A economia da Índia cresceu 7,8 % entre outubro e dezembro em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado mostra uma desacelaração diante da alta de 8,4% registrada no trimestre imediatamente anterior. O motivo foi a redução do ritmo de gastos e investimentos do governo, mesmo com o forte aumento do consumo privado.
Para o ano fiscal completo que termina em março, o governo espera que a economia do Sul da Ásia tenha crescido 7,6%, informou o Escritório Nacional de Estatísticas ao divulgar uma série revisada de dados de produção nacional. A previsão anterior era de crescimento de 7,4%.
Se a projeção se confirmar, a Índia continuará sendo a economia de grande porte que mais cresce no mundo.
A Índia tenta superar os desafios tarifários
O governo do primeiro-ministro, Narendra Modi, comprometeu-se a reformular os dados econômicos, incluindo os da inflação e do Produto Interno Bruto (PIB), ampliando as fontes de informação e atualizando o ano-base para 2022-23, entre outras mudanças. Os ajustes visam responder às críticas sobre práticas de dados desatualizadas e aumentar a precisão.
Estima-se que o PIB nominal da Índia para 2025/26, que exclui o impacto da inflação, cresça 8,6%. Ao apresentar o orçamento para o ano fiscal de 2026/27 no início deste mês, o governo estimou a taxa de crescimento nominal da Índia para o próximo ano em 10%, tendo como base o ano anterior.
Durante grande parte do atual ano fiscal, a economia da Índia enfrentou a incerteza causada pelas tarifas dos EUA, que afetaram negativamente as exportações.
Em resposta, o governo de Modi acelerou reformas internas, incluindo a redução dos impostos sobre o consumidor em centenas de itens e o avanço das reformas trabalhistas há muito adiadas.
No início deste mês, Nova Déli chegou a um acordo provisório com Washington que reduz as tarifas efetivas para 18%, aliviando as tensões comerciais, embora o acordo ainda não tenha sido formalmente assinado.
A decisão da Suprema Corte dos EUA de derrubar as tarifas globais do presidente Donald Trump pode melhorar a posição comercial da Índia em suas próximas negociações interinas.
Enquanto isso, Trump anunciou uma tarifa temporária de 10% sobre todas as nações, incluindo a Índia, e prometeu aumentá-la para 15%.
Segundo a nova série do PIB, o consumo privado registrou expansão de 8,7% em relação ao ano anterior no período de outubro a dezembro, comparado a uma expansão de 8% no trimestre imediatamente anterior.
Os gastos do governo aumentaram 4,7% em relação ao ano anterior, no período de outubro a dezembro, uma queda em relação ao aumento de 6,6% no trimestre anterior.
Os setores de serviços financeiros e hotelaria mantiveram-se fortes. O crescimento da produção agrícola, setor que emprega mais de 40% da força de trabalho, deverá desacelerar para 1,4% no atual ano fiscal, em comparação com 2,3% no trimestre anterior.
“O desempenho do setor de serviços sinaliza uma forte recuperação, além do crescimento de dois dígitos no setor manufatureiro”, disse Radhika Rao, economista do DBS Bank, com sede em Singapura. “O trimestre de outubro a dezembro também se beneficiou da racionalização dos impostos indiretos e da demanda festiva, além de um melhor desempenho do setor agrícola rural”, disse Rao.