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sexta-feira, janeiro 9, 2026

O fim das tesourarias cripto? Permanência da Strategy no MSCI não garante sobrevivência de DATs

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Resumo da notícia:

  • A manutenção de empresas de tesouraria de ativos digitais (DATs) no índice MSCI não garante a sustentabilidade do modelo de negócio atual.

  • Analistas da CoinShares e Coinbase apontam que o futuro do setor depende da transição para um modelo que não se limite à acumulação de criptomoedas.

  • No Brasil, as ações de Méliuz e OranjeBTC já sentem os efeitos desse revés, acumulando quedas superiores a 60% desde suas máximas.

A recente decisão da Morgan Stanley Capital International (MSCI) de manter as Empresas de Tesouraria de Ativos Digitais (DATs) em seus índices de mercado trouxe um alívio momentâneo ao setor, impulsionando as ações da Strategy em 5% nas negociações pós-fechamento de terça-feira (6).

No entanto, analistas da CoinShares e da Coinbase sugerem que a permanência nos índices e a mera acumulação de criptomoedas não impedem a falência do atual modelo de negócios das DATs.

O teste de estresse enfrentado por essas empresas após a correção que atingiu o mercado cripto no quarto trimestre de 2025 revela que o setor precisa passar por uma reestruturação profunda para manter-se relevante.

Segundo James Butterfill, da CoinShares, e David Duong, chefe de pesquisa institucional da Coinbase, o único caminho para a retomada do crescimento do setor e a consequente recuperação do preço das ações das DATs passa por uma transição de veículos puramente especulativos para entidades integradas à economia digital e sustentabilidade operacional.

Em sua análise, Butterfill sustenta que a “bolha das DATs” já estourou para as empresas cujos modelos de negócio se baseiam exclusivamente na valorização de ativos. Muitas dessas empresas, cujas ações anteriormente eram negociadas com prêmios de até 10 vezes o seu valor patrimonial líquido de mercado (mNAV), viram esses múltiplos desaparecerem à medida que o mercado cripto caiu e a viabilidade do modelo no longo prazo passou a ser questionada.

mNAV das 10 principais empresas de tesouraria de ativos digitais. Fonte: CoinShares

Butterfill afirma que “à medida que o setor e sua credibilidade cresceram rapidamente, seu propósito tornou-se cada vez mais nebuloso.” A ausência de fluxo de caixa e operações sustentáveis torna as DATs excessivamente dependentes da volatilidade do mercado cripto, criando uma vulnerabilidade estrutural que em última instância resulta na venda dos ativos digitais mantidos em reserva para cobrir despesas.

DATs se afastaram de seu propósito original

Originalmente, o propósito das DATs era desempenhar uma estratégia de tesouraria disciplinada para proteger seu patrimônio contra a depreciação das moedas fiduciárias. 

No modelo pioneiro da Strategy de Michael Saylor, o Bitcoin (BTC) não era visto como um ativo para especulação de curto prazo, mas sim como “uma proteção efetiva contra o afrouxamento quantitativo, o aumento da dívida pública e a depreciação cambial de longo prazo”.

A disseminação do modelo da Strategy ao longo de 2024 e 2025 distorceu o modelo original, transformando as DATs em veículos de investimento alavancados baseados na emissão de ações apenas para acumular mais criptomoedas.

A retração do mercado no final de 2025 serviu para evidenciar essas inconsistências. Mesmo com suas ações em queda, a administração dessas empresas reluta em liquidar suas reservas, minando a confiança dos investidores no futuro do setor, afirma Butterfill:

“A tolerância dos investidores à diluição das ações e a concentrações extremamente elevadas de ativos sem fluxos de receita significativos diminuirá. O propósito original de diversificação de ativos para reduzir o risco cambial foi substituído por uma onda de empresas que utilizam os mercados de ações para acumular reservas financeiras excessivas sem desenvolver negócios reais, enfraquecendo a credibilidade geral do setor.”

“DATs 2.0” se integrarão à economia on-chain

O futuro das DATs não implica necessariamente a extinção do setor, aponta para uma maturação guiada pela força do mercado, afirma Butterfill:

“O futuro das DATs passa pelo retorno aos fundamentos: gestão de tesouraria disciplinada, modelos de negócios sustentáveis e expectativas realistas sobre o papel dos ativos digitais nos balanços corporativos.”

David Duong, da Coinbase, acredita que o diferencial competitivo deixará de ser a quantidade de criptomoedas que as empresas possuem em caixa, mas sim como elas utilizam a tecnologia blockchain para otimizar seus custos operacionais e gerenciar ativos soberanos digitais.

Ao introduzir o conceito de “DAT 2.0”, o pesquisador propõe que essas empresas se especializem “na negociação profissional e na aquisição de armazenamento de espaço em blocos soberanos.”

Nesse modelo, as empresas deixam de ser detentoras passivas de criptomoedas para se tornarem gestoras profissionais de espaço de bloco (block space) – a capacidade de processamento limitada de cada bloco da rede –, tratando esse recurso como uma commodity digital valiosa e necessária em uma economia estruturada em torno da tokenização de ativos reais (RWA).

É consenso entre ambos os analistas que o setor está passando por uma reestruturação marcada pelo fim de uma era de acumulação e o início de uma fase de sofisticação institucional. A sobrevivência das DATs dependerá da capacidade de integrar estratégias de tesouraria prudentes, integradas à economia on-chain.

No Brasil, o desempenho do Méliuz e da OranjeBTC na B3 servirá de termômetro para essa nova fase. As duas empresas brasileiras de tesouraria de ativos digitais foram fortemente atingidas pelo enfraquecimento do setor, conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil.

As ações do Méliuz (CASH3) recuaram 61% desde as máximas registradas em maio deste ano, no auge da narrativa das DATs.

Lançadas em um IPO reverso na B3 em outubro de 2025, as ações da OranjeBTC (OBTC3) acumulam um prejuízo de 68% em relação ao seu preço máximo, alcançado no dia do seu lançamento na bolsa brasileira.

[Fonte Original]

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