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domingo, fevereiro 22, 2026

Seedance 2.0: conheça a IA chinesa que preocupa Hollywood

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Uma nova inteligência artificial (IA) criada pela ByteDance, dona do TikTok está tirando o sono de produtores, estúdios de cinema e atores. Lançado em 10 de fevereiro, o Seedance 2.0 chamou atenção pela capacidade de gerar vídeos ultrarrealistas de qualidade cinematográfica a partir de simples comandos de texto — permite também inserir até 12 referências em áudio, imagem e vídeo para orientar a criação.

Em comunicado, a empresa elogiou a “precisão física, realismo e capacidade de controle” da ferramenta atualizada. “O processo de criação é mais natural e eficiente, permitindo que os usuários controlem suas produções como um verdadeiro ‘diretor’”, dizia o texto.

Não era exagero, típico de lançamentos do mundo da tecnologia. Vídeos gerados pelo Seedance passaram a inundar as redes sociais, trazendo muitas vezes personagens e artistas conhecidos e protegidos por direitos autorais. A mais famosa das produções é uma batalha entre os atores Brad Pitt e Tom Cruise — mas surgiram também produções envolvendo o Homem-Aranha, Darth Vader e a série Game of Thrones.

A reação do mercado ao lançamento foi imediata. Analistas da Kaiyuan Securities afirmaram que o “momento da singularidade” para IAs de vídeo finamente chegou. A editora COL Group atingiu teve alta de 20% nas ações, enquanto a Shanghai Film e a Perfect World avançaram 10% cada. O que anima os investidores é o potencial de uso da ferramenta.

“Os resultados reais dos testes são impressionantes, com suporte a entradas como texto, imagens, vídeos e áudio, além de avanços em capacidades-chave”, escreveram os analistas.

O Seedance deve ser embutido nos vários produtos da ByteDance, incluindo o aplicativo de edições curtas CapCut e o próprio TikTok. A ferramenta permite sugerir movimentos de câmera, enquadramento, efeitos, trilha sonora e ações de personagens — é possível também gerar os áudios dos arquivos, um recurso limitado nos concorrentes ocidentais como Sora, da OpenAI, e Nanobanana, do Google.

Além disso, o modelo entrega resultados até 30% mais rápidos que a versão anterior, o Seedance 1.5 — velocidade na geração é um dos principais gargalos nessa tecnologia atualmente. Atualmente, o acesso ao modelo é feito por meio de uma assinatura com planos a partir de US$ 9,90 por mês (anual) e US$ 19,90 no plano mensal.

No entanto, a possibilidade de colocar nas mãos de centenas de milhões de pessoas uma ferramenta com esse potencial gerou preocupações imediatas na indústria. “Em um único dia, o software chinês de IA Seedance 2.0 incorreu em uso não autorizado de obras americanas protegidas por direitos autorais em larga escala”, escreveu Charles H. Rivkin, presidente da Motion Picture Association, que representa, entre outros, os interesses de gigantes como Disney, Universal, Warner e Netflix.

“Ao lançar um serviço que opera sem garantias substanciais contra falsificação, a ByteDance desrespeita o direito autoral consolidado que protege os direitos dos criadores e sustenta milhões de empregos americanos”, afirmou a associação em seu comunicado.

A Human Artistry Campaign, coalizão global que defende o uso da IA “com respeito aos artistas, intérpretes e criativos insubstituíveis”, afirmou que as criações não autorizadas violam “os aspectos mais básicos da autonomia pessoal”.

No ano passado, a Disney fechou um acordo de US$ 1 bilhão com a OpenAI para permitir que usuários do Sora gerem vídeos com seus personagens — a gigante também se tornou investidora da empresa do ChatGPT. Assim, enviou uma notificação extrajudicial à ByteDance, acusando a chinesa de alimentar o Seedance com dados pirateados de personagens da Disney.

A ByteDance reconheceu essas preocupações em um comunicado enviado à AFP e declarou “respeitar os direitos de propriedade intelectual”. A gigante disse que adotará medidas para “reforçar os mecanismos de proteção atuais” a fim de impedir “o uso não autorizado de propriedade intelectual e de imagem por parte dos usuários”.

[Fonte Original]

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