A exchange de ativos digitais Crypto.com informou que está demitindo cerca de 12% de sua força de trabalho, citando a necessidade de adaptar seus negócios ao avanço das capacidades de inteligência artificial.
A corretora, sediada em Cingapura, está integrando IA em toda a sua operação, o que lhe dá margem para reduzir o número de funcionários, afirmou em comunicado na quinta-feira (19). Isso equivale a aproximadamente 180 empregados, segundo o Straits Times, que noticiou as demissões anteriormente. Um porta-voz da Crypto.com se recusou a comentar mais detalhes.
“Empresas que não fizerem essa mudança imediatamente vão fracassar”, escreveu o CEO Kris Marszalek em uma publicação no X na quinta-feira. “Empresas que agirem rapidamente e combinarem as melhores ferramentas de IA com profissionais de alto desempenho alcançarão um nível de escala e precisão que antes era impossível. É para onde precisamos ir.”
As demissões são mais um exemplo de cortes de custos no setor de finanças digitais, à medida que empresas afirmam estar correndo para incorporar avanços em IA enquanto a queda no mercado de criptomoedas pressiona os resultados.
A exchange cripto Gemini reduziu cerca de 25% de sua força de trabalho no início deste ano, enquanto a Block, de Jack Dorsey, informou no mês passado que cortaria quase metade de seus funcionários – movimento que a empresa descreveu como uma aposta de que a IA mudará o futuro da produtividade do trabalho.
O mercado de baixa das criptomoedas também pesa sobre os executivos. O bitcoin (BTC) caiu cerca de 40% desde que atingiu US$ 126.000 em outubro do ano passado, prejudicando o desempenho de ações ligadas ao setor cripto.
Ao mesmo tempo, a tendência de empresas associarem cortes de empregos a avanços em IA tem gerado amplo ceticismo, dando origem a acusações de “AI washing” contra CEOs que citam a tecnologia ao reduzir equipes consideradas inchadas.
Fundada em 2016, a Crypto.com tem cerca de 150 milhões de usuários registrados no mundo, segundo seu site. A empresa tem intensificado seu foco nos Estados Unidos nos últimos anos, gastando centenas de milhões de dólares em acordos de patrocínio, como os naming rights do antigo Staples Center, em Los Angeles, e uma parceria de cinco anos com a Fórmula 1. Também informou no mês passado ter obtido aprovação condicional para uma licença bancária nacional no país.
A Crypto.com cultivou laços estreitos com a administração Trump, com Marszalek sendo um dos primeiros executivos a visitar o presidente em Mar-a-Lago após sua vitória em 2024. A empresa doou milhões de dólares para a MAGA, um comitê de ação política conservador, e para o comitê de posse de Trump. Também firmou parcerias com a Trump Media em diversos projetos, incluindo uma série de fundos negociados em bolsa (ETFs) ligados a criptomoedas, a expansão da Truth Social para mercados de previsão e uma empresa de tesouraria de ativos digitais.
Marszalek também fundou a AI.com, que lançou no mês passado uma plataforma que permite aos consumidores criarem seus próprios agentes de IA.