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terça-feira, março 10, 2026

Como a câmera da NASA que fotografa o vento pode revolucionar a aviação

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Uma câmera capaz de capturar o movimento do ar e ondas de choque em alta velocidade ao redor de foguetes e aviões, transformando o “invisível” em imagens nítidas por meio da polarização da luz. É assim que funciona o sistema Self-Aligned Focusing Schlieren (SAFS), premiado pela NASA como a Invenção Governamental do Ano em 2025.

O sistema substitui uma técnica de visualização de fluxo utilizada há 80 anos. Ela dependia de ajustes manuais extremamente complexos e sensíveis em túneis de vento. Ao trocar o antigo aparato mecânico por um sistema óptico compacto e de baixo custo, a inovação reduziu o tempo de montagem de semanas para poucos minutos. E eliminou longos períodos de inatividade em instalações de pesquisa.

Tecnologia SAFS, premiada pela NASA, usa luz polarizada e cristais especiais para simplificar fotografia de fluxos de ar

Criada pelos engenheiros Brett Bathel e Joshua Weisberger no Centro de Pesquisa Langley, a ferramenta elimina distrações visuais que antes poluíam as imagens, como as turbulências naturais que ocorrem fora da área de interesse do teste. 

O sistema foca exclusivamente nas mudanças de densidade do ar próximas ao objeto. Isso permite que os cientistas vejam com precisão como o vento se comporta sob condições extremas de voo.

A “mágica” ocorre dentro de um módulo acoplado à câmera, equipado com cristais birrefringentes. Esses componentes dividem a luz em duas imagens quase idênticas que, ao passarem por um filtro polarizador (tecnologia semelhante à usada em óculos de sol), interagem entre si para revelar ondas de choque como manchas de luz e sombra no sensor.

A “mágica” do sistema SAFS ocorre num módulo acoplado à câmera, equipado com cristais birrefringentes (Imagem: NASA)

Diferente do método tradicional, que exigia alinhar perfeitamente grades de luz em ambos os lados do objeto, como se fosse necessário alinhar duas janelas em lados opostos de uma sala, o SAFS requer acesso a apenas um lado. 

Essa configuração o torna imune a vibrações. E impede que o simples caminhar de um técnico ou o tremor do prédio obriguem os pesquisadores a reiniciar todo o processo de calibragem.

Antes dessa revolução, a agência dependia da técnica Schlieren (termo alemão para “estrias”), concebida originalmente no século 19. O inventor August Toepler usava lâminas de barbear milimetricamente posicionadas para bloquear parte da luz e criar contraste visual nas áreas onde o ar sofria variações de densidade por calor ou velocidade.

Atualmente, o sistema SAFS saiu dos laboratórios da NASA. A inovação já é utilizada por mais de 50 instituições em oito países, incluindo universidades e empresas que já comercializam versões do produto, segundo a NASA.

Na prática, a ferramenta ajuda a prever o desempenho de pouso e decolagem de novas aeronaves. E a analisar estruturas complexas na exaustão de foguetes como o Space Launch System (SLS).

“O que torna essa descoberta tão fascinante é o efeito cascata”, disse Brett Bathel, da NASA. “Quando os pesquisadores conseguem ver e entender o movimento do ar de maneiras que antes eram difíceis de alcançar, isso leva a projetos de aeronaves melhores e voos mais seguros para todos.”

Além do reconhecimento máximo da agência espacial, o projeto foi destaque no R&D 100 Awards de 2025, prêmio internacional concedido por especialistas globais.


[Fonte Original]

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