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segunda-feira, janeiro 5, 2026

‘DINK’: Jovens chineses sem filhos desafiam pressão social em meio à crise demográfica

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A opção de jovens chineses por não ter filhos, apesar da pressão familiar e social, ganha força em um momento em que a China enfrenta uma crise demográfica profunda e tenta reverter a queda histórica nas taxas de natalidade.

A tendência é exemplificada por histórias como a de Grace, de 25 anos, que decidiu não ter filhos com o marido, apesar da pressão dos pais e da sociedade, em um momento em que a China busca impulsionar suas taxas declinantes de natalidade.

Uma década depois de o gigante asiático revogar a rígida política do filho único, o país enfrenta uma profunda crise demográfica. Modelos das Nações Unidas preveem que a população chinesa caia dos atuais 1,4 bilhão para cerca de 800 milhões em 2100. Em 2024, o país registrou apenas 9,54 milhões de nascimentos — metade do número observado em 2016.

Cada vez mais jovens como Grace se autodenominam “DINK”, sigla da expressão em inglês “dual income, no kids”, ou “dupla renda, sem filhos”. Alguns descartaram definitivamente a possibilidade de ter filhos; outros apenas adiaram a decisão.

Os motivos variam e incluem os altos custos para criar crianças e preocupações com a carreira profissional. Grace, que pediu para ser identificada por seu nome em inglês, afirma que precisa de uma renda maior e de mais economias antes de formar uma família. Sem essas condições, “nem sequer consideraria ter filhos”, disse a criadora de conteúdo.

O termo “DINK” tornou-se viral nas redes sociais chinesas.

— Se eu divulgasse o fato de que sou uma DINK e levo uma vida confortável, certamente haveria muita gente incomodada — comentou Grace à AFP.

Desde o fim da política do filho único, que vigorou por mais de três décadas como instrumento de combate à pobreza e à superpopulação, as autoridades chinesas vêm lançando iniciativas para estimular a natalidade. Entre elas, medidas de apoio ao cuidado infantil, como subsídios anuais de até 500 dólares por filho com menos de três anos, segundo informou a imprensa estatal em julho.

O governo também reduziu impostos sobre preservativos e outros contraceptivos. Ainda assim, especialistas afirmam que o país enfrenta obstáculos significativos para reverter a tendência de queda nos nascimentos.

— Está crescendo o número de pessoas que optam por não se casar ou não ter filhos — afirmou à AFP o demógrafo independente He Yafu. Para Pan Wang, professora da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália: — A política do filho único reconfigurou as normas familiares e os estilos de vida, porque muita gente, especialmente a geração do filho único, se acostumou e muitas vezes prefere famílias pequenas.

Segundo a pesquisadora, o aumento do custo de vida e a incerteza econômica também pesam na decisão de não ter filhos. Wang Zibo, morador de Pequim de 29 anos, disse que ele e a esposa decidiram esperar até que “a economia se estabilize” antes de ampliar a família.

— Observando a situação da China atualmente, o principal motivo (para que casais jovens não tenham filhos) é que a economia está um pouco fraca — explicou à AFP.

Além disso, longas jornadas de trabalho continuam a marcar a rotina no país, dentro da chamada cultura “996” — das 9h às 21h, seis dias por semana.

— As pessoas estão excessivamente ocupadas com o trabalho (…) é difícil encontrar tempo para pensar [em formar uma família] — disse Wang.

Em 2016, a China passou a permitir que casais tivessem um segundo filho. Cinco anos depois, Pequim flexibilizou ainda mais as regras, autorizando o nascimento de um terceiro. Ainda assim, ter apenas um filho já representa uma grande responsabilidade, segundo Wang Zibo, que cita o caso de um amigo que teve um bebê pouco depois de se casar.

He Yafu estima que, se a taxa de fecundidade — atualmente em torno de um filho por mulher — se mantiver no longo prazo, o país enfrentará uma redução contínua da população e um rápido envelhecimento demográfico.

— Isso aumentará no futuro o peso do cuidado com os idosos, enfraquecerá a força nacional da China e prejudicará o desenvolvimento econômico — advertiu o demógrafo.

[Fonte Original]

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