mercado de criptomoedas em 2025. A adoção de tokens como o USDT e USDC por processadores de pagamentos, fintechs e sistemas de liquidação global comprova que as stablecoins resolvem problemas que até então estavam à espera de uma solução.

O sucesso das stablecoins consolidou a Tether como uma das empresas mais lucrativas do mundo, enquanto a Circle abriu seu capital nos Estados Unidos, oferecendo aos investidores uma alternativa direta para exposição ao crescimento do setor.

Do lado dos usuários, dados da empresa de análise do mercado cripto Artemis revelam que o total de usuários ativos diários de stablecoins atingiu a marca de 1,9 bilhão, o que representa um crescimento de 57% em relação a 2024.

Total de usuários ativos diários de stablecoins. Fonte: Artemis Analytics.

Embora o crescimento do setor deva se acelerar nos próximos anos, com a capitalização de mercado das stablecoins superando US$ 1 trilhão até 2030, uma análise da Artemis Analytics afirma que a maioria das empresas emissoras  não sobreviverá no longo prazo.

Segundo Mario Stefanidis, autor do estudo, o mercado converge para a consolidação em poucos ativos que funcionem como trilhos eficientes, em vez da proliferação de novas marcas.

Emissão de stablecoins não é um negócio sustentável

A premissa de que grandes corporações e instituições financeiras devem emitir stablecoins próprias enfrenta barreiras logísticas e operacionais. Para o usuário, a multiplicidade de tokens gera custos de conversão e fragmentação de liquidez.

Stefanidis afirma que “a emissão por si só não é um negócio sustentável.” O autor argumenta que empresas focadas apenas na emissão de ativos dependem de distribuição e  adoção espontânea, o que raramente acontece sem que a empresa detenha o controle dos pontos de integração.

Segundo a análise, a logística dos comerciantes atuará como um filtro de mercado, reduzindo a saturação em nome de uma quantidade limitada de vencedores.

Stefanidis destaca que as stablecoins são mais eficientes e baratas do que os trilhos tradicionais. No entanto, os comerciantes também desejam minimizar a complexidade operacional, rejeitando o gerenciamento de dezenas de ativos com perfis de liquidez e infraestruturas distintas:

“Nos pagamentos, a adoção segue a simplicidade; as stablecoins que facilitarem a movimentação do dinheiro sobreviverão, o restante será ignorado.”

A viabilidade de novos emissores dependerá de sua adequação ao mercado. Sem o controle de carteiras ou trilhos de liquidação, os emissores ficarão distantes da captura de valor real, inviabilizando a sustentabilidade do negócio, afirma a análise:

“O mercado favorece naturalmente um pequeno número de ativos que funcionam em todos os lugares, em vez de muitos que operam apenas em contextos restritos.”

USDT e USDC devem manter liderança do setor

Segundo dados da Artemis, atualmente, o Tether (USDT) e o USD Coin (USDC) da Circle detêm 86% do suprimento total de stablecoins, com 60% e 26% de participação, respectivamente.

Participação de mercado do USDT (Tether) e USDC (Circle) em relação às demais stablecoins. Fonte: Artemis Analytics

Projeções sugerem que a capitalização de mercado das stablecoins pode atingir US$ 1,6 trilhão até 2030, mantendo uma taxa de crescimento anual de 40%. Stefanidis estima que a perda de participação de mercado da Tether e da Circle deve ser marginal, caindo no máximo para 75% nesse período.

Segundo o analista, os US$ 400 bilhões restantes em participação de mercado não comportam dezenas de novos emissores com escala relevante. Para Stefanidis, as atuais líderes do mercado se beneficiam de efeitos de rede e liquidez profunda, dificultando o avanço de concorrentes.

Potenciais competidores testam novos modelos

Empresas com grandes bases de usuários estão adotando stablecoins para reduzir dependência de trilhos externos e manter o controle do fluxo financeiro. Stefanidis destaca que as estratégias de adoção corporativa apresentam modelos diferentes, de acordo com o objetivo de cada plataforma, indo desde a criação de tokens proprietários até a integração de ativos validados pelo mercado.

O PayPal utiliza o PYUSD como um produto defensivo para proteger sua relação com 438 milhões de contas ativas contra a desintermediação por outros ativos. Lançada em agosto de 2023, a stablecoin do PayPal ainda não superou os US$ 4 bilhões em capitalização de mercado — uma fração pequena perto dos US$ 187 bilhões do USDT e US$ 75,4 bilhões do USDC.

Já a Klarna optou por lançar o KlarnaUSD como uma ferramenta de controle interno para comprimir custos de liquidação em seu modelo de “compre agora, pague depois.” 

A Stripe, por sua vez, adotou o USDC em sua plataforma, evitando a competição direta com as gigantes do setor.

A análise conclui que a utilidade das stablecoins reside na redução de fricções em processos de liquidação já existentes, e não na criação de novas categorias financeiras.

No longo prazo, o mercado tende a recompensar empresas cuja infraestrutura oferece interfaces e camadas de liquidação, em detrimento daquelas que oferecem apenas o ativo digital, afirma Stefanidis:

“A integração escala melhor do que a emissão para a maioria das empresas.”

Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, o (USDE) da Ethena (ENA), um dos principais projetos de stablecoins alternativas, perdeu US$ 8,3 bilhões em capitalização de mercado desde outubro de 2025, na esteira do maior evento de liquidação da história do mercado de criptomoedas.

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[Fonte Original]

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