A alta das criptomoedas de privacidade no final de 2025 aconteceu por uma combinação de fatores. Entre eles estão avanços na tecnologia, mudanças no comportamento dos investidores, regras mais claras para o setor e, ao mesmo tempo, mais rigor na fiscalização.
Com o tempo, ficou mais evidente que blockchains públicas são rastreáveis. Qualquer pessoa pode acompanhar endereços, valores e o caminho das transações. Isso sempre existiu do ponto de vista técnico, mas em 2025 passou a ser usado de forma mais prática por exchanges e autoridades.
As corretoras começaram a pedir mais informações dos usuários, regras de combate à lavagem de dinheiro e identificação passaram a ser aplicadas com mais rigor e normas como a Travel Rule (que amplia a exigência de dados em transações com criptomoedas), começaram a funcionar na prática. Isso aumentou a sensação de vigilância financeira.
Dentro desse cenário, as criptomoedas focadas em privacidade voltaram a chamar atenção. Projetos como Monero e Zcash utilizam tecnologias que dificultam ou impedem o rastreamento direto das transações, oferecendo mais proteção às informações financeiras.
Outro ponto importante foi a evolução tecnológica dessas redes. Ferramentas como provas de conhecimento zero se tornaram mais maduras e passaram a ser vistas como formas legítimas de proteger dados em sistemas financeiros.
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A narrativa de mercado também teve peso. Em muitos países emergentes, moedas de privacidade são usadas para lidar com controles de capital, taxas elevadas e restrições locais. Esse uso prático ajudou a reforçar a ideia de que esses ativos têm utilidade real, e não apenas valor especulativo.
Após o período de forte alta, vieram as correções. Parte disso ocorreu por realização de lucros, algo comum depois de grandes valorizações em pouco tempo. Em alguns projetos, questões de governança e menor ritmo de desenvolvimento aumentaram a pressão de venda. A retomada da força de ativos maiores e a menor liquidez no início de 2026 também contribuíram para quedas em alguns tokens.
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Mesmo com a importância do tema, é necessário manter cautela. O movimento das criptomoedas de privacidade foi fortemente influenciado por narrativa e para quem busca uma carteira mais equilibrada e com fundamentos mais consolidados, ativos como Bitcoin e Ethereum continuam sendo referências no mercado.
Em resumo, acompanhar os próximos hypes do mercado cripto é importante, mas sempre com atenção ao gerenciamento de risco e ao próprio perfil de investidor. Nem toda alta representa uma tendência duradoura. Os ativos mais seguros são aqueles que possuem fundamentos claros, propósito definido e adoção real, sustentando seu valor no longo prazo.
Sobre a autora
Vanessa Oliveira cursa gestão financeira e está no mercado de criptoativos há 5 anos, é analista técnica e fundamentalista. Já participou como palestrante nos principais eventos de criptomoedas. Hoje atua como estagiária na equipe de Research no Mercado Bitcoin.