O Goldman Sachs atualizou o seu modelo para a Vale (VALE3) após o relatório de produção do 4º trimestre de 2025 e antes da divulgação dos resultados do 4º trimestre de 2025 (4T25) em 12 de fevereiro.
A projeção dos resultados do 4º trimestre, ajustados ao valor de mercado, destacam um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de US$ 4,6 bilhões (contra US$ 4,5 bilhões estimados pelo consenso da Visible Alpha).
“Embora o desempenho operacional e os preços dos metais básicos tenham sido fortes, nossos novos números mostram uma deterioração nas métricas de avaliação devido à recente alta do preço das ações com a Vale agora negociando a 8% do rendimento do fluxo de caixa livre (FCFy) em nossa projeção para 2026, contra o limite de 10% que os investidores historicamente consideram”, avalia. Na B3, as ações da Vale já subiram 21% no acumulado do ano.
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O banco acredita que o bom momento permanecerá, apoiado por: 1) fluxos positivos para o Brasil; 2) uma alocação de capital mais clara da companhia em comparação com os pares (foco no retorno de caixa e no crescimento orgânico); 3) um sólido desempenho operacional (tanto em minério de ferro quanto em metais básicos). 4) Expectativa de preços relativamente resilientes do minério de ferro (preço à vista a US$ 104/tonelada versus projeção do Goldman de US$ 102/t no primeiro semestre de 2026 e US$ 96/t no 2S26); 5) melhores métricas de avaliação em comparação com os pares; e 6) posição relativamente baixa para investidores no Brasil com os quais o Goldman conversou.
Assim, reitera recomendação de compra para a Vale, com preço-alvo de US$ 18 para o ADR (recibo de ações negociado em NY), um potencial de alta de 6% em relação ao fechamento da véspera.
O banco acredita que a forte valorização das ações da Vale foi impulsionada principalmente por uma combinação de fluxos positivos para o Brasil (a Vale superou seus pares em 30/20% em média em 2025/até o momento), mas também por uma alta geral nos preços das commodities que tem sustentado o setor e pelo bom desempenho operacional.
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“A partir daqui, acreditamos que a narrativa para a mineração deve continuar sendo sustentada por uma combinação de dólar mais fraco, taxas de juros em queda e riscos geopolíticos crescentes que favorecem os investimentos em ativos físicos”, aponta.
O banco acredita também que a Vale possui uma boa estratégia para equilibrar seu portfólio de minério de ferro e crescer no setor de cobre.
A avaliação também é atrativa em termos relativos, com a Vale negociando a 10% do fluxo de caixa livre (FCFy) no mercado spot, contra 7%/8% de concorrentes como BHP e Rio Tinto. A Vale também apresenta uma estratégia de alocação de capital mais sólida, com risco limitado de fusões e aquisições e desempenho operacional em melhoria.
Investidores locais com quem o banco conversa também se mostram cautelosos em relação às principais commodities no Brasil (incluindo petróleo, proteína, aço e celulose), e a Vale se destaca em termos de retorno de FCF, podendo se posicionar de forma relativamente defensiva em um ano eleitoral como o de 2026.
O risco reside no fato de que os preços do minério de ferro provavelmente já atingiram o pico do ciclo, e o Goldman Sachs prevê uma correção de 9% até o final de 2026.