O bitcoin (BTC) voltou a cair forte nesta quinta-feira (5) e reforçou o cenário de baixa que marca o mercado cripto neste início de ano. A maior criptomoeda do mundo perdeu o nível de US$ 70 mil pela primeira vez desde novembro de 2024, em meio ao avanço do chamado inverno cripto.
Em 2026, o bitcoin já acumula desvalorização superior a 20%. Desde a máxima histórica registrada em outubro do ano passado, a queda chega a 45%. O movimento amplia o clima de cautela entre investidores e pressiona todo o setor.
Sequência negativa pressiona o mercado
Nos últimos oito dias, o BTC fechou em alta apenas uma vez. Nesse intervalo, o preço caiu cerca de US$ 15 mil. O sentimento piorou ainda mais com o recuo do índice Fear & Greed, que passou de 14 para 12 pontos e se manteve na zona de medo extremo.
A leitura do mercado indica redução do apetite por risco. Investidores seguem mais defensivos e evitam ativos com maior volatilidade, como as criptomoedas.
Aversão a risco domina mercados globais
A queda do bitcoin ocorre em um ambiente global adverso. As bolsas europeias operam em baixa. Os futuros de Wall Street também recuam. A prata registra forte queda de 11,8%.
No centro das atenções, o resultado da Alphabet, controladora do Google, causou preocupação ao mostrar um aumento expressivo nos gastos com inteligência artificial. O dado pesou sobre ações de tecnologia e reforçou o movimento de aversão a risco.
Preços do bitcoin e das principais criptos
Às 10h30, horário de Brasília, o bitcoin caía 8,6% em 24 horas, cotado a US$ 69.172, segundo dados do CoinGecko. Em reais, a queda era de 8,1%, para R$ 364.237, conforme o Cointrader Monitor.
As perdas se espalharam entre as principais altcoins.
- Ether (ETH): queda de 8,1%, a US$ 2.049
- XRP: recuo de 14,7%, a US$ 1,35
- Solana (SOL): baixa de 7,4%, a US$ 88,63
- BNB: queda de 10,3%, a US$ 669,61
Mesmo com o movimento negativo, o valor total do mercado de criptomoedas soma US$ 2,43 trilhões.
Pressão macro e fatores políticos
Segundo André Franco, CEO da Boost Research, a combinação de dólar mais forte e queda das ações de tecnologia reduz o fluxo para ativos voláteis. Esse cenário favorece novas correções técnicas no bitcoin.
Relatório da Vault Capital aponta ainda o impacto de tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã e declarações do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. Ele afirmou que o país não fará novas compras de bitcoin para a reserva estratégica, apenas manterá os ativos já apreendidos.
Fluxo negativo nos ETFs de cripto
Nos ETFs de bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos, o saldo líquido foi negativo em US$ 544,9 milhões. O IBIT, da BlackRock, liderou as saídas, com US$ 373,4 milhões.
Já os ETFs de ether registraram retiradas de US$ 79,4 milhões. Nos produtos ligados à solana, o saldo negativo foi de US$ 6,7 milhões.
***Emerson Igor, com supervisão e colaboração de Jerffeson Brandão