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quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Brasil encontrou rumo no combate ao desmatamento

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É de bom augúrio a queda de 11% no desmatamento na Amazônia Legal em 2025 sobre o ano anterior, apurada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Se comparada a 2022, a perda de vegetação caiu pela metade. No ano passado, a área devastada foi estimada em 5.796 quilômetros quadrados, a menor em 11 anos e a terceira mais baixa da série histórica. Claro que a região ainda concentra problemas graves para além da questão ambiental, em particular o avanço do crime organizado, mas não deixa de ser um dado positivo.

No Cerrado, bioma mais refratário a quedas no desmatamento por incluir a fronteira agrícola, também houve recuo. No ano passado, foram devastados 7.235 quilômetros quadrados ante 8.174 no ano anterior. A redução, de 11,5%, ficou no mesmo patamar do nível amazônico. Quando comparada a 2022, ano em que foram registrados os recordes de desmatamento no bioma, a redução chega a 32%.

Dos 81 municípios que mais desmatam na Amazônia, 70 aderiram a um programa do governo federal que oferece apoio no combate aos crimes ambientais. De acordo com o secretário extraordinário de Controle do Desmatamento, André Lima, as prefeituras recebem computadores, caminhonetes, lanchas, motos, drones, consultores em geoprocessamento e internet por satélite para que possam acompanhar as ocorrências em tempo real. A queda do desmatamento nesses municípios chegou a 66%. Isso mostra que o trabalho integrado, com base em tecnologia e conhecimento científico, é um caminho promissor.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, celebrou a queda no desmatamento, lembrando que ela não tem impedido o crescimento do agronegócio. É verdade. Mas os números positivos refletem apenas parte da questão. No período mais recente analisado pelo Inpe, de agosto de 2025 a janeiro deste ano, houve aumento de 45% no desmatamento do Pantanal, contrastando com quedas na Amazônia e no Cerrado. É preciso investigar as causas e buscar medidas para combatê-las.

Os incêndios florestais são outro problema que o país tem dificuldade para enfrentar. Oscilam mais em função do regime de chuvas que propriamente de ações dos governos. De acordo com o programa Queimadas, do Inpe, de 1º de janeiro a 12 de fevereiro deste ano, os focos de calor na Amazônia aumentaram 75% em relação ao mesmo período do ano passado. É um sinal de alerta.

A criminalidade na Amazônia Legal também tem sido fonte de preocupação. É estarrecedora a constatação de que quase metade do território dos nove estados da região está tomada por facções criminosas. Elas atuam não só no narcotráfico, mas também em crimes ambientais, como extração irregular de madeira e garimpo ilegal. Dos 772 municípios, 344 registram a presença de ao menos um grupo criminoso, segundo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Público em parceria com o Instituto Mãe Crioula. Os vários tipos de crime se entrelaçam, impondo enormes desafios às autoridades.

É legítimo celebrar a queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado — os índices precisam continuar caindo, e em todos os biomas. Os bons números não encobrem, contudo, outros problemas ambientais que fustigam essas regiões. São um passo importante, especialmente se o país sonha cumprir a meta de desmatamento zero até 2030. Mas a caminhada ainda é longa.

[Fonte Original]

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