As negociações diretas entre Kiev, Moscou e Washington em busca do fim da guerra na Ucrânia serão retomadas na próxima quarta-feira em Abu Dhabi, anunciou neste domingo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Os esforços para encontrar uma saída diplomática para o conflito são árduos. Os debates esbarram, em particular, na questão territorial, com a Rússia exigindo que as forças ucranianas se retirem da região de Donetsk que ainda controlam.
“As datas das próximas reuniões trilaterais foram estabelecidas: 4 e 5 de fevereiro em Abu Dhabi”, informou Zelensky no X. “A Ucrânia está preparada para uma discussão substancial e queremos que o resultado nos aproxime de um fim da guerra real e digno”, acrescentou.
No sábado, o presidente afirmou que Kiev se preparava para reuniões “na próxima semana” com o objetivo de avançar nas negociações. Inicialmente, estava previsto um encontro neste domingo em Abu Dhabi, que já recebeu nos dias 23 e 24 de janeiro um primeiro ciclo da negociação trilateral.
Paralelamente, o emissário do Kremlin para assuntos econômicos, Kirill Dmitriev, teve uma reunião na Flórida com o enviado especial americano, Steve Witkoff, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner.
No dia 22 de janeiro, Zelensky, que se reuniu com Trump às margens do Fórum Econômico Mundial, em Davos, afirmou que os documentos destinados a encerrar a guerra com a Rússia estavam “quase, quase prontos”. No mesmo dia, Witkoff se encontrou com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou.
— Os documentos destinados a encerrar esta guerra estão quase prontos. A Ucrânia está trabalhando com total honestidade para acabar com este conflito — disse o presidente na ocasião, acrescentando que parte dos textos trata de garantias de segurança, enquanto outras abordam um pacote econômico para o futuro do país. — Os russos precisam estar prontos para fazer concessões, porque todos precisam estar prontos, não apenas a Ucrânia. Isso é importante para nós.
No X, Zelensky classificou o encontro com Trump como “produtivo e substantivo” e afirmou que os dois discutiram a defesa aérea da Ucrânia. O ucraniano teria agradecido pelo pacote anterior de mísseis de defesa aérea fornecido por Washington e solicitado um novo envio: “Nossa reunião anterior com o presidente Trump ajudou a fortalecer a proteção do nosso espaço aéreo, e espero que desta vez possamos reforçá-la ainda mais”, escreveu Zelensky.
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Em discurso no Fórum, o presidente voltou a criticar a postura da Europa em relação à segurança do continente. Ele afirmou que, um ano após ter alertado em Davos sobre a necessidade de o bloco saber se defender, a situação permanece inalterada. Zelensky também alertou para o que chamou de confiança excessiva da Europa no apoio dos EUA, indicando que o continente precisa saber como se defender adequadamente.
Na ocasião, em conversa com jornalistas, ele afirmou esperar o fim da guerra com “garantias de segurança realmente fortes”, mas disse não ter certeza de que a Rússia esteja disposta a negociar. Ele afirmou ainda que, se todas as partes negociarem de boa-fé, será possível encerrar o conflito, mas alertou contra tentativas de dificultar o processo.