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quinta-feira, março 19, 2026

Taxa Selic cai pela primeira vez desde 2024 e passa a 14,75% ao ano

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O Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic após meses de estabilidade. O anúncio saiu na noite desta quarta-feira (18), depois de dois dias de reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária.

A mudança marca o primeiro corte desde maio de 2024. Na época, a taxa havia sido fixada em 10,50% ao ano. Agora, o novo patamar chega a 14,75% ao ano.

Apesar da redução, os juros seguem em nível elevado. Até então, a taxa estava em 15%, o maior patamar desde julho de 2006, quando alcançou 15,25% ao ano. Ou seja, o corte aconteceu, mas o custo do dinheiro ainda pesa.

Histórico recente mostra pressão sobre os juros

Entre setembro de 2024 e junho de 2025, o cenário foi de aperto. A Selic subiu sete vezes seguidas. Depois disso, o Copom manteve a taxa estável nas quatro reuniões seguintes.

Esse movimento já indicava cautela. E, ainda em janeiro, o próprio comitê sinalizou que poderia iniciar um ciclo de queda em março. O mercado passou a trabalhar com essa possibilidade.

A dúvida, naquele momento, girava em torno da intensidade do corte. Seria de 0,25 ou 0,50 ponto percentual?

Conflito externo muda expectativas

O cenário mudou rápido. A tensão entre Estados Unidos e Irã trouxe incerteza para o mercado global. O impacto apareceu direto no preço do petróleo, que ultrapassou os 100 dólares por barril.

E isso não fica só no exterior. O aumento já começa a chegar aos combustíveis no Brasil, pressionando a inflação.

Diante desse contexto, parte dos analistas passou a considerar que o Banco Central poderia adiar o corte. Afinal, reduzir juros em meio a pressões inflacionárias externas exige mais cuidado.

Ainda assim, o Copom optou por iniciar o movimento, mesmo com o ambiente instável.

Copom adota tom cauteloso

No comunicado, o Banco Central deixou claro que acompanha de perto o cenário internacional. O texto destaca o aumento das incertezas e os reflexos sobre preços e ativos financeiros.

Além disso, o comitê observa os efeitos da política fiscal no Brasil, que também influenciam a inflação e o comportamento do mercado.

A decisão não veio isolada. O Copom indicou que vai agir com cautela nos próximos passos. Tudo dependerá da evolução dos riscos, tanto internos quanto externos.

Inflação ainda preocupa

Mesmo com sinais de desaceleração da economia, a inflação continua acima da meta. Esse ponto pesa na condução da política monetária.

O mercado de trabalho segue aquecido, o que pode manter pressão sobre os preços, especialmente no setor de serviços.

As projeções também reforçam esse cenário. Para 2026, a expectativa de inflação está em 4,1%. Para 2027, em 3,8%. Ambas acima do centro da meta.

Ou seja, o controle inflacionário ainda não está garantido.

Por que a taxa Selic importa

A taxa Selic influencia toda a economia. Quando sobe, o crédito fica mais caro. Isso reduz o consumo e desacelera a atividade econômica.

Por outro lado, juros mais baixos estimulam empréstimos, aumentam o consumo e incentivam investimentos. Só que esse movimento pode pressionar os preços.

Por isso, o Banco Central precisa calibrar cada decisão. Um corte fora de hora pode reacender a inflação. Já juros altos por muito tempo podem travar o crescimento.

Economia cresce, mas com moderação

No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central revisou a projeção de crescimento do país. A estimativa para 2026 passou de 1,5% para 1,6%.

É um avanço modesto. E reforça a leitura de que a economia desacelera, ainda que sem perder totalmente o ritmo.

Próximos passos dependem do cenário

O Copom deixou claro que o ciclo de cortes começou, mas não está garantido. Tudo vai depender do comportamento da inflação, do cenário internacional e das expectativas do mercado.

Além disso, o comitê enfrenta mudanças internas. Dois cargos ficaram vagos após o fim de mandatos no fim de 2025. Novas indicações devem ocorrer nas próximas semanas.

Enquanto isso, o Banco Central mantém a estratégia. Segue atento, ajustando o ritmo conforme os dados aparecem.

E o mercado observa cada movimento. Afinal, a taxa Selic continua sendo o principal termômetro da economia brasileira.

Leia a íntegra do comunicado do Copom desta quarta (18) sobre a redução da taxa Selic

​“O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,1% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,3% no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores do final de 2025 mostraram desaceleração na atividade econômica, enquanto o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.

O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil. Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados. O Comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.

O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.”

[Fonte Original]

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