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terça-feira, fevereiro 17, 2026

Paradigm desafia narrativa de mineração de BTC ante boom de IA.

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A rápida expansão de data centers de inteligência artificial reacendeu um debate antigo sobre consumo de energia, com críticos argumentando que grandes operações computacionais, incluindo a mineração de Bitcoin, pressionam as redes elétricas e elevam os preços da eletricidade.

Como o Cointelegraph reportou anteriormente, o aumento na construção de data centers de IA alimentou resistência local em várias regiões dos Estados Unidos, com moradores e legisladores levantando preocupações sobre a demanda por energia e o aumento dos custos de eletricidade. A mineração de Bitcoin (BTC) tem sido cada vez mais associada ao debate mais amplo sobre infraestrutura computacional de alta densidade.

Em uma recente nota de pesquisa, a gestora cripto Paradigm rebateu essa narrativa, argumentando que a mineração de Bitcoin é frequentemente mal compreendida e muitas vezes caracterizada de forma incorreta nos debates públicos sobre energia. Em vez de tratar a mineração como um dreno estático de energia, a Paradigm a enquadra como participante dos mercados de eletricidade, respondendo a sinais de preço e às condições da rede.

Justin Slaughter, da Paradigm, e a coautora Veronica Irwin também contestam várias premissas comuns usadas em modelagens energéticas. Por exemplo, observam que algumas análises medem o consumo de energia do Bitcoin por transação, embora o gasto energético da mineração esteja ligado à segurança da rede e à competição entre mineradores, e não ao volume de transações.

Outros modelos assumem que a produção de energia é praticamente ilimitada ou que os mineradores continuarão operando independentemente da lucratividade — hipóteses que a Paradigm considera irreais em mercados de energia competitivos.

Segundo a Paradigm, a mineração de Bitcoin atualmente responde por cerca de 0,23% do consumo global de energia e aproximadamente 0,08% das emissões globais de carbono. Como o cronograma de emissão da rede é fixo e as recompensas de mineração diminuem aproximadamente a cada quatro anos, a empresa argumenta que o crescimento energético de longo prazo é limitado por incentivos econômicos.

Fonte: Daniel Batten

Mineração de Bitcoin como demanda flexível da rede

Um pilar central do argumento da Paradigm é a flexibilidade da demanda.

Mineradores de Bitcoin normalmente buscam eletricidade de menor custo, muitas vezes proveniente de geração excedente ou fora do horário de pico.

As operações de mineração podem ajustar o consumo com base nas condições da rede, reduzindo o uso durante períodos de estresse e aumentando quando a oferta supera a demanda. Nesse sentido, a Paradigm descreve a mineração como uma carga flexível, semelhante a indústrias intensivas em energia que respondem a sinais de preços em tempo real.

O debate ganhou urgência com a aceleração da expansão dos data centers de IA. Como o Cointelegraph reportou recentemente, parte da infraestrutura da era cripto está sendo reaproveitada para suportar cargas de trabalho de inteligência artificial, com empresas migrando da mineração de Bitcoin para processamento de IA em busca de margens mais altas. Vários mineradores tradicionais de Bitcoin, incluindo Hut 8, HIVE Digital, MARA Holdings, TeraWulf e IREN, iniciaram transições parciais.

Ao enquadrar a mineração como demanda responsiva, em vez de consumo constante, o relatório da Paradigm desloca o debate do alarmismo ambiental para a economia da rede elétrica. A implicação para formuladores de políticas é que a mineração de Bitcoin deve ser avaliada dentro do contexto mais amplo do mercado de eletricidade, e não por meio de comparações energéticas simplificadas.