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sábado, janeiro 17, 2026

Cafés ‘para viagem’ podem conter milhares de fragmentos de microplástico, alerta estudo

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São 7h45 da manhã. Você pega um café para viagem na sua cafeteria favorita, segura a embalagem para viagem quente com as mãos, dá um gole e segue para o escritório. Para a maioria de nós, esse copo parece inofensivo – apenas um utensílio prático para consumir cafeína. No entanto, se esse copo for de plástico ou tiver um revestimento plástico fino, há uma grande probabilidade de que milhares de minúsculos fragmentos de plástico estejam sendo liberados diretamente na sua bebida.

Em uma nova pesquisa da qual sou coautor, publicada no Journal of Hazardous Materials: Plastics, analisamos como esses copos se comportam quando esquentam. A mensagem é clara: o calor é um dos principais fatores que levam à liberação de microplásticos, e o material do seu copo importa mais do que você imagina.

O que são microplásticos?

Os microplásticos são fragmentos de plástico que variam de cerca de 1 micrômetro a 5 milímetros de tamanho – aproximadamente do tamanho de um grão de poeira ao tamanho de uma semente de gergelim.

Eles podem ser criados quando objetos plásticos maiores se decompõem ou podem ser liberados diretamente dos produtos durante o uso normal. Essas partículas acabam no nosso meio ambiente, nos nossos alimentos e, eventualmente, nos nossos corpos.

Atualmente, não temos evidências conclusivas sobre a quantidade exata de microplásticos que permanece em nossos corpos. Estudos sobre esse assunto são altamente suscetíveis à contaminação e é muito difícil medir com precisão os níveis dessas partículas minúsculas no tecido humano.

Além disso, os cientistas ainda estão investigando o que os microplásticos podem significar para a saúde humana a longo prazo. Mais pesquisas são urgentemente necessárias, mas, enquanto isso, é importante estar ciente das potenciais fontes de microplásticos em nosso dia a dia.

Meus colegas e eu realizamos inicialmente uma meta-análise – uma síntese estatística de pesquisas existentes – analisando dados de 30 estudos revisados ​​por pares.

Analisamos o comportamento de plásticos comuns, como o polietileno e o polipropileno, sob diferentes condições. Um fator se destacou acima de todos os outros: a temperatura.

À medida que a temperatura do líquido dentro de um recipiente aumenta, a liberação de microplásticos geralmente também aumenta. Nos estudos que analisamos, as liberações relatadas variaram de algumas centenas de partículas a mais de 8 milhões de partículas por litro, dependendo do material e do desenho do estudo.

Curiosamente, o “tempo de imersão” – quanto tempo a bebida permanece no copo – não foi um fator determinante consistente. Isso sugere que deixar a bebida em um copo de plástico por muito tempo não é tão importante quanto a temperatura inicial do líquido ao entrar em contato com o plástico.

Testando 400 xícaras de café

Para ver como isso funciona no mundo real, coletamos 400 copos de café de dois tipos principais em Brisbane: copos de plástico feitos de polietileno e copos de papel revestidos de plástico, que parecem de papel, mas têm uma fina camada de plástico por dentro.

Testamos os produtos a 5°C (temperatura do café gelado) e a 60°C (temperatura do café quente). Embora ambos os tipos tenham liberado microplásticos, os resultados revelaram duas tendências principais.

Em primeiro lugar, o material importa. Os copos de papel com revestimento plástico liberaram menos microplásticos do que os copos totalmente de plástico em ambas as temperaturas.

Em segundo lugar, o calor desencadeia uma liberação significativa. No caso dos copos totalmente de plástico, a troca de água fria por água quente aumentou a liberação de microplásticos em cerca de 33%. Se alguém beber 300 mililitros de café em um copo de polietileno por dia, poderá ingerir 363.000 partículas de microplástico por ano.

Mas por que exatamente o calor é tão importante?

Utilizando imagens de alta resolução, examinamos as paredes internas desses copos e descobrimos que os copos totalmente de plástico tinham superfícies muito mais ásperas – cheias de “picos e vales” – em comparação com os copos de papel revestidos de plástico.

Essa textura mais áspera facilita o desprendimento de partículas. O calor acelera esse processo, amolecendo o plástico e fazendo com que ele se expanda e contraia, criando mais irregularidades na superfície que eventualmente se fragmentam na nossa bebida.

Não precisamos abandonar o hábito de pedir comida para viagem pela manhã, mas podemos mudar a forma como o fazemos para gerenciar o risco.

Para bebidas quentes, a melhor opção é usar um copo reutilizável de aço inoxidável, cerâmica ou vidro, pois esses materiais não liberam microplásticos. Se precisarmos usar um copo descartável, nossa pesquisa sugere que copos de papel com revestimento plástico geralmente liberam menos partículas do que copos de plástico puro, embora nenhum dos dois seja totalmente livre de microplásticos.

Por fim, como o calor é o fator que desencadeia a liberação de substâncias no plástico, evite colocar líquidos ferventes diretamente em recipientes com revestimento plástico. Pedir ao barista para resfriar um pouco o café antes de servi-lo pode reduzir o estresse físico no revestimento plástico e diminuir a exposição geral.

Ao entendermos como o calor e a escolha dos materiais interagem, podemos projetar produtos melhores e fazer escolhas mais acertadas para nossa dose diária de cafeína.

*Xiang Yu Liu é Pesquisador Associado na Escola de Meio Ambiente e Ciências e Instituto Australiano de Rios, Universidade Griffith.

[Fonte Original]

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