Em meio às incertezas comerciais com as tarifas impostas pelo presidente americano, Donald Trump, e ao aumento das preocupações com o risco de um conflito militar entre os EUA e o Irã, a maior aversão a risco vista lá fora afetou em cheio o Ibovespa nesta segunda-feira.
Durante a manhã, a principal referência acionária local chegou a virar para o campo positivo e renovar recorde intradiário, aos 191.003 pontos, mas o alívio foi breve diante da abertura mais negativa das bolsas de Nova York, que ocorreu logo na sequência. No fim, o Ibovespa exibiu perda de 0,88%, aos 188.853 pontos, sendo que tocou os 188.526 pontos, na mínima do dia, pressionado pela queda forte de blue chips de bancos.
O movimento local teve como reflexo a maior cautela registrada lá fora. Em Wall Street, os principais índices americanos cederam: no fim, o Dow Jones recuou 1,66%; o Nasdaq teve perda de 1,13%; e o S&P 500 exibiu baixa de 1,04%.
Um dos fatores que pesaram sobre o mercado acionário americano foi a divulgação de um relatório da Citrini Research, casa focada em investimentos temáticos. O documento mostrou um cenário hipotético em que a casa destacou os efeitos negativos da inteligência artificial sobre o desemprego, a renda das famílias e o consumo.
O relatório afetou, especialmente os papéis do setor financeiro americano, que lideraram as perdas. O recuo visto no exterior ajudou a ampliar as perdas por aqui: Santander Units (-5,69%); Itaú Unibanco PN (-3,62%); BTG Pactual Units (-2,52%); Bradesco PN (-2,44%); e Banco do Brasil (-0,59%).
Segundo analistas, o dia foi de realização de lucros para os papéis de instituições financeiras. “Subiu muito semana passada, mas com a liquidez baixa por conta do Carnaval. O movimento de alta de bancos tem sido completamente em cima de fluxo estrangeiro. É normal ter uma ‘respirada’”, diz um participante.
Mesmo após a forte alta de alguns papéis de bancos, o sócio e gestor da RPS Capital, Thalles Franco, permanece com uma visão mais positiva para o setor, em virtude da perspectiva de que os fluxos estrangeiros para mercados emergentes possam continuar, em um momento em que os níveis de preços das ações do setor estão descontados na comparação com pares globais.
“Existe um certo espaço de ‘valuation’ para o Brasil continuar ‘outperformando’ [performance acima da média] pelo fato de negociar com desconto. O fluxo deve continuar vindo para todos os emergentes e um dos setores mais relevantes nos índices é o de bancos”, observa Franco. Atualmente, ele conta que as duas maiores exposições no setor financeiro estão em Bradesco e Nu.
Enquanto bancos lideraram as perdas entre blue chips, papéis de commodities registraram valorização. Em determinado momento do pregão, as ações da Petrobras chegaram a subir mais de 3%, em linha com pares globais e com o apoio da alta dos preços de petróleo, mas a virada das cotações da commodity pesou um pouco sobre o papel durante a tarde. No fim, as ON da petroleira ganharam 1,95% e as PN subiram 1,63%. Já as ações da Vale avançaram 0,67%.
As maiores altas da sessão, porém, ficaram para as ações da Raízen PN, que subiram 3,33%. Já a liderança entre as quedas ficou para os papéis da Vibra, que recuaram 4,24%. Segundo o Itaú BBA, os três maiores “players” do setor de distribuição de combustíveis (Vibra, Ipiranga e Raízen) perderam participação nos mercados de diesel e de insumos para motores de ciclo Otto, como gasolina e etanol, em janeiro.
Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 22,7 bilhões e de R$ 31,6 bilhões na B3.