O Senado da Argentina deve aprovar nesta sexta-feira (27) a reforma trabalhista de Javier Milei. A medida busca modernizar a economia e aumentar o emprego formal, mas também representa um golpe estrutural contra o peronismo e o poder histórico dos sindicatos no país.
O que muda na negociação entre empresas e sindicatos?
A reforma acaba com a regra que mantinha contratos coletivos válidos para sempre até que um novo fosse assinado. Agora, esses acordos passam a ter prazo de validade. Isso obriga os sindicatos a negociarem de forma mais ágil, pois, se o prazo vencer sem um novo consenso, os trabalhadores podem perder benefícios que não estejam previstos na lei geral, mas apenas naquele contrato específico.
Como fica o direito de greve com as novas regras?
O direito à greve continua existindo, mas sofre restrições importantes em setores considerados essenciais. Nessas áreas, o funcionamento mínimo obrigatório subiu para 75% durante paralisações, e as forças de segurança devem manter 100% de operação. Além disso, a ocupação de empresas por manifestantes passa a ser considerada uma infração grave, sujeita a punições mais severas para os organizadores.
O desconto sindical obrigatório no salário vai acabar?
Não exatamente, mas ele foi limitado. O governo estabeleceu um teto de 2% do salário para o desconto em folha destinado aos sindicatos. Além disso, a renovação desse pagamento passa a depender de um acordo direto entre os sindicatos e os empregadores, o que retira o caráter automático e permanente que essa arrecadação possuía anteriormente.
Por que o movimento peronista está perdendo força no Congresso?
O peronismo enfrenta sua menor representação no Senado desde 1983. Esse enfraquecimento ocorre devido a rachas internos e derrotas eleitorais. Governadores de oposição, necessitando de recursos federais para suas províncias, acabaram negociando com o governo Milei e pressionando parlamentares a votarem a favor da reforma em troca de benefícios regionais, quebrando a unidade do bloco de esquerda.
Quais são os principais argumentos a favor da reforma?
O governo defende que a flexibilização das leis, como a mudança nas indenizações e o ajuste no sistema de férias, vai incentivar empresários a contratar mais. Atualmente, mais de 40% dos trabalhadores argentinos vivem na informalidade (sem carteira assinada). Para os defensores da medida, as regras antigas eram rígidas demais e impediam o crescimento econômico e a criação de postos de trabalho modernos.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.