Ouro e prata estão desabando nesta sexta-feira (30), com quedas que superam até mesmo o recuo do Bitcoin, tido como um ativo muito mais volátil. Ontem, no início da queda, os dois metais preciosos perderam cerca de US$ 4 trilhões em valor de mercado, o que equivale a quatro vezes o valor do Ibovespa ou duas vezes o PIB do Brasil.
Por volta das 10h (horário de Brasília), o contrato futuro do ouro registrava queda de 3,5%, a US$ 5.171, enquanto a prata caía 9,8%, para US$ 103. Mais cedo, porém, os metais tiveram quedas de mais de 9% e 17%, respectivamente. Mesmo com que essas perdas, o ouro ainda acumula alta de cerca de 18% no ano, enquanto a prata mantém ganhos próximos de 45%, e isso ainda em janeiro.
O que está chamando atenção do mercado é que tudo isso acontece sem nenhum grande acontecimento que justifique tamanha queda. Não estourou nenhuma guerra ou questão nova no cenário macroeconômico, o que só reforça um movimento mais técnico no mercado.
A queda abrupta chama atenção justamente porque ouro e prata vinham de um rali extraordinário. Em 2025, o ouro acumulou uma valorização de cerca de 65%, superando com folga ativos como S&P 500, Nasdaq e Bitcoin.
Já a prata foi ainda mais impressionante, com uma disparada de aproximadamente 145%, registrando seu maior movimento anual desde 1979. Em termos de magnitude, o mercado da prata saltou de cerca de US$ 1,5 trilhão para US$ 6,5 trilhões em apenas um ano, um avanço raro até mesmo para padrões históricos de commodities.
Nos últimos dias, o ouro chegou a superar a marca de US$ 5 mil pela primeira vez na história, enquanto a prata bateu seu recorde de mais de US$ 100.
Correção de preços
O movimento reforça uma máxima dos mercados financeiros: nenhum ativo sobe em linha reta. Correções fazem parte do processo, especialmente após altas tão rápidas e concentradas, quando investidores passam a realizar lucros acumulados ao longo de meses.
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A escalada dos metais preciosos não foi fruto apenas de euforia. Um dos principais motores foi a atuação dos bancos centrais, que intensificaram a compra de ouro em ritmo recorde como forma de diversificar reservas e reduzir exposição ao risco soberano dos Estados Unidos. Esse fluxo estrutural criou uma base sólida de demanda, sustentando preços elevados por um período prolongado.
No caso da prata, além do papel histórico como reserva de valor, pesou fortemente a demanda industrial, impulsionada por setores como painéis solares, inteligência artificial e eletrificação. Ao mesmo tempo, os estoques físicos nas principais bolsas, como a COMEX, recuaram de forma acentuada. O resultado foi um cenário próximo a um short squeeze global: muito metal “de papel” sendo negociado, mas pouco metal físico disponível para entrega.
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Esse pano de fundo ainda foi reforçado por fatores políticos e monetários. O governo dos EUA tem sinalizado preferência por um dólar mais fraco, como forma de aliviar o peso real da dívida pública e estimular exportações.
A consequência direta dessa estratégia é uma reprecificação nominal dos ativos reais, como ouro e prata, como destacou o investidor Bruno Perini em postagens no X. Quando esses ativos rompem máximas históricas, nem sempre significa que “valem mais”, mas sim que as moedas fiduciárias estão comprando menos.
O tombo desta sessão, portanto, não invalida a tese estrutural que sustentou o rali dos metais. Pelo contrário, reforça que o mercado vive um processo de ajuste e digestão de ganhos dentro de um cenário mais amplo de reprecificação global.
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