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terça-feira, fevereiro 3, 2026

Pleno emprego no mercado de trabalho começará a refluir

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O ano de 2025 terminou sendo um dos melhores para o trabalho desde que a série histórica do IBGE começou a ser feita em 2012. A média do ano registrou a menor taxa de desemprego em 13 anos, de 5,6%, o maior número de trabalhadores ocupados (103 milhões), e o maior nível de ocupação (pessoas de 14 anos ou mais, em relação ao total de pessoas com idade de trabalhar), 59,1%. O último trimestre isoladamente teve a menor taxa de desemprego de todas, 5,1%. O aquecimento do mercado de trabalho tem sido motivo constante de preocupação para o Banco Central, que se prepara para iniciar um ciclo de baixa dos juros, um fator de pressão sobre os salários. Há sinais, porém, de que esse desempenho forte começou a refluir.

As vagas formais líquidas (postos criados menos postos fechados) em dezembro, de 1,28 milhão, foram as menores desde a pandemia, em 2020, segundo estatísticas do Caged. No mês de dezembro, houve fechamento líquido de 618,2 mil vagas. A agricultura teve resultado positivo, enquanto a indústria foi o setor que mais demitiu. O ano fechou com cinco resultados mensais consecutivos de queda das admissões com carteira assinada.

O mercado favorável aos trabalhadores tornou encontrar mão de obra disponível uma tarefa bem mais difícil para as empresas. A renda real (descontada a inflação) originada do trabalho foi a maior da série da Pnad e atingiu R$ 3,61 mil mensais. A facilidade de encontrar ocupação e a busca, nessas condições, por vagas de melhores rendimentos levaram ao aumento do salário de admissão dos empregados para R$ 2.340 (Folha de S. Paulo, ontem). Pesquisa sobre escassez de mão de obra feita em outubro e novembro pelo Ibre da Fundação Getulio Vargas indicou que quase dois terços das empresas (66,3% da amostra de 3.763 companhias) apontaram dificuldades para contratar pessoal, ante 58,7% há um ano. Dessa forma, uma parcela razoável delas, de 19%, teve de aumentar os salários para obter a mão de obra que desejava, ante 13,7% no levantamento anterior.

Entre os grandes empregadores, o setor de hipermercados viu o salário inicial subir 5,8%. A alta do salário médio inicial, ante dezembro de 2024, foi um pouco menor em bares e restaurantes, no levantamento feito com base nos dados do Caged por Bruno Imazumi, da consultoria 4Intelligence. Outros 36,2% dos entrevistados na pesquisa do Ibre resolveram aumentar os benefícios para atrair trabalhadores ou retê-los.

Há vários fatores que levaram a taxa de desemprego a um nível abaixo do considerado anteriormente como pleno emprego, calculada entre 8%-9%. Reestimativas apontam que ela estaria hoje em torno de 6,5%. Um dos motivos, apontado pelo economista Daniel Duque, é que as mudanças demográficas já estão criando um déficit estrutural de jovens no mercado de trabalho. Contribui com essa tendência o aumento significativo do grau de instrução dos jovens. Em 2016, 64,1% deles haviam concluído o ensino médio, porcentagem que agora saltou para 75,1%, segundo o pesquisador Marcelo Neri (O Globo, 1-2).

Isso significa que, se a estrutura do mercado de trabalho fosse a mesma de 2012 em termos demográficos e de instrução, a taxa de desemprego seria hoje 1,5 ponto percentual maior, segundo o economista André Valério, do banco Inter. Estudos feitos por Fernando de Holanda Barbosa Filho, Paulo Peruchetti, Janaína Feijó e Daniel Duque, do Ibre, tendo como base 2016, encontraram entre abril e junho de 2025 uma taxa de desemprego 0,7 ponto percentual maior que a vigente (5,8%). A mesma comparação feita em relação aos salários revelou que, em relação ao período de comparação, eles não haviam crescido tanto quanto pareciam sugerir (4% a 5% reais).

Quanto o mercado precisaria esfriar para que a taxa de desemprego chegasse a seu “nível natural”, a que não provocasse pressões para cima ou para baixo na remuneração? Os economistas do Santander, considerando o período de 18 meses que o Banco Central estabelece para chegar à meta de 3%, calcularam que ela seria de 6%. Isso representa uma criação de 28 mil empregos mensais nas estatísticas do Caged e de 58 mil na Pnad Contínua para mantê-la estável no nível “natural”. No caso da Pnad Contínua, o nível já está próximo do indicado pelo estudo, de 56 mil postos líquidos criados na última média móvel trimestral (Valor, 30-1).

O mercado de trabalho deve esfriar suavemente, porque o crescimento não sofrerá uma queda vertiginosa (o Focus prevê 1,8%). Há uma série de estímulos oficiais a caminho, e os efeitos ainda não mensurados da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil podem dar fôlego adicional ao consumo. Aumentos de salários reais são saudáveis a curto prazo, mas sua persistência abaixo do índice de produtividade, que tem ocorrido nas últimas duas décadas, acende um sinal de alerta sobre a inflação. Salários e o fim do bônus demográfico, no entanto, corroboram o imperativo de se elevá-la, e um passo fundamental é melhorar o nível de educação.

[Fonte Original]

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