Resumo da notícia:
Coinbase afirma que o crescimento das stablecoins não impedirá a desdolarização da economia global, favorecendo a ascensão do Bitcoin.
A análise aponta que o surgimento de stablecoins lastreadas em outros ativos, como o euro e commodities, sinaliza uma busca por alternativas ao sistema financeiro centrado no dólar.
Impasses regulatórios nos EUA podem prejudicar a adoção de stablecoins do dólar.
As stablecoins, por si só, não são capazes de reverter a tendência de desdolarização da economia global atualmente em curso, afirma a Coinbase.
Contrariando a visão do governo dos Estados Unidos de que o crescimento do mercado de stablecoins reforçará o status do dólar como moeda de reserva dominante, uma análise compartilhada pela exchange no relatório “2026 Markets Outlook” sugere que isso é improvável no longo prazo.
Os analistas da Coinbase afirmam que a fuga do dólar se acentuou em 2025 “à medida que atores globais buscaram alternativas ao sistema financeiro centrado na moeda americana.”
Embora as stablecoins possam atrasar esse processo, o mercado de criptoativos dá sinais de que investidores e usuários estão buscando alternativas ao dólar, segundo o relatório:
“Uma nova onda de stablecoins está surgindo, explicitamente projetada para serem atreladas a outras moedas soberanas ou cestas de moedas, incluindo o euro e o iene, e até mesmo cestas experimentais de moedas fiduciárias ou commodities.”
O relatório afirma que, atualmente, a maior parte da demanda por stablecoins atreladas ao dólar vem de países emergentes economicamente instáveis, nos quais a população necessita de proteção contra a inflação e a falência das instituições.
Segundo a Coinbase, isso não configura uma “nova demanda” por dólares, mas apenas a busca por uma forma mais eficiente e não permissionada de preservação de patrimônio com alta liquidez:
“As stablecoins servem principalmente para facilitar o acesso a uma preferência já existente pelo uso do dólar americano como garantia para segurança econômica. Em outras palavras, elas atuam como uma camada digital sobre a demanda existente por dólares, e não como um catalisador que altera fundamentalmente a demanda por ativos como o Bitcoin.”
Descentralização favorece o Bitcoin no vácuo deixado pelo dólar
À medida que o comércio global migra para moedas alternativas ao dólar, a tendência é que essa demanda diminua, favorecendo criptoativos descentralizados como o Bitcoin (BTC), conclui a análise:
“Essa diversificação sinaliza uma demanda fundamental por reservas digitais e ativos de transação denominados em moedas que não sejam o dólar.”
O marco regulatório do mercado de criptoativos nos Estados Unidos também será decisiva para a manutenção da hegemonia do dólar. Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, a proibição às stablecoins de rendimento nos EUA, conforme prevista na versão em debate da Lei CLARITY, seria um golpe fatal na competitividade do dólar frente ao yuan chinês, segundo Anthony Scaramucci, fundador da SkyBridge Capital.
Em paralelo, o mBridge, plataforma de moeda digital para pagamentos transfronteiriços desenvolvida pela China, atingiu a marca de US$ 55 bilhões, com mais de 4.000 transações, segundo dados compilados pelo Atlantic Council, uma instituição de pesquisa com sede em Washington.