Um estudo do Instituto Combustível Legal, ICL, identificou as cidades brasileiras com maior incidência de gasolina adulterada e outras fraudes nos postos. O levantamento aponta que 28% de todo o combustível analisado no país apresenta algum tipo de irregularidade. Os dados acendem um alerta para motoristas, sobretudo em regiões metropolitanas e polos logísticos.
O mapeamento usa o método do “cliente misterioso”. Veículos do instituto abastecem de forma anônima em postos selecionados, coletam amostras e enviam o material para análise em laboratório. A partir disso, o ICL cria mapas de calor que indicam as áreas com maior risco de adulteração.
Resultados do levantamento nacional
Ao longo de 2025, o instituto coletou 3.210 amostras de gasolina, etanol e diesel em 14 estados. Do total, 888 estavam fora das normas técnicas.
- Total de amostras, 3.210
- Amostras irregulares, 888
- Índice de não conformidade, 28%
A fiscalização ganhou força após a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que revelou a atuação do crime organizado na produção e distribuição de combustíveis em pelo menos oito estados.
As 20 cidades com mais registros de gasolina adulterada
A fraude mais comum envolve a gasolina fora dos padrões de qualidade, seja pelo excesso de etanol ou pela adulteração direta do produto. O Sudeste concentra a maior parte dos registros.
- Rio de Janeiro (RJ)
- Duque de Caxias (RJ)
- Nova Iguaçu (RJ)
- São Gonçalo (RJ)
- Curitiba (PR)
- São José dos Pinhais (PR)
- Belo Horizonte (MG)
- Contagem (MG)
- Salvador (BA)
- Lauro de Freitas (BA)
- Camaçari (BA)
- São Bernardo do Campo (SP)
- Curitiba (PR)
- São Paulo (SP)
- Guarulhos (SP)
- Campinas (SP)
- Santos (SP)
- Jundiaí (SP)
- Santo André (SP)
- São Bernardo do Campo (SP)
- São Caetano do Sul (SP)
Além da qualidade da gasolina, muitas dessas cidades também aparecem no topo das ocorrências de fraude volumétrica, quando a bomba entrega menos combustível do que indica no visor.
Segundo Carlo Faccio, diretor executivo do ICL, apenas no Paraná, 52% das fraudes volumétricas identificadas no estudo ocorreram em postos localizados em Curitiba e região metropolitana. Em alguns casos, a diferença entre o volume pago e o recebido chegou a 31%.
Metanol amplia o risco em cidades específicas
Embora menos frequente, a adulteração com metanol preocupa pelas consequências à saúde. O balanço mais recente do ICL aponta maior incidência desse tipo de fraude em Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Curitiba e São Bernardo do Campo. Em investigações recentes, autoridades encontraram combustível clandestino com alta concentração da substância, considerada tóxica e altamente corrosiva.
O estudo mostra que o avanço do crime organizado dificulta o rastreamento das fraudes. Postos antes confiáveis podem mudar de padrão rapidamente. Por isso, o ICL recomenda atenção redobrada ao abastecer, principalmente nas cidades listadas como zonas de maior risco.