O suposto mentor de uma rede de golpes que roubou bilhões de dólares em ativos de indivíduos nos Estados Unidos e ao redor do mundo foi preso na terça-feira (6) no Camboja e extraditado para a China, segundo uma reportagem do Wall Street Journal.
Chen Zhi, cidadão cambojano e fundador e presidente do Prince Holding Group, foi acusado em outubro de conspiração para fraude eletrônica e conspiração para lavagem de dinheiro por seu papel na operação de complexos de golpes que roubaram bilhões de dólares de vítimas.
Como parte do esquema, o conglomerado de Zhi manteve pessoas contra a própria vontade em complexos e as forçou a executar esquemas de fraude com criptomoedas, às vezes chamados de golpes de “pig butchering” (abate de porco), nos quais criavam relacionamentos com usuários desavisados antes de roubar seus fundos. Esses golpes recebem esse nome a partir do processo de engordar um porco antes de abatê-lo.
A rede de golpes de Zhi acumulou mais de 127.271 bitcoins em recursos roubados, avaliados em cerca de US$ 11,6 bilhões (R$ 62 bilhões) aos preços atuais do Bitcoin. Esses fundos, atualmente sob custódia do governo dos EUA, estão sendo reivindicados pelo Departamento de Justiça como parte da maior ação civil de apreensão e confisco da história do departamento.
Junto com a denúncia apresentada em outubro, o Departamento de Justiça designou o Prince Group como uma organização criminosa transnacional e impôs sanções a Zhi e a outros indivíduos associados.
A denúncia detalhou que o grupo de Zhi traficou centenas de trabalhadores para vários complexos no Camboja para operar sua rede de fraudes. Ele gerenciava diretamente os complexos e mantinha registros detalhados de cada um, além de orientar associados a usar criptomoedas para ajudar a ocultar os lucros do grupo.
Parte dos recursos obtidos foi usada por Zhi e seus associados para viagens de luxo e compras extravagantes, incluindo uma pintura de Pablo Picasso.
Embora os golpes de Zhi representem quase US$ 12 bilhões em fundos apreendidos relacionados a atividades ilícitas, um relatório da Chainalysis indica que os saldos de criptomoedas on-chain ligados a atividades criminosas ultrapassam US$ 75 bilhões.
Entidades ilícitas mantinham quase US$ 15 bilhões em fundos por conta própria em julho passado — um aumento de mais de 300% desde 2020 — sendo a maior parte proveniente de recursos roubados, segundo o relatório.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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