A BRF S.A., subsidiária da Marfrig Global Foods, agora MBRF, ingressou como cotista subordinada no Paraná III Fundo de Investimento em Direitos Creditórios do Segmento Agronegócio, com aporte de R$ 300 milhões. A operação foi realizada em conjunto com a Agência de Fomento do Paraná S.A., que participa como cotista sênior com R$ 75 milhões, totalizando R$ 375 milhões no FIDC estruturado. O anúncio foi feito no início da noite desta terça-feira (24)
O fundo tem como objeto a aquisição de direitos creditórios originados de operações de crédito vinculadas às atividades agroindustriais desenvolvidas no Paraná, especialmente aqueles representados por Cédulas de Produto Rural Financeiras, as CPR-F. O instrumento permite antecipar recebíveis e estruturar financiamento com lastro na produção agropecuária.
Do total investido, R$ 300 milhões foram aportados pela MBRF na condição de cotista subordinada, assumindo maior exposição ao risco da carteira. A Fomento Paraná ingressou como cotista sênior por meio de veículo estruturado para essa finalidade, com aporte de R$ 75 milhões. O modelo segue a lógica de subordinação típica dos FIDC, em que as cotas subordinadas absorvem as primeiras perdas da carteira.
Os recursos captados serão destinados à concessão de crédito à própria companhia e aos produtores rurais integrados à sua cadeia produtiva no Estado. A maior parcela do montante será direcionada ao sistema de integração de aves e suínos, base do modelo industrial da empresa no Paraná. Parte dos recursos também poderá atender projetos nas unidades produtivas.
O Paraná lidera a produção nacional de carne de frango e está entre os principais produtores de suínos do País, segundo dados do IBGE e da Associação Brasileira de Proteína Animal. O sistema de integração envolve fornecimento de insumos, assistência técnica e compra da produção pela agroindústria, enquanto o produtor investe em instalações e manejo.
Miguel Gularte, CEO da MBRF, afirma que o instrumento amplia a capacidade de financiamento da cadeia integrada. “Este investimento reforça a solidez da nossa cadeia produtiva no Paraná e amplia nossa contribuição para o desenvolvimento da região. Ao fortalecer a integração e a infraestrutura produtiva, valorizamos os produtores, criamos bases para o crescimento sustentável e ampliamos nossa competitividade, gerando impacto positivo no negócio e nas comunidades”, diz.
O governador Ratinho Junior afirma que o Estado já opera três FIDC voltados ao agronegócio. “É o terceiro FIDC em funcionamento. Esse sistema ajuda a alavancar novos investimentos no agronegócio, potencializa o nosso PIB e fortalece a posição do estado como supermercado do mundo”, declara.
Claudio Stabile, diretor-presidente da Fomento Paraná, afirma que o modelo foi estruturado para ampliar alternativas de crédito ao setor agroindustrial. “Os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios do Agro são uma solução alternativa funcional criada pelo Governo do Paraná para impulsionar o desenvolvimento da agroindústria paranaense, que vinha sendo limitado em sua capacidade de crescimento por causa das altas taxas de juros”, afirma. “Neste momento, o recurso atende principalmente cooperados e integrados, mas os benefícios devem se espraiar pela cadeia produtiva ao longo do tempo, gerando novos negócios.”
A empresa informou que manterá o mercado atualizado sobre eventuais desdobramentos relacionados ao fundo. O desempenho da carteira de CPR-F e a demanda por crédito indicarão o ritmo de expansão da integração no Estado nos próximos ciclos.
A operação ocorre em um contexto de expansão da demanda global por proteína animal e de pressão sobre custos de produção, especialmente grãos destinados à ração. O acesso a crédito estruturado pode reduzir o custo financeiro para produtores integrados e viabilizar modernização de instalações, biosseguridade e ganho de escala.
Com o FIDC Paraná, a expectativa da empresa é ampliar a produção e consolidar a presença industrial no Estado, que concentra parte relevante da sua operação nacional. O desempenho do fundo e a adesão dos produtores devem indicar o ritmo de expansão do modelo de integração.