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sexta-feira, março 27, 2026

Dólar avança a R$ 5,25 com dúvidas sobre cessar-fogo no Oriente Médio

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O dólar à vista exibiu valorização frente ao real na sessão desta quinta-feira, em uma dinâmica em linha com o observado no exterior. Hoje, dúvidas sobre um possível cessar-fogo no Oriente Médio alimentaram mais cautela entre os agentes financeiros que voltaram a cobrar prêmio de ativos mais arriscados. Diante disso, moedas em geral depreciaram frente ao dólar, incluindo o real.

A sessão também foi marcada pela venda de US$ 1 bilhão via linha (venda de dólares com compromisso de recompra) pelo Banco Central. A intervenção se mostrou necessária diante de uma piora na taxa do dólar “casado” (a diferença entre o dólar futuro e o dólar à vista).

Terminadas as negociações, o dólar à vista registrou valorização de 0,69%, cotado a R$ 5,2561, depois de ter batido na mínima de R$ 5,2191 e encostado na máxima de R$ 5,2627. Já o euro comercial apreciou 0,34%, a R$ 6,0556. O dólar “casado” terminou o dia a 4,90 pontos, com sua taxa em torno de 8,75%. Mais cedo, antes da intervenção do BC, a taxa chegou a encostar no patamar de 10,35%.

Perto das 17h10, o dólar avançava 1,06% ante o rand sul-africano, 1,03% contra o peso chileno e 0,96% ante o peso mexicano. Já o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, apreciava 0,40%, aos 99,996 pontos.

Desde a abertura dos negócios, o dólar à vista avançou frente ao real, em um movimento alinhado ao que ocorreu com a moeda americana no exterior. Um gestor de moedas lembrou que, na ausência de qualquer sinal concreto de um acordo entre Irã e EUA, os ativos globais devem apresentar grandes oscilações. Ao observar a volatilidade histórica e anualizada do câmbio brasileiro até hoje no mês de março, ela encontra-se em 18,15%, enquanto em fevereiro, antes da guerra, estava em 6,3%.

Apesar da apreciação da moeda americana hoje, no mês de março a valorização está em 2%, o que é considerado um movimento relativamente contido, se comparado a outros momentos de estresse global. Eduardo Aun, sócio e gestor de portfólio da AZ Quest, diz que o real tem melhorado sua relação com as outras divisas emergentes. “Neste ambiente mais recente, em que o dólar ganhou força globalmente, o real tem se mostrado melhor do que os pares emergentes ou ligados a commodities, em especial os pesos mexicano, chileno e colombiano, e o rand sul-fricano e dólar australiano”, diz. No acumulado de março, o real aprecia 5,19% contra o rand, 3,82% frente ao peso chileno, 1,94% ante o peso mexicano, 1,10% ante o dólar australiano e 1,06% contra o peso colombiano.

Os motivos para esse destaque frente aos pares não são mais dúvidas: o diferencial de juros e a exportação de petróleo. Mesmo assim, isso não quer dizer que dê para ter exposição direcional na moeda brasileira, aponta Aun. “Não tenho coragem de ficar vendido no dólar. Até porque nessas horas de incerteza global, o risco-país fica mais vulnerável. Um exemplo claro disso ocorreu na semana passada, quando se aventou a chance de uma greve dos caminhoneiros. Uma desorganização da economia pode criar um ambiente delicado.”

Dentro do mercado de câmbio, o que tem chamado mais atenção dos agentes é a pressão na taxa do dólar “casado”, que voltou a ficar mais alta nesta quinta-feira. Diante dessa pressão, operadores disseram ao Valor que o Banco Central teria espaço para voltar a intervir no mercado, o que acabou se concretizando horas depois, com a venda de US$ 1 bilhão em linha. No dia, o dólar “casado” foi negociado entre 4,20 e 4,90 pontos, e sua taxa encostou em 10,35%.

Com a intervenção desta tarde, a expectativa agora paira sobre o estoque de US$ 1,95 bilhão de linha que vence no começo de abril e ainda não foi rolado. Os agentes avaliam que o BC pode vir a comunicar algo no fim das negociações desta quinta ou sexta-feira. “Hoje não olho tanto para o cupom cambial aqui na gestão, mas uma coisa que é evidente é que esse BC tenta evitar que pressões no mercado de câmbio se prolonguem. Ele atua assim que percebe alguma disfuncionalidade, não fica esperando”, diz, Aun, da AZ Quest, que integrou a tesouraria do Bradesco no passado.

[Fonte Original]

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