O deputado Ro Khanna, do 17º Distrito da Califórnia, deu início nesta quinta-feira (5) a uma investigação sobre um investimento de US$ 500 milhões feito por um membro da família real dos Emirados Árabes Unidos na World Liberty Financial, a empresa de criptomoedas da família Trump. No documento, Khanna levanta questões sobre se o acordo influenciou a política dos EUA em relação às exportações de chips de IA avançados para os Emirados Árabes Unidos.
“Trata-se de confiança pública e transparência”, tuitou ao anunciar a investigação.
A investigação foi desencadeada por uma reportagem do Wall Street Journal na semana passada, que revelou que a Aryam Investment 1, controlada pelo conselheiro de segurança nacional dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, adquiriu uma participação de 49% na World Liberty Financial por US$ 500 milhões, apenas quatro dias antes da posse de Trump.
Segundo informações, o acordo destinou aproximadamente US$ 187 milhões a entidades da família Trump e US$ 31 milhões a entidades ligadas à família de Steve Witkoff.
Em poucos meses, o governo Trump reverteu as restrições da era Biden e aprovou licenças de exportação que permitiram aos Emirados Árabes Unidos o acesso a dezenas de milhares de chips de IA avançados, anteriormente bloqueados devido a preocupações de que a tecnologia pudesse ser desviada para a China.
Em uma carta ao CEO da World Liberty Financial, Zach Witkoff, Khanna escreveu que a transação “pode ter contribuído para mudanças na política dos EUA destinadas a impedir o desvio de chips avançados de inteligência artificial dos Emirados Árabes Unidos para a China, potencialmente prejudicando a capacidade dos EUA de superar a concorrência e aumentando as preocupações com a segurança nacional”.
Ele acrescentou que, independentemente das posições políticas, “subordinar discussões políticas robustas aos interesses financeiros pessoais do presidente é inaceitável”.
Leia também: O que é a World Liberty Financial? Projeto cripto da família Trump
A carta exige 16 categorias de registros até 1º de março, incluindo acordos completos com a Aryam Investment 1, fluxos de pagamento, due diligence em entidades ligadas aos Emirados Árabes Unidos, salvaguardas internas contra conflitos de interesse e quaisquer comunicações relacionadas a controles de exportação ou ao posterior perdão presidencial ao fundador da Binance, Changpeng Zhao.
Witkoff, cujo filho Zach atua como CEO da World Liberty, ocupa simultaneamente o cargo de Enviado Especial do Presidente Trump para o Oriente Médio. Tanto Steve Witkoff quanto Donald Trump constam como cofundadores eméritos da World Liberty Financial no site da empresa. A World afirma que Trump e seus familiares não ocupam nenhum cargo de “diretor, executivo ou funcionário” da empresa.
O Decrypt entrou em contato com a Casa Branca e a WLFI para obter comentários.
World Liberty Financial sob escrutínio.
A carta de Khanna afirma que o Sheikh Tahnoon, também conhecido como o “Sheikh Espião”, supervisiona importantes veículos de investimento e tecnologia, incluindo a G42 e a MGX.
Leia também: Trump diz desconhecer aporte de R$ 2,6 bi de Abu Dhabi em seu projeto cripto
A G42 busca há muito tempo acesso a semicondutores avançados dos EUA para o desenvolvimento de IA, mas enfrenta um escrutínio constante dos EUA devido a supostos laços com a China, afirmou ele.
Quando o lobby não resolveu essas restrições, os Emirados Árabes Unidos pareceram combinar a diplomacia com grandes investimentos ligados à rede de negócios do futuro presidente, observou o congressista.
A carta também menciona um investimento separado da MGX de US$ 2 bilhões na Binance, que utilizou a stablecoin USD1 da World Liberty Financial para liquidação, uma medida que, segundo Khanna, provavelmente impulsionou as receitas ligadas à empresa.
Em carta enviada ao procurador federal de Delaware, Benjamin Wallace, Khanna instou os procuradores federais a examinarem minuciosamente o suposto negócio de US$ 500 milhões com a World Liberty Financial. Ele observou que notícias indicam que pelo menos uma entidade envolvida na compra da participação de 49% da Aryam Investment 1 estava registrada em Delaware.
Khanna escreveu que, “De acordo com todos os relatos, este é um escândalo que receberia muito mais atenção em outras circunstâncias políticas.”
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
Cashback de até 5% em bitcoin é só na Super Quarta! De 4 a 6 de fevereiro, invista em ativos selecionados e receba parte do valor direto na sua conta MB. Saiba mais!