O avanço do uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento no Brasil e no mundo começa a provocar efeitos em cadeia no sistema alimentar, incluindo o aumento do consumo de proteínas, especialmente de origem animal.
Em um estudo sobre ingestão alimentar em usuários de agonistas de GLP-1, 75% dos participantes relataram aumento do consumo de proteína após iniciar o tratamento, embora a maioria ainda não atingisse as recomendações nutricionais para preservação de massa muscular.
No Brasil, o mercado desses medicamentos movimentou cerca de R$ 10 bilhões em 2025, o equivalente a aproximadamente 4% do varejo farmacêutico nacional, de acordo com levantamento divulgado pelo Itaú BBA.
A mudança no padrão alimentar pode ampliar a demanda por proteínas e pressionar diferentes elos da cadeia produtiva por maior eficiência e produtividade.
Dados da Worldpanel by Numerator (Kantar) indicam que o consumo de carne bovina no Brasil cresceu 9% no primeiro trimestre de 2025. A proteína atingiu 93% de penetração nos lares brasileiros, avanço de 5,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024.
O crescimento da produção pecuária também amplia as discussões sobre os impactos ambientais da atividade. Entre eles, destaca-se a emissão de metano (CH₄), um gás de efeito estufa liberado naturalmente durante a digestão de ruminantes, como bovinos, no processo conhecido como fermentação entérica. Durante a digestão, microrganismos presentes no rúmen fermentam os alimentos fibrosos e produzem metano, que é liberado pelo animal. Esse processo representa uma das principais fontes de emissões de metano associadas à pecuária e é frequentemente citado em debates globais sobre mudanças climáticas.
Segundo Renata Fernandes Theuer, gerente de sustentabilidade para animais de produção da Elanco Brasil, o setor enfrenta o desafio de ampliar a produção mantendo níveis crescentes de eficiência.
“O crescimento da demanda por proteína é uma realidade associada a mudanças no comportamento de consumo. O desafio para a produção não é apenas produzir mais, mas produzir com maior eficiência e menor impacto ambiental”, afirma.
Entre as tecnologias voltadas para esse objetivo está o Zimprova™, aditivo alimentar utilizado em bovinos de corte. O produto possui indicação para melhoria do desempenho produtivo do rebanho e também para redução da emissão de metano, conforme aprovação do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Estudos conduzidos pela Elanco em parceria com pesquisadores da Esalq/USP indicaram que o princípio ativo do produto, a narasina, pode reduzir a emissão de metano entre 10,6% e 34%, dependendo da dosagem utilizada. Resultados relacionados ao desempenho produtivo de bovinos suplementados com narasina foram descritos em estudos científicos publicados no periódico Animals.
Os trabalhos utilizam protocolos experimentais in vitro e in vivo para avaliar parâmetros relacionados à fermentação ruminal e ao desempenho produtivo dos animais.
Além das evidências relacionadas à fermentação ruminal, estudos na área de nutrição animal também indicam efeitos da narasina sobre o ganho de peso e a eficiência alimentar em bovinos mantidos em sistemas de pastejo.
“A narasina altera o padrão de fermentação ruminal, favorecendo microrganismos mais eficientes. Isso permite melhor aproveitamento dos nutrientes presentes na dieta”, explica Murilo Chuba, gerente técnico da Elanco.
Para Renata Fernandes Theuer, a discussão sobre emissões envolve fatores ambientais e econômicos, com reflexos na competitividade da pecuária.
“Consumidores, investidores e mercados internacionais têm ampliado a atenção sobre a origem dos alimentos e os impactos associados à produção. Tecnologias voltadas à eficiência produtiva e à redução de emissões tendem a ganhar relevância nesse contexto”, afirma.
Segundo a executiva, mudanças nos padrões de consumo também podem estimular a adoção de tecnologias voltadas à produtividade e à eficiência ambiental no setor.
A Elanco Animal Health (NYSE: ELAN) é uma empresa global do setor de saúde animal que desenvolve produtos e soluções voltados à prevenção e ao tratamento de doenças em animais de produção e de companhia.
Mais informações estão disponíveis no site da Elanco (https://agropecuaria.elanco.com/br) e nos perfis da empresa no Instagram e no LinkedIn.