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sexta-feira, janeiro 9, 2026

Nova vacina da dengue será testada em três cidades brasileiras; veja quais e como será estudo

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Moradores das cidades de Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE) estarão entre os primeiros brasileiros a receber a dose única da Butantan-DV, a inovadora vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Nos dias 17 e 18 de janeiro, os municípios terão aplicação em massa do imunizante em todos os moradores de 15 a 59 anos. A aplicação em locais específicos é parte de um grande estudo populacional com uso da vacina no “mundo real”, como costumam chamar os especialistas.

— Sabemos que a vacina é bem segura e eficaz para o indivíduo. Porém, também sabemos que essa vacina terá um bom efeito urbano, com a pessoa imunizada deixando de participar do processo de transmissão da doença. Isso porque a dengue é uma doença que conta com o ser humano para se manter viável no ambiente — inicia Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI). — Queremos saber qual percentual da população teremos que vacinar para a doença parar de circular no território.

Ou seja, a grande jogada da pesquisa que usará as primeiras 300 mil doses do imunizante já disponibilizadas pelo Instituto Butantan é saber quando a vacinação será capaz de barrar o volume de casos de dengue, mesmo entre os não vacinados. Momento em que se atinge a imunidade coletiva, de rebanho.

A escolha das cidades, diz Gatti, leva em conta o tamanho médio entre 100 mil e 200 mil habitantes, a capacidade de realizar a vacinação em massa e, no caso de Maranguape, avaliar a circulação do sorotipo 3 da doença.

Um dos profissionais à frente da pesquisa, o diretor do curso de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu, Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, explica que indicadores iniciais apontam que com metade da população brasileira vacinada já será possível ter o que chama de “um impacto populacional imenso”.

— A pessoa vacinada não adoecendo, ela deixa de disseminar a dengue. Isso lembrando que o mosquito pica uma pessoa, o vírus se reproduz no intestino dele e, ao picar outras pessoas, leva à transmissão. Então, embora exista um vetor, é também uma transmissão entre pessoas — afirma Fortaleza.

Ou seja, o volume de doentes, conforme explica Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e também membro da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI), é como pólvora para a explosão de ainda mais casos numa região.

— O cenário de muitos mosquitos encontrando facilmente pessoas doentes aumenta o que nós chamamos de “força da infecção”, isso multiplica o número de casos. Precisamos enfrentar essas duas questões, tanto o número de pessoas infectadas quanto de mosquitos. Com menos infecções e menos mosquitos começamos a reverter a lógica que permite o avanço da dengue— afirma o especialista.

De acordo com Carlos Fortaleza, a expectativa é começar a ver os primeiros efeitos da vacinação em massa nas três cidades cerca de 21 dias após a aplicação coletiva. Esse prazo repete o padrão visto quando Botucatu recebeu um estudo semelhante para avaliar o uso da vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca, em 2021. Outro estudo do tipo, com a vacina CoronaVac, foi feito em Serrana, também no interior paulista, para avaliar o funcionamento da vacina contra a Covid-19.

— Para esse resultado ser visto, porém, será preciso que as pessoas desses municípios busquem a vacinação no dia D (dia 17 para Nova Lima e Maranguape e 18 para Botucatu) — diz o especialista.

Eder Gatti, à frente do programa brasileiro de vacinação, lembra que o país já desenhou sua estratégia inicial de imunização, fora do estudo clínico que tocará as três cidades. A ideia é que os profissionais da atenção primária e pessoas mais velhas, dentro da faixa etária de aprovação da vacina pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sejam os primeiros a receber a Butantan-DV. Enquanto o país for ampliando suas vacinas disponíveis, o público elegível deve seguir “rejuvenescendo” até atingir toda a população.

Estimativas de quem acompanha a vacinação no país dão conta de que cerca de 150 milhões de brasileiros estarão aptos a receber doses de vacinas da dengue. Sejam elas em duas doses, como a desenvolvida pela farmacêutica Takeda, ou em dose única, caso da Butantan-DV. Em ambos os casos, o limite de idade para vacinação é de 59 anos. Mais estudos são necessários para que a a Anvisa libere a vacina para a população além dos 60 anos.

— Nós vamos usar esse pouco de doses que temos no começo (no estudo) para avaliar se de fato estamos diante de uma chance real de eliminar a doença no futuro por meio da vacinação — afirma Gatti.

A princípio, o Brasil terá acesso o primeiro montante de 1,3 milhão de doses do imunizante já produzidas pelo Instituto Butantan e, neste momento, em fase gradual de finalização. Além da produção “paulista”, a vacina também terá tração internacional na fabricação. Isso porque a instituição fechou um acordo com a fábrica chinesa Wuxi que, segundo anúncios iniciais, permitirá que o Brasil tenha acesso a mais 30 milhões de doses ainda no segundo semestre deste ano.

— O reforço que virá da China poderá mudar o cenário, permitirá a vacinação numa escala maior — afirma Gatti. — Vamos conseguir vacinar adultos perto da faixa etária de 59 anos neste 2026. Ano que vem, essas pessoas terão 60 anos, depois 61, 62, ou seja, vão envelhecer tendo sido expostas à vacina da dengue. Conforme avançarmos nessa população, que é hospitalizada bastante por dengue, teremos impacto (na gravidade das epidemias). Ao chegarmos à população em idade laboral, que é mais se infecta, teremos outro impacto. Vai-se criando uma dificuldade para a doença circular.

[Fonte Original]

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