O Nubank recebeu aprovação condicional do Escritório do Controlador da Moeda dos EUA (OCC) para formar um banco nacional, um passo que permite à fintech oferecer depósitos, empréstimos, cartões de crédito e custódia de ativos digitais nos Estados Unidos.
A aprovação leva o Nubank à fase de organização bancária, período em que precisará cumprir exigências de capitalização e supervisão, além de obter aprovações adicionais da Federal Deposit Insurance Corporation e do Federal Reserve antes de iniciar as operações.
Segundo comunicado da empresa divulgado na sexta-feira, o banco nos EUA será liderado pela cofundadora Cristina Junqueira, com o ex-presidente do Banco Central do Brasil Roberto Campos Neto atuando como presidente do conselho. O Nubank afirmou que pretende capitalizar totalmente e abrir o banco em até 18 meses, sujeito à aprovação regulatória.
O Nubank atua principalmente no Brasil, México e Colômbia, atendendo mais de 127 milhões de clientes nesses países, segundo a empresa. Fundado em 2013, o Nubank é negociado em bolsa na New York Stock Exchange desde 2021.
A fintech vem expandindo de forma constante sua atuação em ativos digitais nos últimos anos.
A empresa entrou no mercado de criptomoedas em 2022 após firmar parceria com a Paxos, permitindo que clientes comprem, vendam e mantenham criptomoedas diretamente no aplicativo. Na época, a empresa também revelou planos de alocar cerca de 1% de seus ativos líquidos em Bitcoin (BTC).
Em março, o Nubank ampliou sua oferta de criptomoedas no Brasil ao adicionar Cardano (ADA), Near Protocol (NEAR), Cosmos (ATOM) e Algorand (ALGO) à sua plataforma de negociação, elevando para 20 o número total de tokens suportados.
Em setembro, anunciou planos para testar pagamentos com stablecoins atreladas ao dólar vinculadas a cartões de crédito, como parte de um esforço para integrar ativos digitais aos serviços bancários tradicionais.
Fintechs e empresas de criptomoedas buscam licenças bancárias nos EUA
A iniciativa do Nubank para obter uma autorização bancária nos EUA reflete uma tendência mais ampla entre fintechs e empresas de criptomoedas em direção a licenças bancárias reguladas.
A emissora de stablecoins Circle e a empresa de criptomoedas Ripple Labs receberam aprovação condicional do OCC em dezembro para estabelecer bancos fiduciários nacionais nos EUA. A agência também autorizou as conversões do BitGo Bank & Trust, Fidelity Digital Assets e Paxos Trust Company em bancos fiduciários nacionais.
Em 23 de janeiro, a fintech favorável às criptomoedas Revolut revelou planos de solicitar uma licença bancária nos EUA. A empresa sediada em Londres foi avaliada em cerca de US$ 75 bilhões após uma venda de ações em novembro.