Após sua expressiva vitória eleitoral, Sanae Takaichi foi reconduzida ao cargo de primeira-ministra do Japão, uma formalidade que lhe permitirá concentrar os esforços na rápida aprovação do orçamento anual e implementar o acordo comercial firmado com o presidente dos EUA, Donald Trump.
A votação no parlamento para confirmá-la como líder na quarta-feira era praticamente certa, depois que seu Partido Liberal Democrático garantiu uma maioria de dois terços na Câmara Baixa nas eleições de 8 de fevereiro. Ela manteve a composição de seu gabinete inalterada.
A vitória histórica de Takaichi nas eleições para a Câmara Baixa lhe deu um mandato para levar adiante uma série de promessas e políticas ambiciosas de campanha, incluindo o aumento do investimento em áreas como inteligência artificial e indústria de semicondutores, além do fortalecimento das capacidades de defesa. A primeira-ministra também prometeu acelerar as negociações para a suspensão do imposto sobre vendas de alimentos por dois anos.
“Vamos acelerar as discussões sobre o cronograma, o financiamento e a viabilidade de reduzir temporariamente a zero o imposto sobre vendas de produtos alimentícios, sem depender da emissão de títulos deficitários”, disse ela em uma coletiva de imprensa realizada na noite de quarta-feira.
Takaichi afirmou que o corte de impostos seria considerado até que o mecanismo de crédito tributário reembolsável seja implementado.
Em relação às preocupações com os gastos, ela afirmou ser importante alcançar finanças sustentáveis, reduzindo a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto. Acrescentou ainda que estava acompanhando diariamente as taxas de juros e as oscilações do mercado cambial.
“Continuaremos buscando a confiança do mercado, garantindo que nossas finanças sejam sustentáveis”, disse Takaichi.
Na manhã de quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional fez um alerta sobre a redução do impostos no Japão, visto que os custos de financiamento da dívida pública devem dobrar.
Abordando outro tema de grande interesse para os investidores, Takaichi disse esperar que o Banco do Japão continue conduzindo sua política monetária visando atingir a meta de inflação estável em 2%.
Ela se recusou a divulgar detalhes de suas conversas com o governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, na segunda-feira. Na ocasião, Ueda afirmou que a primeira-ministra não havia feito nenhum pedido específico.
No passado, Takaichi criticou a ideia de aumentos nas taxas de juros como “estúpida”. Esse comentário ainda deixa alguns observadores do Banco do Japão com a impressão persistente de que ela poderia tentar desacelerar o ritmo de aumentos das taxas de juros pelo banco.
Em um sinal de progresso rumo à implementação de um acordo comercial e de investimento com os EUA antes de seu encontro com Trump em março, Takaichi seguiu o exemplo do presidente americano ao anunciar, na manhã de quarta-feira, o primeiro lote de projetos no âmbito do compromisso de investimento japonês de US$ 550 bilhões.
“Tanto o Japão quanto os EUA continuarão trabalhando em estreita colaboração para garantir a implementação rápida e tranquila dos projetos”, escreveu ela em uma publicação nas redes sociais.
Os projetos incluem uma instalação de gás natural com previsão de geração de 9,2 gigawatts de energia, uma instalação de exportação de petróleo bruto em águas profundas e uma fábrica de diamantes industriais sintéticos.
Por ora, as promessas de Takaichi provavelmente ficarão em segundo plano, enquanto ela se concentra na questão mais urgente da aprovação do orçamento para o ano fiscal de 2026, que começa em 1º de abril.
A dissolução do parlamento antes das eleições antecipadas diminuiu as perspectivas de aprovação do orçamento de 2026 dentro do prazo habitual de março, visto que as deliberações orçamentárias costumam levar mais de dois meses. Mesmo assim, Takaichi disse a membros do PLD que não desistiu de aprovar o orçamento até o final de março, segundo a mídia local.
Caso o orçamento principal não seja aprovado até março, Takaichi provavelmente terá que aprovar um orçamento provisório para manter as finanças em dia nesse ínterim. Um orçamento provisório cobre os custos básicos das operações governamentais, portanto, uma paralisação do governo nos moldes dos Estados Unidos é altamente improvável. Ainda assim, isso poderia gerar alguma incerteza, já que o governo operaria com um plano de gastos mínimo.
O orçamento de 2026 totalizará cerca de 122,3 trilhões de ienes (US$ 799 bilhões), marcando o maior orçamento inicial já registrado. Isso representa um aumento de aproximadamente 6,3% em relação aos 115,2 trilhões de ienes inicialmente alocados para o ano fiscal corrente.
Para ajudar a financiar os gastos, o governo planeja arrecadar cerca de 29,6 trilhões de ienes por meio da emissão de novos títulos públicos, afirmou Takaichi. A dependência do orçamento em relação à emissão de dívida deverá cair para 24,2% do total das despesas, ante 24,9% no ano corrente.
“Quero aprovar este orçamento o mais rápido possível, mesmo que seja apenas um dia antes”, disse ela.