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quinta-feira, fevereiro 19, 2026

Atacadão projeta mais 70 lojas até 2030

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Controlado pelo grupo Carrefour, o Atacadão planeja abrir 40 lojas no país até 2028, e 70 em cinco anos, o que equivale a 18% da sua base atual de pontos. Isso corresponde a 14 novas unidades ao ano, em média, e é parte do plano dos franceses que tem sido cobrados por maior crescimento e rentabilidade – e o Brasil é fundamental para essa entrega.

Se abrir as 70 unidades, atingirá 455 pontos em 2030. Não chega a ser algo impraticável – o grupo inaugurou 22 lojas do Atacadão ao ano em 2021 e 2022. Se fizerem conversões de seus hipermercados em atacarejos, como em anos passados, isso tende a avançar. Mas importante lembrar que, nesses anos em que abriu mais pontos, o país tinha juros de um dígito baixo, e hoje a Selic está em 15%.

Esse planejamento até 2030 deve envolver período de custo de capital mais baixo no país, e menor pressão sobre o orçamento das famílias. Bancos projetam taxa Selic em 10,5% no fim de 2027, segundo o Boletim Focus.

A meta de aberturas faz parte do plano estratégico apresentado na quarta-feira (18) pela rede francesa. Pelo anunciado, França, Brasil e Espanha serão foco de investimentos, mas também de busca de maior retorno sobre o capital.

O grupo fala em simplificar mais as estruturas e pretende reduzir custos em €1 bilhão anualmente até 2030, segundo o CEO Alexandre Bompard, para melhorar os lucros quase 10 anos após o executivo ter chegado à rede.

Embora possa finalmente estar no caminho certo, o Carrefour é uma história que precisa ser comprovada”

— Bernstein

Nesse período, a ação da varejista na bolsa de Paris caiu 33%, com a cadeia pressionada pela forte concorrência de varejistas na Europa, principalmente na França.

Ontem, analistas viram a movimentação da companhia com ceticismo – desde 2017, trata-se do terceiro plano de Bompard para dar novo fôlego ao grupo, e em todos, o Brasil teve posição estratégica.

“Embora a gestão possa finalmente estar no caminho certo, o Carrefour continuará sendo uma história que precisa ser comprovada”, escreveram os analistas da casa de análises Bernstein em relatório.

Após anunciar o plano e informar queda no lucro operacional em 2025, a ação na bolsa francesa fechou em queda de 4,84% na quarta-feira (18). Na França, a venda também cresceu de outubro a dezembro menos que os analistas projetavam.

Nesse cenário, o comando anunciou metas mais arrojadas. A rede quer aumentar a margem operacional de 2,6%, em 2025, para 3,2% em 2028 e 3,5%, em 2030. E projeta fluxo de caixa livre líquido de € 5 bilhões de 2026 a 2028. A analistas, Bompard falou que o que está em jogo daqui para frente é uma rápida e bem feita execução das metas.

O movimento do Atacadão no Brasil é algo que vai na contramão do concorrente Assaí, que, pelo menos por enquanto, puxou o freio de mão. Na semana passada, o Assaí informou redução nas inaugurações, como reflexo dos efeitos dos juros na alavancagem financeira. A projeção caiu de dez para cinco unidades em 2026, e a ação disparou 8% no dia do anúncio.

Em seu relatório, o comando do Carrefour global chamou a atenção para os efeitos negativos do juros e da deflação no Brasil, mas com as novas aberturas no país, pode ter se antecipado à queda nos juros que deve começar em março.

Além disso, a França sabe que depende de uma aceleração no desempenho no Brasil para avançar no plano de melhoria de expansão na receita e de lucratividade. O Brasil foi 21,5% das vendas do grupo Carrefour no mundo em 2025 – quase o dobro da Espanha e só é menor que a França.

As vendas do Atacadão ainda parecem instáveis por aqui: caíram 0,4% no país no quarto trimestre de 2025 em “mesmas lojas” (pontos em operação há mais de 12 meses), versus alta de 1,3% no terceiro trimestre. O rival Assaí cresceu 0,9% no quarto trimestre e foi “flat” no trimestre anterior.

“O segmento continuou impactado pelo ambiente macroeconômico, principalmente pelas taxas de juros, que permaneceram muito altas e afetaram o poder de compra das famílias de menor renda”, disse o Carrefour em seu material de resultados na terça-feira (17).

Os supermercados e hipermercados do Carrefour, no entanto, cresceram 1,2%. O Sam’s Club avançou 0,3% no quarto trimestre.

É o oposto do que se via no passado, quando o atacarejo, o “queridinho” do mercado por anos, ajudava a sustentar a venda na rede. Isso acontece porque o Atacadão depende mais da venda de “commodities” (arroz, feijão, café) do que outras redes. E quando há deflação alimentar nesses itens, a rede sente esse baque.

Se o Atacadão abrir mais lojas como a matriz quer, acelerando crescimento orgânico, pode ter melhores chances de a venda engatar expansão mais sólida. E com rentabilidade se as despesas e a briga por preços não engolirem as margens. Na visão de ex-executivos da rede, pode ser que a matriz esteja de olho nisso.

Sobre os números do ano passado, no acumulado de 2025 o lucro operacional recorrente no Brasil caiu em euros: foi de € 709 milhões, comparado a €764 milhões em 2024. A taxas de câmbio constantes, o retorno sobre o capital investido foi estável no Brasil graças à disciplina de custos, ou seja, sem crescimento, admitiu o grupo no balanço.

Além disso, a matriz almeja que o Brasil alcance 20% de participação de mercado em vendas de alimentos em 2030. Também planeja dobrar o tamanho da venda digital do Atacadão – estatisticamente mais fácil, já que é uma unidade de negócios mais nova na empresa.

Mas em relação ao aumento do “market share” no Brasil, para 20%, é uma meta bem agressiva. Segundo cálculos do Valor, esse índice, entre 2024 e 2025, deve ter ficado entre 9% e 11%, a depender da fonte de dados.

Isso porque, em 2025, a rede teve venda de €19,5 bilhões no Brasil (ou R$ 126,5 bilhões, usando o câmbio de 31 de dezembro). Em reais, trata-se de alta de 2,5% sobre 2024. O setor terá vendido de R$ 1,2 trilhão a R$ 1,3 trilhão, segundo projeções de dados da Abras (associação do setor) e de consultorias.

A empresa ainda comunicou o lançamento de sua marca própria no Brasil chamada Bulnez (mesmo nome na Argentina), com 500 itens até 2028, e a criação de um único programa de fidelidade para todas as bandeiras, o “Nosso Clube”.

[Fonte Original]

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