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sexta-feira, março 20, 2026

Ibovespa sobe após declarações de Netanyahu e aval dos EUA ao petróleo russo

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Depois de encostar pela manhã nos 176.292 mil pontos, na mínima intradiária, o Ibovespa se afastou do piso no começo da tarde, à medida que os preços de petróleo se distanciaram das máximas vistas na madrugada. O índice caminhava para encerrar em queda quando declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e a notícia de que os EUA emitiram uma licença para venda de petróleo russo carregado em navios-tanque trouxeram alívio aos ativos de risco globalmente durante a tarde.

A notícia fez os preços de petróleo virarem para o negativo no pregão eletrônico, o que deu fôlego extra para o Ibovespa mudar de direção e engatar uma alta expressiva até os 181.251 pontos, na máxima do dia. Segundo analistas, o movimento mais positivo na bolsa local também foi intensificado pela publicação da Medida Provisória que endurece as regras para o cumprimento do piso mínimo do frete, o que pode afastar por enquanto as ameaças de greve dos caminhoneiros. Perto do fechamento, porém, o índice devolveu parte da alta, ao encerrar com ganho de 0,35%, aos 180.271 pontos.

Entre as blue chips, as de commodities fecharam em queda: as PN da Petrobras cederam 0,47%, enquanto as ON da estatal recuaram 0,12%; já as ON da Vale perderam 0,65%. Bancos, por sua vez, fecharam majoritariamente no campo positivo, com exceção das units do BTG Pactual, que recuaram 0,56%. Já o destaque de alta entre as ações de instituições financeiras ficou para as units do Santander, que avançaram 1,15%, após balançarem bastante durante boa parte do pregão.

Segundo analistas, parte da forte aversão a risco registrada nos mercados no começo do pregão de hoje foi contratada na véspera, com os ataques iranianos à maior planta de gás natural liquefeito (GNL) do Catar. Segundo a QatarEnergy, os ataques destruíram cerca de 17% da capacidade de exportação de gás natural do país. O movimento, que já era negativo, ficou ainda mais intenso ao longo da manhã devido ao tom mais “hawkish” (mais inclinado ao aperto monetário) adotado por diversos bancos centrais, como Estados Unidos, Inglaterra, Japão, Suíça e zona do euro.

A exceção ficou para o Brasil, em que a leitura do mercado é que Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, adotou um tom mais “dovish” (menos inclinado ao aperto monetário), ao desenhar um cenário em que a interrupção do ciclo de cortes de juros é improvável e condicionada a uma piora bastante expressiva na guerra. Ontem, o Copom optou por cortar a Selic em 0,25 ponto, levando a taxa básica de juros para 14,75% ao ano.

Durante a tarde, falas de Netanyahu ajudaram a promover alívio nos ativos globais, juntamente com a decisão dos Estados Unidos de emitir uma licença para a venda de petróleo russo carregado em navios-tanque. Em entrevista coletiva, o primeiro-ministro de Israel disse que o Irã não tem mais capacidade de produzir mísseis balísticos e que Israel está ajudando os EUA a abrir o Estreito de Ormuz.

Embora o conflito tenha provocado uma forte aversão a risco nos mercados globais, desde que a guerra foi deflagrada, no fim de fevereiro, o chefe da corretora do Scotiabank no Brasil, Michel Frankfurt, destaca que as entradas de investidores se mantiveram, ainda que em menor volume, e que os aportes desse tipo de alocador já somam US$ 500 milhões na bolsa local ao longo deste mês até a última terça-feira (17). Os números consideram também derivativos e futuros, não apenas o mercado à vista.

Durante o período, Frankfurt afirma que as maiores compras de investidores estrangeiros foram focadas em ações de petróleo e de serviços públicos. No acumulado do mês, dados compilados pelo Scotiabank apontam que os aportes em petroleiras chegaram a US$ 1,2 bilhão, enquanto papéis de serviços públicos receberam US$ 400 milhões, especialmente as ações da Axia Energia (antiga Eletrobras). Na ponta contrária, o profissional aponta que os alocadores não residentes venderam ações de locadoras e de empresas ligadas à indústria, além de outros setores.

“Acho que o gringo comprou petroleiras para se posicionar para uma piora do quadro do petróleo, e ele está acertando. O gringo vem comprando e os preços do óleo bruto estão cada vez mais altos. Talvez ele esteja apostando que o negócio vai piorar antes de melhorar”, destaca o chefe da corretora.

Frankfurt observa que a compra de ações de petroleiras brasileiras é uma forma de se expor ao petróleo em um local que está barato e que, se o risco geopolítico ficar maior, o investidor estará protegido.

Para além do cenário internacional, analistas apontaram que a publicação de uma Medida Provisória (MP), que endurece as regras para o cumprimento do piso mínimo do frete, o que pode afastar por enquanto as ameaças de paralisações de caminhoneiros, também ajudou a promover um alívio durante a tarde.

Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi expressivo e chegou a R$ 28,1 bilhões, alcançando os R$ 38,2 bilhões na B3.

Já em Wall Street, os principais índices terminaram distante das mínimas, mas ainda no negativo. Por lá, o Dow Jones cedeu 0,44%; o Nasdaq perdeu 0,28%; e o S&P 500 recuou 0,27%.

[Fonte Original]

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