O acordo selado neste sábado entre Brasil e Índia para cooperação na área de minerais críticos e terras-raras tem como pano de fundo uma tentativa de garantir o abastecimento desses insumos num período de instabilidade nas cadeias globais, além de estimular a redução da dependência da China, hoje a maior produtora e processadora mundial desses materiais.
O acordo foi um dos destaques da visita à Índia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encerra hoje. Ao firmarem um entendimento para atuar de forma conjunta na pesquisa, no processamento e na exploração desses insumos, os dois países buscam assegurar acesso a matérias-primas consideradas estratégicas em um cenário geopolítico conturbado. Mas, afinal, o que são terras-raras e minerais críticos? E por que eles se tornaram tão valiosos? Entenda:
O que são as terras-raras?
As chamadas terras-raras estão entre as mais cobiçadas matérias-primas do mundo atualmente e ganharam uma importância geopolítica sem precedentes com a guerra comercial promovida pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Elas são um conjunto de 17 elementos químicos da tabela periódica. Apesar do nome, são facilmente encontrados no solo e em minerais. O problema é que aparecem em baixas concentrações. Isso torna sua extração complexa, cara e ambientalmente sensível. Em depósitos extensos, aproveita-se pouco.
Por que nossas reservas são competitivas?
O Brasil concentra a segunda maior reserva de terras-raras do mundo, atrás apenas da China. Dados recentes do Serviço Geológico do Brasil indicam que o país reúne cerca de 23% das reservas globais desses elementos.
Além de o Brasil ter grandes reservas de terras-raras, está em uma posição única fora da Ásia no quesito qualidade. O país tem ETRs em depósitos de argila iônica. Reservas desse tipo, na província de Jiangxi, no centro-sul da China, foram o diferencial do país asiático para dominar o setor.
O que são os minerais críticos?
Já os minerais críticos formam uma categoria mais ampla. O termo não fala de uma propriedade química específica, mas se refere à importância estratégica e ao risco de fornecimento. São considerados críticos aqueles minerais essenciais para setores-chave da economia e cuja oferta está concentrada em poucos países ou sujeita a instabilidades.
Entram nessa lista o lítio, o nióbio, o cobalto, o grafite e as próprias terras-raras. No caso do lítio, fundamental para baterias de carros elétricos, o Brasil detém cerca de 8% das reservas mundiais. Já em nióbio, usado na produção de ligas metálicas de alta resistência para a indústria e para o setor aeroespacial, o país responde por 93,1% das reservas globais.
Por que esses minerais são importantes?
Para especialistas, os minerais críticos vão exercer papel similar na geopolítica global ao do petróleo no século XX. O rápido desenvolvimento de novas tecnologias avançadas, das baterias de carros elétricos e painéis fotovoltaicos aos semicondutores e armamentos, provocou um aumento global da demanda por minerais críticos que são insumos dessas novas indústrias.
Os minerais críticos têm sido cada vez mais importantes para a transição energética e para o avanço tecnológico. Por isso, estão no centro da corrida global por inovação e segurança econômica.
O rápido desenvolvimento de baterias de carros elétricos, painéis solares, turbinas eólicas, semicondutores e equipamentos de defesa elevou a demanda por esses insumos em todo o mundo.
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No setor de defesa, terras-raras e outros minerais críticos estão presentes em equipamentos sensíveis e estratégicos. Eles são empregados, por exemplo, na fabricação de radares, sistemas de comunicação, mísseis guiados, equipamentos de visão noturna e componentes eletrônicos de alta precisão.
Uso na indústria automotiva
A transição para veículos menos poluentes tornou esses minerais importantíssimos para a indústria automotiva. O lítio, por exemplo, é a base das baterias que movem carros elétricos e híbridos, enquanto elementos de terras-raras são utilizados na fabricação de ímãs permanentes que aumentam a eficiência dos motores elétricos.
Com países implementando metas mais rígidas de redução de emissões, além da a transição para uma frota menos dependente de combustíveis fósseis, a procura por esses insumos tende a se intensificar.
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Uso na indústria eletrônica e de energia
Smartphones, computadores, semicondutores e uma série de dispositivos digitais dependem desses insumos para funcionar. Eles também são empregados em painéis fotovoltaicos e turbinas eólicas, pilares da geração de energia renovável.