Servidores públicos nas Filipinas começaram a trabalhar quatro dias por semana para reduzir o consumo de energia. A guerra no Oriente Médio está elevando os preços do petróleo ao seu nível mais alto em anos e as Filipinas dependem de fornecimento externo.
Os detalhes completos da política, como quem trabalhará em cada horário e se haverá cortes salariais, ainda não foram anunciados. Mas analistas dizem que esperam que os servidores públicos tenham que trabalhar mais horas por dia para compensar e que atrasos em projetos e outros trabalhos sejam inevitáveis. Reuniões e visitas presenciais também serão reduzidas, e a temperatura padrão dos escritórios será ajustada para 24°C. O governo espera reduzir o consumo de energia em 10% a 20%.
As Filipinas importam a grande maioria de sua energia, sendo que 96% do petróleo bruto são adquiridos do Oriente Médio, segundo dados de 2024.
Domini Velasquez, economista-chefe do Chinabank, com sede em Manila, disse ao “Nikkei Asia” que o governo “reduzirá o consumo de combustível, desde que a produtividade não seja afetada”.
O Ministério das Finanças do Vietnã propôs, no domingo, a remoção das tarifas sobre combustíveis importados até o final de abril, uma medida que reduzirá a receita do orçamento estatal em 1 trilhão de dongs (US$ 38 milhões), mas é considerada necessária para “apoiar as empresas na garantia proativa de suas fontes de suprimento, contribuindo para a estabilização do mercado interno de petróleo e garantindo a segurança energética”, informou o site de notícias do governo.
Mas os governos da Indonésia e da Malásia afirmaram que não ajustarão imediatamente os preços dos combustíveis nem os subsídios.
Velasquez e outros observadores alertaram que a semana de trabalho de quatro dias não compensará a inflação crescente, impulsionada pelo aumento dos custos de energia que se espalha por toda a economia.
Ela disse que os rápidos aumentos nos preços do petróleo “afetarão tanto os gastos das famílias quanto os custos das empresas, criando pressões inflacionárias imediatas”.
A desvalorização do peso também agrava as dificuldades financeiras. Desde quarta-feira, a moeda caiu de 57,53 para 59,45 por dólar.
Michael Ricafort, economista-chefe do Rizal Commercial Banking, afirmou que a inflação e os preços mais altos “prejudicarão o crescimento econômico, reduzindo a renda disponível”. O Produto Interno Bruto (PIB) das Filipinas caiu para 4,4% em 2025, o menor crescimento anual em cinco anos, devido ao impacto negativo nos gastos domésticos causado por um escândalo de corrupção envolvendo infraestrutura.
Velasquez disse que um aumento sustentado de US$ 10 no preço do petróleo poderia “reduzir o crescimento do PIB em cerca de 0,4 ponto percentual”.
As Filipinas não têm um teto para os preços dos combustíveis no varejo, mas o departamento de energia afirmou que está monitorando os preços de perto, inclusive pedindo à população que faça sua própria fiscalização de preços. “Se os preços ultrapassarem a faixa preferencial, pedimos aos consumidores, prefeitos, polícia, a todos, que denunciem quaisquer ajustes não autorizados”, disse o departamento de energia.
Na segunda-feira, mais de 80 postos de gasolina na região metropolitana de Manila subiram seus preços para níveis superiores aos desejados pelo governo. As Filipinas planejam uma implementação gradual dos aumentos nos preços dos combustíveis no país.
“Temos suprimentos suficientes até o final de abril, e também temos tempo suficiente para encomendar mais”, disse a secretária de Energia, Sharon Garin, em uma entrevista coletiva on-line na segunda-feira.
Historicamente, os custos de transporte representam de 8% a 9% do índice de preços ao consumidor das Filipinas.
Enquanto isso, o ministro das Finanças da Indonésia, Purbaya Yudhi Sadewa, afirmou que o governo ainda não planeja elevar os preços dos combustíveis, mesmo com o preço global acima de US$ 110 por barril. A estimativa do preço do barril no orçamento estatal é de US$ 70. No entanto, ele acrescentou que, se os preços permanecerem altos, o governo “avaliará” a possibilidade de alterar o orçamento estatal.
“Mas agora não é o momento de tomar uma decisão, porque ainda temos recursos suficientes. As reservas cambiais também são suficientes”, disse ele durante uma visita a um mercado em Jacarta. “Não observei nenhuma interrupção na atividade econômica interna devido aos reajustes de preços, mas isso aconteceu há pouco tempo.”
Amir Hamzah, ministro das Finanças da Malásia, afirmou na segunda-feira que o país se encontra em uma “posição razoável”, apesar da alta dos preços do petróleo, que ultrapassaram os US$ 100 por barril. “Devemos lembrar que a Malásia é uma exportadora líquida de energia, portanto, o preço do petróleo também tem efeitos positivos hoje”, disse ele a jornalistas.
No entanto, Mohd Sedek Jantan, diretor da IPP Global Wealth, disse ao “Nikkei Asia” que o governo pode enfrentar um “ônus fiscal adicional” devido à alta dos preços do petróleo bruto.
“Supondo que a crise se agrave por um mês, com base em nossa simulação, se o preço do combustível subsidiado continuar sendo mantido em 1,99 ringgit (US$ 0,50) por litro, o governo poderá enfrentar um ônus fiscal adicional de cerca de 13 a 15 bilhões de ringgit em subsídios a combustíveis”, afirmou.