Brasileiros com 60 anos ou mais contam com respaldo jurídico para pedir isenção, perdão ou renegociação de dívidas. A medida vale para débitos de consumo, impostos e serviços básicos em todo o país.
Esse conjunto de direitos aparece na Lei do Superendividamento e no Estatuto da Pessoa Idosa. As normas buscam proteger a renda de quem envelheceu, sobretudo em um cenário de inflação e gastos elevados com saúde. Em outras palavras, a dívida não pode engolir o essencial.
Dívidas não desaparecem, mas regras mudam
Idosos continuam podendo ter dívidas. Porém, a legislação cria limites claros. Juros abusivos entram na mira, enquanto serviços essenciais precisam ser mantidos.
O foco recai sobre o chamado “mínimo existencial”. Ou seja, após pagar contas e parcelas, o idoso deve manter um valor suficiente para viver com dignidade.
1- Proteção nas dívidas bancárias e de consumo
A Lei nº 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento, virou peça-chave. Ela permite negociar débitos de cartão de crédito, empréstimos e carnês, inclusive com plano de pagamento na Justiça.
Além disso, bancos não podem empurrar crédito de forma agressiva. Também não podem fixar parcelas que comprometam a sobrevivência do cliente.
Se o idoso comprovar que pagar a dívida afeta alimentação ou remédios, a Justiça pode agir. Nesse caso, há revisão de juros e parcelamento que pode chegar a cinco anos.
2- Isenções de impostos e alívio no orçamento
O alívio não para nas dívidas. Muitos municípios oferecem isenção de IPTU para aposentados e pensionistas com renda limitada e apenas um imóvel.
As regras variam. Por isso, vale consultar a prefeitura local e entender critérios como valor do imóvel e metragem.
No âmbito federal, o Imposto de Renda também traz vantagem. Pessoas com mais de 65 anos contam com faixa maior de isenção. Em situações específicas, como doenças graves previstas em lei, a isenção pode ser total.
3- Conta de luz mais barata e transporte gratuito
Outro ponto que pesa no bolso é a energia elétrica. A Tarifa Social de Energia reduz a conta em até 65% para idosos de baixa renda inscritos no CadÚnico ou que recebem o BPC.
Já no transporte, o Estatuto da Pessoa Idosa garante gratuidade em viagens interestaduais. As empresas devem reservar dois assentos por veículo. Se as vagas acabarem, oferecem 50% de desconto.
Principais direitos dos idosos
- Lei do Superendividamento: permite renegociar dívidas e protege o mínimo existencial
- Benefícios fiscais: incluem possível isenção de IPTU e vantagens no Imposto de Renda
- Tarifas sociais: garantem desconto na conta de luz e gratuidade no transporte interestadual
No fim, o conjunto dessas medidas busca equilibrar contas e garantir dignidade. Afinal, envelhecer não deveria significar viver sob pressão financeira constante.