Analistas começam a avaliar os impactos da invasão dos EUA à Venezuela e deposição de Nicolás Maduro para o mercado, especialmente para o petróleo.
Em relatório, o Goldman Sachs apontou riscos ambíguos, porém moderados, para os preços do petróleo no curto prazo devido à Venezuela, dependendo da evolução da política de sanções dos EUA. Já para o longo prazo, a visão é de queda nos preços.
O Goldman leva em conta a afirmação do presidente dos EUA, Donald Trump, de que os EUA estarão “fortemente envolvidos” no futuro da indústria petrolífera venezuelana e “farão o petróleo fluir como deveria”, embora o embargo ao petróleo venezuelano “permaneça em pleno vigor”. Os últimos acontecimentos provavelmente aumentam as probabilidades de uma eventual transição para um modelo político mais favorável ao investimento em petróleo, mas também de alterações de curto prazo nos fluxos de petróleo, incluindo uma recuperação modesta e novas interrupções.
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De acordo com fontes secundárias da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) consultadas pelo Goldman, a Venezuela produziu 0,93 milhão de barris por dia (mb/d) de petróleo bruto em novembro de 2025, embora haja suspeita de que a produção tenha diminuído para cerca de 0,8 mb/d após relatos de paralisações na produção devido à falta de espaço de armazenamento.
Embora as exportações de petróleo bruto da Venezuela nas últimas seis semanas estejam praticamente estáveis em relação ao ano anterior, as importações de petróleo bruto da Venezuela por outros países caíram cerca de 0,4 mb/d em relação ao ano anterior, uma vez que o petróleo transportado por via marítima aumentou cerca de 50 mb/d em relação ao ano anterior devido a ordens dos EUA que bloqueiam navios-tanque e ao endurecimento das sanções aos transportadores.
Neste cenário, há efeitos ambíguos no preço do petróleo a curto prazo.
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“A produção pode aumentar ligeiramente no curto prazo, inclusive em um cenário com um governo apoiado pelos EUA e o alívio total das sanções”, aponta. Alternativamente, as interrupções no fornecimento de petróleo da Venezuela podem continuar e/ou se intensificar no curto prazo.
Em um cenário em que a produção de petróleo bruto da Venezuela diminua gradualmente em 0,4 mb/d até o final de 2026 (em comparação com nossa projeção base de 0,9 mb/d) devido às contínuas restrições de armazenamento e/ou à falta de componentes de mistura, o Goldman estima que o Brent/WTI terá uma média de US$ 58/54 em 2026, US$ 2 acima da sua projeção base.
Alternativamente, em um cenário em que a produção de petróleo bruto da Venezuela aumente gradualmente em 0,4 mb/d até o final de 2026 (por exemplo, por meio do aumento das importações de diluentes, reparos em poços, reativação de refinarias danificadas e eventual remoção do embargo), a estimativa dos analistas é de que o Brent/WTI terá uma média de US$ 54/50 em 2026, US$ 2 abaixo da sua projeção base.
Visão negativa no longo prazo
Olhando para um prazo mais longo, a visão é de um impacto negativo para os preços do petróleo no longo prazo.
“Juntamente com os recentes resultados acima do esperado na produção da Rússia e dos EUA, o potencial aumento da produção venezuelana a longo prazo eleva ainda mais os riscos de queda em nossa previsão para o preço do petróleo em 2027 e além”, apontam os analistas.
Embora a Venezuela tenha produzido cerca de 3 milhões de barris por dia (mb/d) em seu pico, em meados dos anos 2000, e possua as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo (cerca de 20% das reservas globais), o banco acredita que qualquer recuperação na produção provavelmente será gradual e parcial, visto que a infraestrutura está degradada e exigirá fortes incentivos para investimentos substanciais na exploração e produção.
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Assim, taxas de recuperação mais elevadas do petróleo pesado venezuelano provavelmente exigirão investimentos financeiros e de tempo em unidades de processamento de petróleo e melhorias na eficiência operacional, disponibilidade de energia e infraestrutura de transporte de petróleo.
“Estimamos uma queda de US$ 4 em nossa previsão para o preço do petróleo Brent em 2030, de US$ 80, em um cenário otimista em que a produção de petróleo bruto da Venezuela aumente para 2 mb/d em 2030 (em comparação com nossa previsão de 0,9 mb/d no cenário base)”, reforça o banco.
A visão também é de riscos de queda a longo prazo para as margens do diesel. Um aumento gradual na produção de petróleo bruto pesado “rico em diesel” da Venezuela também poderia compensar parcialmente os obstáculos à perspectiva estruturalmente otimista para as margens do diesel, conclui o banco.
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